Luís Antunes | Comments Off | A Minha Coluna
Domingo, Junho 29, 2008 at 11:00AM Na área empresarial vive-se, de há uns anos a esta parte, o paradigma da "qualidade". E digo vive-se, não por acaso, mas porque a questão da qualidade faz parte do dia-a-dia do gestor, do responsável intermédio, dos colaboradores, em geral. Sente-se como parte integrante do lado profissional de cada um de nós.
Todos concordamos que a qualidade é necessária e que, sem ela, não há viabilidade. E eu pergunto-me se será tanto assim. Pergunto-me, por exemplo e porque trabalho em Lisboa, se quem determina ou permite que haja tanto carro e tanto motorista ao serviço do Estado tem alguma noção do que é qualidade. E não me venham com a treta da demagogia, do privado invejoso das regalias dos dirigentes públicos. Não tenho o hábito de me procupar com aquilo que os outros têm ou deixam de ter. Reparem, que, tanto os motoristas como os "passageiros privativos" são, em cerca de 90% dos casos, gordos e anafados. Nem para os próprios corpos há um pouco de qualidade. E para o ar que todos respiramos? E para os cofres, isto é, para os impostos, haverá aqui alguma espécie de qualidade na aplicação dos mesmos? O nosso dinheiro desperdiçado em carros, em motoristas? Neste exemplo, antes sequer de se pensar em qualidade, pense-se em bom senso. E até no respeito devido aos cidadãos comuns.
Como é que nos convencemos de que a qualidade é um paradigma, isto é objectivo prioritário, quando fechamos os olhos a tanta falta de qualidade, a puro desperdício e esbanjamento à nossa volta? Como é que suportamos o insulto à nossa inteligência quando vamos a uma simples repartição pública solicitar uma 2ª via de um documento qualquer? Como é que preenchemos formulários absolutamente idiotas, desprovidos de objectivo e que, se calhar ninguém lê, só para justificar o facto de nos pedirem o pagamento de uma taxa?
Quem responde na Justiça, na Saúde, no Ensino, perante todos nós, pela absoluta falta de qualidade em tantos e tantos processos, métodos, normas, medidas, atitudes, etc.? Se compro uma simples televisão, tenho direito a tudo em matéria de qualidade. E ai de quem a vende e não dá total e absoluta garantia de perfeito funcionamento, pelo menos, por dois anos. E quem é que me dá 2 anos de garantia por um tratamento médico, por um acto de justiça ou pela qualidade do ensino dos meus filhos? A que DECO é que me dirijo? Para que fornecedor alternativo mudo?
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