Luís Antunes | Comments Off | A Minha Coluna
Domingo, Julho 13, 2008 at 11:00AM Estamos em maré de relatórios: começámos com o do Compromisso Portugal, seguiu-se o da Sedes e, no dia 10, o da Associação Industrial Portuguesa. Tive oportunidade de os ler - uns melhor, outros "en passant" - mas o que mais me surpreendeu foram os comentários subsequentes a cada um deles, na comunicação social.
Com algum espanto vi elogios ao profissionalismo e isenção das conclusões do Compromisso Portugal sobre o Estado da Governação. Afinal, os integrantes do C. P. não são empedernidos defensores do capitalismo selvagem, nem ultra-liberais e muito menos pretendem despedir trabalhadores só porque estes são de esquerda. Esta nova "imagem" terá algo a ver com o facto da análise apresentada não arrasar o governo de José Sócrates?
Passando às conclusões da Sedes, aí o Governo e o PS juntaram-se ao coro da comunicação social na condenação de tal documento, porque - dizem - o mesmo é contraditório em relação ao anterior de Fevereiro que considerava "que o país estava a caminhar para uma crise social gravíssima e que o Governo não estava a ser sensível para isso”. Talvez que aquela ideia de o relatório acusar o executivo de José Sócrates de estar a governar a pensar nas eleições de 2009 e não na administração do país, tenha algo a ver... ou, então, Roma não perdoa aos seus traidores...
Quanto ao da AIP, o que ressaltou foi que as empresas - o estudo foi feito a um universo de 1260 empresas em Maio/Junho/2008 - disseram maioritariamente (88%) que a conjuntura económica é "má ou muito má". Eu também respondi assim e vejo isto como uma verdade de La Palisse. Agora, porque é que não se disse, que, no geral, o inquérito revelou que o ano de 2007 foi para as empresas muito melhor do que 2006, que os níveis de investimento, resultados financeiros, incrementos de vendas, dívidas, manutenção dos postos de trabalho, exportações, etc., etc. são todos positivos? Eu que sigo esta avaliação há vários anos, raramente vi resultados tão bons. Claro que há parcelas más, mas são uma minoria.
Concluo pois, que os nossos "opinion makers" e comunicação social, em geral, conseguem ser mais pessimistas do que o nosso papa na matéria, o Dr. Medina Carreira. Para quê e porquê, não é difícil de adivinhar.
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