A Minha Coluna
Domingo, Maio 27, 2012 at 01:24PM A patroa do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, resolveu pôr a boca no trombone ao dizer que os atenienses deveriam pagar os seus impostos. Na Europa, exceção feita aos países nórdicos, há um coro de protestos e de indignação, pois não é nada justo comparar a situação da Grécia com crianças a passarem fome no Níger e sem possibilidade de terem um acesso condigno ao ensino básico. Alguém não está a perceber a mensagem.
O problema não está na Grécia, está na Europa e no facto desta região do globo, pela 1ª vez, estar dependente do FMI. Pergunta-se: quem é que está a colocar dinheiro no FMI para ser canalizado para a Irlanda, Portugal e Grécia e, futuramente, uma Espanha? A Alemanha, a Holanda, a Suécia? Não!
A verdade é que são países com sociedades muito mais pobres do que as europeias - a América Latina, a África, a Ásia - que têm no FMI o dinheiro das suas poupanças, usado hoje, para manter uma parte da população mais rica do planeta a viver mil vezes melhor do que quem empresta o dinheiro. Leiam as opiniões, por exemplo, dos comentadores e economistas latinoamericanos e vejam se eles estão a aceitar esta "solidariedade para com os ricos".
Percebam que quando se fala de eurobonds, fundos de estabilização, etc., o dinheiro não vem da Europa nem dos USA que também devem para além da conta. Quem sobra? A que portas os europeus terão de bater? À China ou à Índia, por exemplo, cujos cidadãos, em geral, vivem praticamente na miséria, sem rendimentos de inserção garantidos, sem subsídios de desemprego, sem saúde gratuita, sem pensões para todos e com salários - para muitos - de escravatura. Toda esta gente e são a grande maioria da população mundial bate palmas às declarações de Christine Lagarde. E têm razão.
Façam favor de gozar um bom Domingo.










