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Culture Os comentários e pensamentos diários do Pateira... lo que se dice y piensa a diario en Pateira... our day-to-day business... ![]()
Domingo, Dezembro 31, 2006 at 10:00AM
Prezados Leitores,
Como vocês sabem, sou um especialista em imagem e, como tal, tenho uma formação especial em eventos de todo o tipo, especialmente em Reveillons.
Pois bem, esta palavra inglesa (eu detesto inglesismos!) não quer dizer só passagem de ano. Na chiquérrima Suíça e noutros países de fala inglesa, um reveillon é um jantar longo, e possivelmente uma festa, realizada nas noites que precedem o Natal e o Ano Novo. O nome deriva de "réveil", que, como sabem, quer dizer revelar, ou seja ficar várias vezes a velar, em pé, toda a noite (ai Rita, sei lá, deve ser pelo defunto ano). Só o Zézé Camarinha (o homem é um portento, Rita!) é que passa o ano deitado com uma bifa pirosa das docas de Munique.
O "dress code" (sublime o francês!) para esta ocasião é que já não é o que era, ou seja, o smoking e o vestido comprido estão "out", excepção feita às peruas do Norte e às Vanessas da Rinchoa, bem como aos respectivos patos bravos.
O que está em "vogue" (ai, Rita, hoje estou todo Prada) são os dress code temáticos, tal como no Carnaval. Com uma ligeira diferença: como tudo é "indoor", os temas podem ser muito mais variados. Vão desde o Adão e Eva, com muito samba, até ao conventual. Aliás, há uma marca de cerveja que vai publicitar este tema, com um monge a dar ao badalo.
Aliás, recordo-me de uma festa que tinha por tema a gastronomia, onde o meu fato "croquete com palito" fez sensação! (o Jonas foi muito querido e emprestou-me o palito, Rita)
E, é tudo. Bem hajam, Bom Ano e até Domingo.
Renato Prado, consultor de imagem
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Renato Prado
Sábado, Dezembro 30, 2006 at 04:00PM Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
— ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo:
fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria e, lá fora — ah, lá fora! — rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra.
Mário Cesariny, Pastelaria
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Sábado, Dezembro 30, 2006 at 10:00AM
Caros e Incautos Leitores,
Depois daquela imitação das Conversas em Família proporcionada pelo Sócrates recheada de delicodoce - cautela com os vossos fígados - e da palestra "ton sur ton" que se espera deste vosso novo Presidente da Concertação - bom, antes ele que a Vermelha de Boliqueime -, ficai ainda com mais esta mensagen:
"A recuperação económica é moderada, mas convincente."
O acólito que assina esta oração - eu cá, não vou em frases Tlebianas - é, nem mais nem menos, do que o presidente do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.
Temos assim, para gáudio do bom povo português, o novo trio Odemira - Sócrates, Cavaco e Constâncio - a encher estas Santas Festas com música de câmara. Não a música Celestial, mas a do mafarrico.
Vede como os três efes ainda estão em vigor: o Fado, o Futebol e, agora, a Falácia, pois Fátima é Santuário da Verdade. Por Diós!
Mas bem, vós que gastais o que tendes e o que não tendes, que acreditais no Pai Natal da Coca-Cola, na Segurança Social e no Glorioso Benfica Campeão, acreditai nestes vossos políticos. Afinal, cada povo tem o Governo que merece.
Finalizo, desejando-vos um bom final de ano e que 2007 vos traga Saúde, Paz e Amor. Se, para além disto, ainda quereis o vil metal, pois jogai na Lotaria Nacional. Ao menos, assim, ainda algum por cá fica.
Escrevei-me, mas... cautela com o meu lápis azul!
O Provedor do Pateira, Prof. Emerenciano Cuadrado
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Sexta-feira, Dezembro 29, 2006 at 04:00PM
"Preside o neto da rainha Ginga
À corja vil, aduladora, insana.
Traz sujo moço amostras de chanfana,
Em copos desiguais se esgota a pinga.
Vem pão, manteiga e chá, tudo à catinga;
Masca farinha a turba americana;
E o oragotango a corda à banza abana,
Com gesto e visagens de mandinga.
Um bando de comparsas logo acode
Do fofo Conde ao novo Talaveiras;
Improvisa berrando o rouco bode.
Aplaudem de contínuo as frioleiras
Belmiro em ditirambo, o ex-frade em ode.
Eis aqui de Lereno as quartas-feiras."
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Culture
Sexta-feira, Dezembro 29, 2006 at 10:00AM [...] Homem - Senhor Governador?
Sancho - Que quereis ao senhor Governador?
Homem - Senhor Governador, peço justiça.
Sancho - Pois de que quereis que vos faça justiça?
Homem - Quero justiça.
Sancho - É boa teima! Homem do diabo, que justiça quereis? Não sabeis que há muitas castas de justiça? Porque há justiça direita, há justiça torta, há justiça vesga, há justiça cega e finalmente há justiça com velidas e cataratas nos olhos.
Homem - Senhor, seja qual for, eu quero justiça.
Sancho - Uma vez que quereis justiça... Olá, ide-me justiçar esse homem em três paus.
Homem - Tenha mão, senhor Governador, que eu não peço justiça contra mim.
Sancho - Pois contra quem pedis justiça?
Homem - peço justiça contra a mesma Justiça.
Sancho - Pois que vos fez a Justiça?
Homem - Não me fez justiça.
Sancho - Até aqui, ao que parece, o vosso requerimento é de justiça. Ora andai; dizei de vossa justiça em três dias.
Homem - Isso é muito sumário.
Escrivão - Senhor, não saberemos o que pede este homem?
Sancho - Homem, o que é que pedis?
Homem - Peço recebimento e cumprimento de justiça.
Sancho - E de que comprimento quereis a justiça?
Homem - Seja do comprimento que for, que eu com tudo me contento.
Sancho - Ó Meirinho, ide à gaveta da minha papeleira de chorão da Índia, e entre várias bugiarias que lá tenho, tirai uma Justiça pintada que lá está, e dai-a a este homem, e que se vá embora.
Homem - Senhor, eu não quero justiça pintada.
Sancho - Pois, beberrão, não sabeis que não há nesta ilha outra justiça, senão pintada? Ó Meirinho, lançai-me este bêbado pela porta fora, que nenhuma justiça tem no que pede.
Homem - Viu-se maior injustiça! (Vai-se) [...]
António José da Silva, "O Judeu", Vida de Dom Quixote, Esopaida e Guerras do Alecrim; cena IV
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Culture
Quinta-feira, Dezembro 28, 2006 at 10:00PM 
Christmas lightshow on the river (alumbrados) - Medellin, Colombia
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Culture
Quinta-feira, Dezembro 28, 2006 at 04:00PM
Saddam Hussein, ex-ditador do Iraque, está na iminência de ser enforcado antes do final do ano.
Naturalmente que este "castigo" não consta do cardápio ético-moral vigente nas sociedades civilizacionais, ocidentais e avançadas - excepção feita a alguns "cowboys" da América -.
O que parece constar nesse cardápio, com ressaibos a imperialismo, é a destruição das sociedades ditas arcaicas, confessionias, anti-democráticas, imorais e, ainda por cima, ricas em ouro negro.
Aí o que conta são as unidades, dezenas, centenas ou poucos milhares de combatentes envergando a farda democrática. Os milhares e milhares de "outros", sem farda, são um "efeito colateral". Não se contam. Apenas, hipocritamente, se lamentam.
Já assim foi no tempo de Alexandre o Grande, de César, de Hernando Cortez, do General Custer e de tantos outros altos representantes das civilizações avançadas.
Naturalmente que o senhor Saddam tem muitas culpas no cartório, mas não está só, nesse lado da barricada. O azar dele foi ter ido parar a um qualquer banco dos réus, em Bagdad. Os outros não perdem pela demora, mas terão a sorte de ser julgados por outro tribunal, bastante mais compassivo: o da História.
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Politics
Quinta-feira, Dezembro 28, 2006 at 10:00AM [...] Se eu sou mau, porque razão
Me chamam, fiel amigo;
Não sei porque muita gente
Se quer parecer comigo.
Té as meninas da moda,
Das que têm muito cacau,
Braços nus, todas esguias
São cópias de um Bacalhau.
E que grande providência
Não sou eu numa estalagem?
Quando lhe entra de repente Povo,
Que vai de passagem?
A gorda estalajadeira,
Às moças botando o olho,
Logo diz: Ó rapariga
Bota Bacalhau de molho!
Lá nos séculos traseiros
Qualquer coisa era uma isca,
Té sobre açorda, e tremoços
Uma canada ia à risca.
Com quatro ou três dentes de alho,
Com uma cebola inda crua,
Com três camarões, dois figos,
Dava-se crena à charrua.
Estamos em mundo novo,
Chegou a tudo a mudança,
Novas modas, novos usos,
Nisto de nutrir a pança [...]
Anónimo, Suplício do Bacalhau e Degredo de Judas em Sábado de Aleluia, 1874
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Culture
Quarta-feira, Dezembro 27, 2006 at 04:00PM Tenho a sorte de conhecer algumas capitais e cidades importantes da Europa. E já, desde alguns - só alguns! - anos.
Recordo-me de quando tudo era diferente - para melhor - lá fora. E, recordo-me também de quando tudo me começou a parecer "dejá vue". Os tais efeitos da globalização.
Hoje, Lisboa começa, outra vez, a divergir. Pelo chamado comércio de rua, nome que soa, desde logo, a fatela. Mas não é. O "comércio de rua" em Madrid, Londres, Paris, Frankfurt, Milão, Geneve, nada tem de fatela. Muito pelo contrário.
Nem o de Lisboa o é. O que aqui se passa e é o causador da tal divergência, é que o comércio de Lisboa está, pura e simplesmente, a desaparecer.
Não por causa de nenhum terramoto, não porque os nossos comerciantes sejam "zero à esquerda", não por causa de alterações climáticas. Mas, porque, à boa maneira dos "novos ricos", entendemos que o haviamos de matar, a troco de belos e confortáveis centros comerciais. Comércio a metro, ou ao quilo, take-away, franchising, outlet, retail store, consoante preferirem.
Sei que isto é lamechas, velho do Restelo, tagarelice de cotas. Mas que conheço novos ricos de mentalidade saloia, lá isso conheço.
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Business
Quarta-feira, Dezembro 27, 2006 at 10:00AM Quem tiver alguma curiosidade pelo que se passa do outro lado do Atlântico, pode e deve consultar, os tais blogues politiqueiros de referência que fazem parte do top brasileiro:
Ricardo Noblat, nascido no jornal carioca O Dia, foi o primeiro jornalista dos média brasileiros a entrar nos blogues, no primeiro semestre de 2004. Ajudado pelos portais por onde passou, o diário de Noblat publica artigos, entrevistas, fotografias próprias e fala ainda de música. A sua audiência ronda os 36 mil internautas/dia.
Josias de Souza, 44 anos, é colunista do prestigiado Folha de São Paulo e iniciou o seu blogue em Outubro de 2005, após ocupar o cargo de Secretário de Redacção da publicação. Além de aproveitar os contactos adquiridos dentro do Governo em 20 anos de jornalismo, segundo a sua própria descrição, para tecer comentários sobre bastidores, Souza usa o blog para publicar análises políticas.
Escrito pela jornalista Leila Couceiro a viver em Sacramento, California. Nas suas próprias palavras, "Preciso do blog para desenferrujar minha verve". E não é que desenferruja bem?
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