Luís Antunes | Comments Off | A Minha Coluna
Domingo, Abril 27, 2008 at 11:00AM
A propósito do 25 de Abril, Vasco Pulido Valente conclui que, apesar da democracia, apesar de termos cortado com o passado da colonização, apesar da entrada no clube dos ricos da Europa, a nossa sociedade hoje é fraca, mais submissa e dependente do Estado. Apesar de..., o veho Portugal reemergiu.
No outro lado do Atlântico, na Hollywood de Schwarzenegger, um actor chamado Wesley Snipes vai para a cadeia condenado a três anos de prisão por não pagar impostos. Antes de lida a sentença, entregou um cheque de 5 milhões de dólares, justificando a não entrega das suas declarações de IRS dos últimos 10 anos, porque subscreve a filosofia de que os impostos sobre o rendimento são ilegais.
Pergunto-me se algum cidadão português se atreveria - assumindo as consequências - a desafiar o Estado desta maneira. E a resposta é um rotundo não, porque de facto somos submissos e dependentes do pai ou mãe Estado. Somos também avessos ao risco, invejamos a riqueza do vizinho, somos contra a avaliação, não entendemos a meritocracia, tememos a mudança e estamos carregados de direitos.
Como mudar este estado de coisas? Como gerar o milagre do "português produtivo do Luxemburgo"? Com mais políticas sociais, mais subsídios, mais QRENs, mais pontes, TGVs e autoestradas? Tudo isto faz lembrar o aprendiz de trapezista: quanto menor for a altura e quanto maior e mais perto dos seus pés estiver a rede, menor é a probabilidade de alguma vez se transformar num grande artista de circo. Mas morrer por queda, só se for da cama e por ataque cardíaco.
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