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Casa Própria e Desenvolvimento

Posted on Sexta-feira, Maio 9, 2008 at 11:00AM by Registered CommenterLuís Antunes in | Comments Off

casa.jpgNa aparência, um país de proprietários é um país de gente rica.  Isto é, o facto da maior parte das famílias serem não arrendatárias mas antes proprietárias das sua casas é sinal de riqueza.

Aparentemente sim.  Em termos comparativos - e nós portugueses adoramos comparações com os vizinhos - somos mais ricos do que os Alemães, Suecos, Dinamarqueses, Holandeses, etc.  E porquê?  Porque, para uma população de cerca de 10 milhões, temos mais de 5 milhões de casas propriedade do Sr. Silva, da Sra. Graciete, etc.  E mais, somos tão ricos que temos mais de meio milhão de casas... às moscas!

Bom, há aqui cartas fora do baralho... 500.000 casas desabitadas!  Mas uma casa é um bem, e como tal tem de ser produtivo.  Isto não é riqueza, é desperdício, porque nada rende, antes provoca gastos; ou não há manutenção, impostos a pagar?  Mas atenção: e então a valorização do bem, não conta?  Claro que conta.  É bom investir, nada fazer e esperar sentado que o dinheiro caia da tal árvore das patacas.  Melhor do que isto, só a Dona Branca ou os "valiosos" selos da Afinsa, lembram-se?  Bem lá no fundo, o princípio é o mesmo:  ganhar muito dinheirinho sem nada produzir.

E, já agora, que riqueza é esta que prende tantas famílias a um determinado ponto geográfico?  Isto não condiciona a vida a quem gostaria de ter liberdade de escolha, por exemplo de trabalhar em 2008 em Lisboa e em 2009, no Porto?  Se até as multinacionais não têm pejo em deslocalizar - mudar de ponto geográfico - uma fábrica, no espaço de horas...

Se alguém pensa em mudar estas políticas, pensa com a cabeça.  Ou, pelo menos olha - com olhos de ver - para os tais "pobretanas" da Alemanha, Suécia, Dinamarca e Holanda.  Já não era sem tempo, caramba! 

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