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Quarta-feira
02Dez2009

Futuro, Procura-se!

No último Prós & Contras, penso que ficou claro para todos os portugueses que se preocupam com o estado da sua Nação que temos pela frente um sério problema de sustentabilidade. Se fôssemos uma família, sentavamo-nos todos à mesa para ouvirmos o nosso patriarca dizer: não podemos continuar a viver como até aqui; temos de mudar de atitude, parar de gastar em desperdício e pensar na forma de ganharmos mais dinheiro; caso contrário, digam adeus a muita coisa e pensem como é que poderemos evitar o colapso de irmos todos dormir debaixo de uma ponte qualquer.  

Este é o diagnóstico, esta é a nossa verdade. Já ninguém a contesta, mesmo aqueles que se negam a falar dela. Não é um problema de economistas, de elites, de mudar de Governo ou de Presidente. É um problema de todos nós. Está em jogo o nosso futuro, mesmo que o perigo de "dormir debaixo da ponte", isto é, a bancarrota, não esteja de forma alguma iminente. Mas se não mudarmos de atitude é isso que nos poderá acontecer.

E mudar de atitude é o quê? Depende do rumo que traçarmos. Poderemos sempre - o povo é soberano - voltar aos tempos miserabilistas do Salazar, prescindindo de alguma liberdade, do bem-estar, mas sendo pobres, emigrados, honestos, bons carneirinhos e estado-dependentes. Evitaremos a ponte, mas seremos uns falhados, o parente pobre da Europa. Ou então, poderemos assumir as nossas responsabilidades, em plena democracia. Participando, exigindo aos outros - especialmente aos políticos - mas também a  nós mesmos, maior empenho, concorrência, desafios de produtividade, condições de igualdade de oportunidades, meritocracia, liberdade de escolha, melhor ensino, justiça que funcione, transparência, menos Estado, menos subsidiodependência, etc, etc.

A batalha é de todos. Temos de ter a consciência de que, quando entramos para a União Europeia, aceitamos, livremente, o desafio do mercado global e da concorrência, que só pode ser vencido colocando nesse mercado global melhores e mais competitivos produtos e serviços, para criarmos riqueza para nós, para podermos ter um futuro de desafogo e de bem-estar. Não podemos estar permamentemente a representar o papel do "alemão de leste" que, uma vez derrubado o muro de Berlim se julgou com direito ao nível de vida do alemão ocidental, sem ter de lutar por isso. Essa é a atitude errada, é a atitude de curto prazo que cedo acaba.

Há que aceitar que nem todos poderão entrar neste barco: os homens e mulheres que desprezam o trabalho; aqueles para quem a mediocridade e a estagnação são forma de vida; as empresas que julgarem que os mercados são monopólios dados pelo Estado ou que quiserem vencer pela batora, pela corrupção, os jovens que preferirem a droga ou a praia ao estudo.  Esse terão de viver pior, à esmola da sociedade e do Estado, mas sempre com oportunidade para mudarem de rumo. E há que castigar quem prevaricar e premiar quem se esforçar.

Há que procurar o nosso futuro, porque ele não nos vai cair do céu!

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