Casa Própria e Desenvolvimento
Na aparência, um país de proprietários é um país de gente rica. Isto é, o facto da maior parte das famílias serem não arrendatárias mas antes proprietárias das sua casas é sinal de riqueza.
Aparentemente sim. Em termos comparativos - e nós portugueses adoramos comparações com os vizinhos - somos mais ricos do que os Alemães, Suecos, Dinamarqueses, Holandeses, etc. E porquê? Porque, para uma população de cerca de 10 milhões, temos mais de 5 milhões de casas propriedade do Sr. Silva, da Sra. Graciete, etc. E mais, somos tão ricos que temos mais de meio milhão de casas... às moscas!
Bom, há aqui cartas fora do baralho... 500.000 casas desabitadas! Mas uma casa é um bem, e como tal tem de ser produtivo. Isto não é riqueza, é desperdício, porque nada rende, antes provoca gastos; ou não há manutenção, impostos a pagar? Mas atenção: e então a valorização do bem, não conta? Claro que conta. É bom investir, nada fazer e esperar sentado que o dinheiro caia da tal árvore das patacas. Melhor do que isto, só a Dona Branca ou os "valiosos" selos da Afinsa, lembram-se? Bem lá no fundo, o princípio é o mesmo: ganhar muito dinheirinho sem nada produzir.
E, já agora, que riqueza é esta que prende tantas famílias a um determinado ponto geográfico? Isto não condiciona a vida a quem gostaria de ter liberdade de escolha, por exemplo de trabalhar em 2008 em Lisboa e em 2009, no Porto? Se até as multinacionais não têm pejo em deslocalizar - mudar de ponto geográfico - uma fábrica, no espaço de horas...
Se alguém pensa em mudar estas políticas, pensa com a cabeça. Ou, pelo menos olha - com olhos de ver - para os tais "pobretanas" da Alemanha, Suécia, Dinamarca e Holanda. Já não era sem tempo, caramba!


