Luís Antunes | Comments Off | A Minha Coluna
Domingo, Fevereiro 24, 2008 at 11:00AM 
"Sente-se em Portugal um mal estar difuso que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional. Este mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequênca inevitável o seu bloqueamento."
Este é o diagnóstico de um "think-tank" político, a SEDES. E as causas?
"Degradação da confiança no sistema político; sinais de crise nos valores, comunicação social e justiça; criminalidade, insegurança e os exageros cometidos pelo Estado."
De facto, algo vai mal no Reino da Portugalândia...
Mais de trinta anos volvidos sobre a manhã de Abril, instalou-se a Desilusão. Sim, porque a Revolução prometeu-nos outros "D"s: Descolonização, Democracia e Desenvolvimento. Quanto ao primeiro não há grande motivo para júbilo porque até Timor parece mais um falhanço. Quanto à democracia, não basta dizer que temos liberdade de pensamento e expressão; sabe a pouco, porque faltam a igualdade de oportunidades, a justiça e o respeito pela dignidade humana, se entendermos por ético e moral o problema da distribuição da riqueza. Finalmente e sobre o desenvolvimento, basta-nos olhar para os vizinhos ou para a outrora pobre Irlanda para nos sentirmos desconfortáveis.
A questão é sabermos se o mal está só nas instituições, nos políticos, nas elites. Também temos todo o direito a duvidarmos do diagnóstico: será verdade que a coesão nacional está em causa? Que o regime está bloqueado?
Regimes bloqueados é coisa que não entendo. Então o Marcelismo estava bloqueado? Não, desbloqueou-se e enterrou-se em duas penadas. Bastou um punhado de oficiais de patente média. Nem os habituais generais foram precisos. Quanto à coesão, não há que ter medo, porque somos herdeiros de centenas de anos como Nação.
A resposta para tudo isto está em nós, está na nossa juventude que ainda não percebeu que terá de fazer uma nova revolução - de patente média, mais uma vez - para tomar o poder. Já basta de velharias com mais de trinta anos. Provaram à saciedade que não conseguem vencer os desafios. Já basta de consumismo estúpido e novo-riquismo parolo. Já basta de mediocridade e conformismo. Há que arrasar estes valores caducos.
Venham outros. Venham mais cinco. Venham todos.
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