A Dama-de-Veludo
A nossa comunicação social gosta muito do "cliché" ou, no modernismo de hoje, do "soundbyte". Ainda ontem, em entrevista à RTP1, a Dra. Manuela Ferreira Leite foi confrontada com mais uma atoarda: o que acha a Sra. do facto de a apelidarem de Dama-de-Ferro?
É claro que estas coisas não são inocentes e têm origem conhecida. Mas lá que o objectivo de conotar a candidata à liderança do PSD com uma personagem insensível aos problemas sociais está subjacente à pergunta, lá isso está.
Certo é que a ex-Ministra - a tal, supostamente insensível - se fartou de protestar e escrever sobre aquela medida "benemérita" do Eng. Sócrates relativa aos fundos de poupança dos reformados. E foi a única. Dos outros, diz-se que nem tugiram nem mugiram. Os velhos indefesos e com pouca expressão eleitoral que se desenrasquem.
Comparar determinação, vontade férrea na prossecução de objectivos, com insensibilidade é o mesmo que comparar vinho com água. Para sermos justos na alcunha - com o devido respeito - para a Dra. Manuela Ferreira Leite, Dama-de-Veludo seria o mais correcto. Porque o veludo tem classe e é apelativo para muito tipo de pele. Tanto assim é que o ex-líder do PSD fez questão, em público, de lhe reconhecer isenção no 1º processo das directas e, não satisfeito com o gesto, ainda lhe pediu para se manter no cargo - Presidente da Mesa do Congresso -, mesmo sabendo que ela não votara na sua lista. Poucos ou nenhuns militantes dentro do PSD tiveram tal reconhecimento por parte dos seus adversários. Por isso acho que não é nada fácil a tarefa dos actuais opositores.


