Mensagem - Mens agitat molem - "A mente move a matéria" ![]()
E você, o que pensa? .... MEDITE !!
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais o que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal. E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que "é muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria-prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa.
Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte ...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada ...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados ... igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa Portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda ...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro ... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa? ....
Eduardo Prado Coelho (1944 - 2007) foi escritor, ensaísta e professor universitário português
Ser Português será uma arte?
Escrevia Teixeira de Pascoaes, em 1915, que ser português era uma arte de alcance nacional, que devia ser cultivada desde a infância. E vá de enumerar uma série de qualidades que seriam intrinsecamente “nossas”. Da Raça, como ele diz. A referência à nossa incapacidade para a filosofia, a única que não é encomiástica, é particularmente interessante: o génio lusíada é mais emotivo do que intelectual. Afirma e não discute. Quando uma ideia se comove, despreza a dialéctica; e é sendo e não raciocinando que ela prova a sua verdade (…). O português não quer interpretar o mundo nem a vida, contenta-se em vivê-la exteriormente; e tem, por iso, um verdadeiro horror à Filosofia, imaginando encontrá-la em tudo o que não entende.
Sábias palavras, ainda bem reconhecíveis nos idos de sessenta, na experiência do ensino liceal, que foi a minha. E agora, será diferente? Em que ponto estamos?
Agora, poderíamos aggiornare o texto de Pascoaes e constatar a nossa fraca capacidade de transformação. As suas manifestações sensíveis são as que o meu ilustre colega António Carrapatoso refere no seu artigo, e que vale a pena repetir: opinião pública pouco esclarecida, cultura de oposição permanente à mudança, adesão a tabus e a modelos obsoletos, sociedade civil fraca e pouco interventora, governos frequentemente populistas, que revelam uma incapacidade de ultrapassar os tabus ideológicos e que possuem uma deficiente capacidade de gestão, poder desproporcionado de determinadas corporações, e de outros grupos de interesse, também económicos, sobre a administração pública e que se apropriaram do Estado em detrimento do interesse de todos, resistindo a alterações que coloquem em causa os privilégios de que dispõem.
Muito recentemente, os media divulgaram os resultados do inquérito do European Social Survey: 38,9% dos portugueses diziam “não ter nenhum interesse pela política”, contra uma média europeia de 17,9%.
Constata-se, com tristeza, aquilo que todos nós sabemos mas queremos esquecer: ser português é também este desinvestimento naquilo que devia a todos nós dizer respeito, a política. A palavra política tem a ver com a polis, a cidade grega, onde pela primeira vez os homens experimentaram a democracia. Muito diferente da nossa, é bem verdade (era directa, as mulheres, os escravos e os estrangeiros não votavam, entre outros particularismos). Mas que implicava uma noção de bem comum que parece que não existe na nossa cultura.
Não precisávamos do resultado do relatório para sabermos que, em Portugal, as pessoas, quando não abominam a política, são-lhe indiferentes, como se fosse uma coisa que não lhes dissesse respeito. Às vezes até se lhe referem com desprezo como “a porca” e outras delicadezas, que são bem significativas do desprezo a que votamos tudo o que diga respeito à vida pública e às questões de cidadania.
De onde vem esta apatia, esta aversão? Curta experiência democrática? Séculos de governos centralizados? Forte influência do Catolicismo? Quarenta anos de obscurantismo e de fechamento ao exterior? Fraca autonomia dos indivíduos perante o Estado? Ou será mesmo fraca autonomia dos indivíduos em geral?
Há tempos escrevi umas linhas sobre o fenómeno do microcrédito, que já arrancou milhares de pessoas à miséria – noutras paragens. A questão não suscitou qualquer interesse, apesar do prémio Nobel atribuído ao seu inventor, o Prof. Yunus. Eis a olímpica indiferença dos portugueses pelo mundo que vá para além do quintalinho! Será só culpa do tiraninho – como lhe chamava Pessoa - de Santa Comba?
Ainda a propósito do microcrédito, falei com algumas pessoas amigas e conhecidas, que estão em situação de inactividade ou mesmo de desemprego, e reparei que a reacção era de aparente desinteresse ou mesmo de fuga à questão. Ou seja, nem queriam ouvir falar do assunto. Tive até um amigo que me disse que não valia a pena penasr nisso, “que era sempre para os mesmos”, etc. Tratando-se de pessoa instruída e informada, fiquei a cogitar sobre este cepticismo maligno, muito diferente do cepticismo dos antigos gregos (lá está a tal falta de jeito para a filosofia…).
A dura verdade é que o sucesso do microcrédito, como de muitas outras iniciativas privadas, tem a ver com a criatividade, a capacidade de iniciativa, a construção da autonomia, até mesmo com a construção da identidade.
Chego à conclusão de que a possibilidade de construirmos algo de raiz, com o esforço que isso obriga, é um assunto desagradável e que nos obriga a confrontar com uma série de questões penosas. E fico a interrogar-me sobre o aparente “conforto” de se ser desgraçadinho… O Dr. Sigmund Freud escreveu sobre isso há muito, muito tempo. Chamou-lhe benefício secundário.
E toda esta questão nos traz de volta à democracia.
Tenho para mim que uma das principais características que distingue a democracia dos outros regimes, é sabermos que teremos direito a tratamento igual perante a justiça, seja qual for a nossa condição social, ou outra. Ora sem uma máquina eficaz na justiça, não há democracia. A justiça é condição sine qua non para que as outras instituições, como a saúde e a educação, e a própria economia, funcionem. Justiça implica responsabilização. E a justiça funciona mal em Portugal.
Não certamente por acaso, constata-se diariamente que a desresponsabilização prolifera como erva daninha em terreno lavrado. Tanto da parte dos governantes, como dos governados. É uma gangrena que vai alastrando e que nos faz a nós, os chamados cidadãos, dizer mal dos políticos, e da política. Entre o encolher de ombros agoniado e o piscar de olhos cúmplice, é o descrédito na própria democracia que se instala.
Curiosamente, este desprezo pela política e pelos políticos, parece que pouco tem de novo. Guerra Junqueiro já falava deste fenómeno a propósito dos seus concidadãos: “e se a isto juntarmos um pessimismo canceroso e corrosivo, minando as almas, cristalizado já em formas banais e populares – tão bons são uns como os outros, corja de pantomineiros, cambada de ladrões, tudo uma choldra (…)”.
É preciso, como diz o Luis Antunes, e muito bem, “ um Estado forte, não actor de mercado, mas protector e incentivador do empreendedorismo e da sã concorrência. Um Estado simplificado e simplificador de processos. Um Estado assente na defesa dos interesses colectivos, mas potenciador da iniciativa individual”.
Para que ser português não seja mais, como escreveu Guerra Junqueiro, pertencer a um “povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai”.
Por último, só mais um reminder: o Estado somos todos nós. Qual monstro de Frankenstein, é da nossa responsabilidade. Que tal filho não nos devore, é o que eu desejo.
Clara Pracana, psicoterapeuta, consultora de organizações
O Processo da Cura
O filósofo José Gil escreveu:
Somos um país de não-inscrição, mergulhado no nevoeiro, sem espaço público - por causa do salazarismo - deficientes na prática democrática, com medo, mergulhados em burocracia, apegados a privilégios e hábitos antigos, sempre com queixumes, cheios de ressentimentos e invejosos.
David S. Landes, sobre o período das descobertas:
A façanha portuguesa é testemunho do seu espírito empreendedor e força, da sua fé religiosa e entusiasmo; da sua capacidade para mobilizar e explorar os conhecimentos e técnicas mais recentes. Nenhum chauvinismo tolo; o pragmatismo em primeiro lugar. Atraíram gente de fora pelo dinheiro, conhecimentos práticos e mão-de-obra.
O mesmo "corpo", doente hoje e pleno de saúde ontem, ou a visão maniqueísta da sociedade portuguesa?
Aceitação
Devemos todos consciencializarmo-nos que os tempos difíceis testam os nossos pontos fracos e fortes assim como testam as nossas ideias e políticas comuns. É a nossa oportunidade para mudarmos de atitudes e forma de ser e de percebermos mais claramente a validade dos princípios que nos guiam.
E o primeiro passo é reconhecermos, de vez, que Portugal está a atravessar um tempo de verdade, como aconteceu com o ultimato inglês, com o derrube da monarquia, ou o da 1ª república e, mais recentemente, com o 25 de Abril.
Permanecermos voluntàriamente cegos a esta realidade é negarmos a dádiva da visão.
É nosso dever perseverar no optimismo porque o futuro, não sendo predeterminado, está em aberto. Temos de ter a consciência do facto de que todos contribuimos para ele mediante todos os nossos actos, isto é, somos responsáveis por aquilo que o futuro nos reserva e devemos lutar por um mundo melhor.
O Conceito da Democracia
Sem esquecermos os "valores" da tradição, da cultura e da religião que nos dão a plena identidade nacional, é pelo conceito de democracia que há que encontrar soluções para o problema, sem termos de recorrer à tirania, ao autoritarismo, ou ao totalitarismo. Porque é na democracia que está a fonte da autoridade: a Lei.
E, dentro deste regime democrático, a opção de escolha que cimentarará na sociedade portuguesa um novo espírito colectivo, deverá partir de três conceitos: responsabilidade, mérito e risco. Que os portugueses de hoje e agora terão de interiorizar.
Democracia plena e assente na igualdade de oportunidades, que não de direitos. Democracia defensora da liberdade individual, da família, da propriedade privada, dos recursos naturais, da escolha de religião, da paz e da cooperação com todos os povos. Democracia para todos, sem excepção de ideologia, nascimento, religião e raça.
E é esta democracia portuguesa, que deveria estar a agir com o vigor dos seus 30 anos e não a comportar-se como uma velha carcaça que perdeu o rumo que lhe deveria ter sido traçado pela missão que lhe é inerente: a obrigação permanente da nossa Sociedade de lutar por um futuro melhor!
A Função do Estado
Com que tipo de Estado se moderniza a economia, tornando-a competitiva? Que Estado proverá, pelo melhor, à Felicidade dos Portugueses?
- Percepção do problema: O Estado tornou-se exíguo
- Testar ideias: que Estado temos vs que Estado podemos ter (em termos de recursos; "afford")
- Validade de princípios: a utopia Estado-Provedor é desejável?
- Mudança de atitudes: agarramo-nos ao adquirido, adaptamos conjunturalmente ou revolucionamos?
O Estado tornou-se exíguo pela simples razão de que a curva da procura dos cidadãos-clientes por serviços e benesses cresce de forma exponencial e as receitas não acompanham. E já não há mecanismos à disposição do Estado para acelerar o crescimento da receita.
Somos cada vez menos a contribuir (baixa taxa de natalidade) cada vez mais velhos e cada vez mais consumistas/egoístas. Tornamo-nos, a cada dia que passa, mais marxistas, no sentido restrito de exigirmos mais e mais do Estado. E esquecemos, depressa, o resultado de tais políticas.
Queremos mais e melhor saúde e gratuita, mais e melhor ensino e gratuito, emprego e respectiva indemnização pela perda do mesmo, casa porque não se tem rendimento para tal, segurança contra indesejáveis e, ao mesmo tempo protecção/ajuda aos indesejáveis para descanso da nossa consciência, mais entretenimento e cultura, mais consumo e protecção na falta de recursos para tal, crescimento estável do rendimento individual, mais férias e menos trabalho. Pura utopia...
Quem beneficia não abdica, os outros é que devem abdicar; ou então abdicamos todos, por igual, um pouco, à espera de recuperar no futuro próximo; ou questionamos, de vez, que benefícios podemos ter, face ao que contribuimos.
Afinal, não está escrito na Constituição que temos o direito ao trabalho, à saúde, ao ensino, à cultura, à segurança e paz e, finalmente o direito tendencial (e a curva da procura, comprova-o) à Felicidade? E, para maior garantia de que assim é e será, ad eternum, temos um Tribunal Constituicional, garante dessa via para a Felicidade. Por obra e graça de quem?
Porque não começar por esse texto estúpido, utópico e castrador da nossa capacidade colectiva de gerar novas soluções?
O Estado é uma realidade conformada às necessidades da sociedade e em debate deverá estar, apenas e tão só, a sua reforma em quantidade e qualidade.
A função básica do Estado será a de polícia de giro e guarda-nocturno, que impede as colisões e garante a propriedade. Para além dessa, o Estado Providência, como decalque dos paradigmas da autoridade paterna - sobretudo na relação entre os condutores do Estado e os governados - em consonância com o modelo social europeu, "rede e garante" eficaz contra a exclusão e em auxílio aos mais desfavorecidos.
Não existe nenhum argumento convincente a favor do monopólio, ou quase, do Estado na educação, na saúde, na segurança social, na protecção e gestão do ambiente, e em muitas outras áreas.
Sem tabus, advogo um redimensionamento, mas acredito firmemente que competirá sempre ao Estado a função reguladora e fiscalizadora.
Quero um Estado forte, não actor de mercado, mas protector e incentivador do empreendedorismo e da sã concorrência. Um Estado simplificado e simplificador de processos. Um Estado assente na defesa dos interesses colectivos, mas potenciador da iniciativa individual.
Paradigma do Futuro: A Identidade Nacional
São de Isaiah Berlin estas belas palavras:
O verdadeiro fim dos reformadores e dos revolucionários deve ser o abater das barreiras existentes entre os homens, expondo as coisas à clara luz do dia, fazendo com que os homens vivam juntos, sem muralhas que os isolem, de tal maneira que aquilo que cada um quer seja querido por todos.
Para mim, neste pensamento está contido o paradigma da identidade nacional, a herança específica da nossa história.
Somos um povo com entidade cultural e território marcado pela história comum, de espírito empreendedor, pragmático, aventureiro, forte!
A nossa aposta tem de passar pela defesa e preservação do nosso território e mar, pela defesa da paz, pela nossa vocação de acolhimento e absorção de outras culturas, pela defesa do ambiente, pela construção de uma Europa unida e forte, pela luta contra a exclusão.
Portugal tem de ser um país multiracial, multiconfessional, defensor dos Direitos Universais do Homem. Deve existir uma política de abertura à imigração que colmate o défice da taxa de natalidade e o baixo nível de escolaridade existente. Um país de acolhimento e integração, visando o seu próprio enriquecimento.
Portugal não acaba na Europa. Portugal é Atlântico e Mediterrânico. Portugal tem um papel a desempenhar em África e na América Latina. De cariz cultural, económico e polítco. Dilatando hoje e amanhã, não a fé e o império, mas os valores universais da paz, da cooperação, do entendimento e da integração civilizacional que, outrora, ajudamos a implantar.
Que não haja mais hinos absurdos e contrários à nossa identidade que façam apelo às armas e contra os canhões marchar.
Portugal, país pequeno, será grande nas ideias e nas apostas que enfrentará e vencerá, amanhã. A nossa História legou-nos um capital imenso, ainda por explorar.
Navegar, é preciso!
Luís Antunes, empresário
Por Um País de Oportunidades
Estamos aqui porque temos uma ambição: transformar Portugal num país de oportunidades.
Acreditamos que cada português pode e deve ter maiores possibilidades de se realizar pessoal e profissionalmente.
E que o País deve criar condições para aproveitar todo o potencial de cada português, ao inverso do que hoje acontece.
Acreditamos que Portugal pode estar entre os melhores países no que respeita ao nível e principalmente qualidade de vida dos cidadãos e à coesão social.
O ponto de partida não pode, porém, deixar de nos inquietar. As causas da situação e do nosso descontentamento são conhecidas.
Ignorámos que o mundo estava a mudar mais do que nós. Ficámos agarrados a tabus e a modelos obsoletos. Deixámos que o modelo social se tornasse injusto e insustentável e que a diferença entre os mais pobres e mais ricos fosse alargada. Que a segurança no trabalho seja apenas aparente. Que o sistema educativo falhasse nos seus objectivos essenciais. Que a justiça fosse cada vez mais corporativa e pouco responsabilizada. Mantivemos um serviço público de saúde, essencial à qualidade de vida dos cidadãos, de um modo geral sem qualidade e ineficiente. Desprezámos a necessidade de preservar o ambiente e um equilibrado ordenamento do território.
Os diagnósticos estão feitos e muitas das medidas necessárias explicitadas.
Falta, contudo, fazer melhor. Com visão e convicção, ir ao fundo na concretização das reformas.
Mas quais são as razões pelas quais não fomos capazes de, até ao momento, concretizar com profundidade as mudanças necessárias?
Primeiro porque temos uma sociedade civil fraca e pouco interventora.
Um País não pode depender só dos políticos. Movimentos como o Compromisso Portugal devem influenciar e pressionar para que as mudanças aconteçam, reflectindo, propondo e ajudando a esclarecer a opinião pública.
Segundo é notória a incapacidade dos vários governos de estruturar e explicitar uma visão de verdadeira mudança para o futuro e de a concretizarem.
Os governos não se preparam previamente, são frequentemente populistas, revelam uma incapacidade de ultrapassar os tabus ideológicos e evitam clarificar qual é a sua visão e que objectivos prosseguem, possuindo ainda uma deficiente capacidade de gestão.
Acresce que não existe uma cultura e prática de planeamento a longo prazo na gestão do Estado com divulgação pública sistemática e transparente dos resultados alcançados.
Terceiro existe um poder desproporcionado de determinadas corporações, e de outros grupos de interesse, também económicos, sobre o Estado (e administração pública), que se apropriaram deste em detrimento do interesse de todos, e que resistem a alterações que coloquem em causa os privilégios de que actualmente dispõem.
Finalmente, temos uma opinião pública pouco esclarecida que receia a mudança e por isso tem uma elevada resistência a esta.
A nossa sociedade cultivou uma cultura de oposição permanente à mudança.
As forças "reaccionárias" querem manter as coisas tal como estão.
Acreditamos que só a força e pressão da sociedade civil e da opinião pública permitirão ultrapassar estes factores de "bloqueio" e "forçar" a realização das necessárias rupturas.
Essas rupturas, que levarão a novos paradigmas têm, obviamente, que partir de uma visão e de princípios consistentes, assumidos com convicção.
A essa luz, o Compromisso Portugal propõe, quanto ao nosso modelo económico e social, a visão de um país de oportunidades e a existência de um conjunto de cinco princípios fundamentais:
Um cidadão valorizado e responsabilizado. A igualdade efectiva de oportunidades assente numa educação de base de qualidade para todos. A definição clara de direitos sociais e de uma rede de protecção social, esta selectiva e vocacionada para os mais desfavorecidos. A afirmação de um Estado forte, independente, subsidiário, eficiente, garante mas não necessariamente produtor dos serviços públicos. A defesa de uma sociedade (e mercados) aberta, flexível que tire partido das capacidades dos recursos existentes, das capacidades dos Portugueses e de práticas de sã concorrência como forma de promover a inovação e o desenvolvimento. Não podemos perder mais tempo e assistir ao empobrecimento progressivo relativo do nosso país em termos de nível e qualidade de vida coarctando a possibilidade dos Portugueses, em particular daqueles que detêm menos recursos, de se realizarem e serem mais felizes.
Agora é um imperativo ir para além dos remédios de circunstância e de uma política de minimização dos estragos. Acreditamos na necessidade de termos uma sociedade de matriz liberal, seja com uma governação à esquerda ou à direita, assente na capacidade, iniciativa e independência dos cidadãos e das múltiplas instituições que estes entendam criar, sem poderes dominantes ou usurpadores do interesse colectivo e em que o social preceda o económico, tirando deste todo o partido.
Queremos ter um País de cidadãos valorizados e responsabilizados, senhores do seu destino e solidários.
Queremos um país de oportunidades, sem excluídos, em que cada um, mesmo que nasça pobre ou desfavorecido, se possa vir a desenvolver e encontrar o seu espaço de realização e de felicidade.
Queremos deixar um País melhor para as gerações futuras.
Queremos ter orgulho em Portugal.
Vamos continuar a lutar por este país!
António Carrapatoso, Compromisso Portugal, 21/09/2006


