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<!--Generated by Squarespace Site Server v5.11.81 (http://www.squarespace.com/) on Mon, 13 Feb 2012 15:57:38 GMT--><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><title>Portugal, País de Futuro</title><subtitle>Portugal, País de Futuro</subtitle><id>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/</id><link rel="alternate" type="application/xhtml+xml" href="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/"/><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/atom.xml"/><updated>2011-04-05T09:21:23Z</updated><generator uri="http://www.squarespace.com/" version="Squarespace Site Server v5.11.81 (http://www.squarespace.com/)">Squarespace</generator><entry><title>Proposta de Um Plano Para a Economia Verde Portuguesa</title><id>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2011/4/4/proposta-de-um-plano-para-a-economia-verde-portuguesa.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2011/4/4/proposta-de-um-plano-para-a-economia-verde-portuguesa.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2011-04-04T19:19:02Z</published><updated>2011-04-04T19:19:02Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<h2 style="text-align: justify;"><span class="full-image-float-left ssNonEditable"><span><img src="http://www.pateira.net/storage/gr.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1301995259709" alt="" /></span></span>Sum&aacute;rio Executivo</h2>
<p style="text-align: justify;">No &acirc;mbito da iniciativa &ldquo;Mais Sociedade&rdquo;, de Mar&ccedil;o de 2011, que responde a um desafio do Presidente do PSD para que se promova uma discuss&atilde;o aberta sobre o futuro de Portugal, apresento, neste documento, o meu contributo pessoal, com uma proposta concreta, intitulada &ldquo;Proposta de Um Plano Para a Economia Verde Portuguesa&rdquo;, baseada no meu trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o e prepara&ccedil;&atilde;o de um livro sobre os temas da Sustentabilidade e Responsabilidade Social Empresarial.</p>
<p style="text-align: justify;">A proposta come&ccedil;a por apresentar um conceito abrangente de Sustentabilidade, definida como sendo uma agenda de transforma&ccedil;&atilde;o e um desafio intergeracional que diz respeito a todos n&oacute;s, cidad&atilde;os, e n&atilde;o s&oacute; a governos ou empresas e que apela para um novo modelo econ&oacute;mico de coopera&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas demogr&aacute;fica, da biodiversidade, da &aacute;gua, da energia e da altera&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica.</p>
<p style="text-align: justify;">Seguidamente, &eacute; apresentado um panorama sobre o &ldquo;Estado da Arte da Responsabilidade Social em Portugal&rdquo; resultante de diversos estudos, quer nacionais, quer internacionais, e da minha pr&oacute;pria reflex&atilde;o e conhecimentos sobre esta tem&aacute;tica. Concluo que, apesar de em Portugal o tema das energias renov&aacute;veis estar em "voga", apesar de termos algumas ONGs locais que se dedicam aos temas ecol&oacute;gicos, apesar de termos partidos pol&iacute;ticos que se reclamam de "verdes", apesar de termos algumas - poucas - grandes empresas que est&atilde;o a "acordar" para a sustentabilidade, o tema est&aacute; longe de ser compreendido no nosso pa&iacute;s, havendo um enorme d&eacute;fice no conhecimento e na ac&ccedil;&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">Relativamente ao que &eacute; conhecido internacionalmente por &ldquo;Economia Verde&rdquo;, apresento os fundamentos que est&atilde;o na base da minha proposta de ades&atilde;o de Portugal ao que designo por &ldquo;Agenda da Responsabilidade Social&rdquo;: a ideia de que as empresas devem contribuir para o bem estar comunit&aacute;rio, para al&eacute;m do que lhes &eacute; imposto pela Lei; a redefini&ccedil;&atilde;o parcial das fronteiras entre p&uacute;blico e privado, bem como dos respectivos pap&eacute;is perante a sociedade; o crescente interesse pelas reais oportunidades de neg&oacute;cio que o problema da sustentabilidade configura em conjun&ccedil;&atilde;o com novas abordagens &agrave; RSE&nbsp;e a urgente necessidade de reconstruir a confian&ccedil;a nas empresas ap&oacute;s a crise financeira e econ&oacute;mica de 2008 e no moldar de um futuro baseado numa nova economia, mais respons&aacute;vel e sustentada, quer na Europa, quer no resto do mundo.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, apresento uma proposta de ades&atilde;o do pa&iacute;s &agrave; &ldquo;Economia Verde&rdquo;, como uma das poss&iacute;veis sa&iacute;das para o premente problema da falta de solu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas para o crescimento sustentado de Portugal, nas d&eacute;cadas futuras.&nbsp; Pretende-se que com este plano, o Governo de Portugal promova a responsabilidade social e ajude as nossas empresas a colherem maiores benef&iacute;cios, ao estarem na vanguarda mundial da RSE. O objectivo &uacute;ltimo ser&aacute; o de tornar Portugal e as suas empresas reconhecidas, a n&iacute;vel global, pelo crescimento respons&aacute;vel e sustentado, com uma Miss&atilde;o:&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&ldquo;Sermos uma sociedade cred&iacute;vel e eficaz na promo&ccedil;&atilde;o das melhores pr&aacute;ticas no desenvolvimento da Sustentabilidade e excel&ecirc;ncia da Responsabilidade Social, usando para tal, uma plataforma colaborativa e alargada de multi stakeholders, atrav&eacute;s de estrat&eacute;gias e pr&aacute;ticas de implementa&ccedil;&atilde;o devidamente coordenadas.&rdquo;</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-style: normal; font-size: 24px; font-weight: 800;">Um Conceito Abrangente de Sustentabilidade</span></em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">No relat&oacute;rio da GRI &ndash; Global Reporting Iniciative &ndash; intitulado &ldquo;The Transparent Economy&rdquo;, publicado em 2010, pode ler-se:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&ldquo;Pode parecer estranho ligar o conceito da sustentabilidade a uma mudan&ccedil;a, a uma ruptura, quando muitos l&iacute;deres que abra&ccedil;am a jornada para a sustentabilidade v&ecirc;m como seu objectivo prim&aacute;rio a protec&ccedil;&atilde;o e a conserva&ccedil;&atilde;o das coisas &ndash; sejam os ecossistemas, sistemas energ&eacute;ticos, &aacute;gua, pescas ou culturas ind&iacute;genas. Mas a verdade &eacute; que a actual ordem econ&oacute;mica &eacute; n&atilde;o s&oacute; socialmente injusta, mas ambientalmente insustent&aacute;vel. Assim sendo, a sustentabilidade &eacute; uma agenda de transforma&ccedil;&atilde;o - muitas vezes, de ruptura &ndash; com o actual estado das coisas.&rdquo;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Esta mudan&ccedil;a desencadear&aacute; investimentos planet&aacute;rios na ordem dos trilh&otilde;es de d&oacute;lares em infraestruturas, tecnologias e servi&ccedil;os, criando novas oportunidades para as empresas crescerem. Um estudo encomendado &agrave; PricewaterhouseCoopers pelo projecto &ldquo;The World Business Council for Sustainable Development&rdquo; (WBCSD) indica que este investimento se cifrar&aacute; entre os 3 a 10 trilh&otilde;es de d&oacute;lares, por ano, por volta do ano 2050.</p>
<p style="text-align: justify;">Sustentabilidade n&atilde;o &eacute; apenas Responsabilidade Social Empresarial o que significa que tem um &acirc;mbito que vai para al&eacute;m da tem&aacute;tica empresarial, diz respeito tamb&eacute;m a outros actores. E quem s&atilde;o esses outros actores? O Estado e os pol&iacute;ticos, as Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o Governamentais, os investidores, os profissionais liberais, as associa&ccedil;&otilde;es patronais, os sindicatos, isto &eacute;, a sociedade em geral. Pela simples raz&atilde;o de que se a sustentabilidade tem a ver com o relacionamento humano com o seu planeta, ent&atilde;o a solu&ccedil;&atilde;o &eacute; cominada a todos n&oacute;s. E uso a palavra &ldquo;cominar&rdquo;, porque a tarefa &eacute; uma pena imposta a todos n&oacute;s, culpados de alguma forma de neglig&ecirc;ncia na escolha do modelo econ&oacute;mico seguido nos &uacute;ltimos anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos de &ldquo;reparar&rdquo; as disfun&ccedil;&otilde;es dos modelos econ&oacute;micos e empresariais dos s&eacute;culos XIX e XX. Temos de admitir que vivemos num periclitante sistema de equil&iacute;brio e n&atilde;o vai ser, com certeza, nenhuma nova teoria matem&aacute;tica ou econ&oacute;mica que ir&aacute; corrigir um modelo demasiado complexo e mal conhecido, sobretudo ao n&iacute;vel das consequ&ecirc;ncias de poss&iacute;veis disfuncionalidades. Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; l&iacute;cito esperarmos que uma simples altera&ccedil;&atilde;o das regras do jogo, um novo e complexo sistema legislativo resolva o problema. Cair&iacute;amos no tr&aacute;gico erro de confiarmos em demasia no progresso tecnol&oacute;gico e cient&iacute;fico que, sem d&uacute;vida, tem caracterizado a evolu&ccedil;&atilde;o humana nos &uacute;ltimos 200 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na procura da explica&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Big Bang&rdquo;, estamos a tentar legitimar o aparecimento da humanidade como centro, como obra-prima, da cria&ccedil;&atilde;o do universo e olhamos para a sustentabilidade como a salva&ccedil;&atilde;o do planeta, quando, na verdade, o que tentamos obter &eacute; a sustentabilidade do pr&oacute;prio ser humano, n&atilde;o a do planeta. Porque esse continuar&aacute; a subsistir, mesmo sem a nossa presen&ccedil;a.</p>
<p style="text-align: justify;">Chamo a aten&ccedil;&atilde;o de que a narrativa da nossa civiliza&ccedil;&atilde;o carece de revis&atilde;o ou, pelo menos, de estudo profundo, de um novo olhar destitu&iacute;do de ideias pr&eacute;-concebidas e legitimadas n&atilde;o se sabe bem por quem ou quando. Existe esta necessidade, este revisitar da narrativa da humanidade com vista ao desenhar de um novo modelo de sustentabilidade. H&aacute; uma necessidade espec&iacute;fica, a adequa&ccedil;&atilde;o do crescimento populacional a um planeta quase exaurido; mas porque n&atilde;o invertermos o sentido para um modelo civilizacional que n&atilde;o sabe adequar-se ao meio que lhe d&aacute; vida?</p>
<p style="text-align: justify;">Outro aspecto inovador da sustentabilidade &eacute;&nbsp; a quest&atilde;o da intergeracionalidade, palavra que nem sequer existe na l&iacute;ngua portuguesa, mas que uso para traduzir o peso das interac&ccedil;&otilde;es sociais entre indiv&iacute;duos de idades distintas &ndash; av&ocirc;s, pais, filhos, netos, etc. Basta pensarmos que, para os economistas, 30 anos j&aacute; &eacute; um horizonte temporal desprovido de sentido &ndash; <em>ao fim de 30 anos, estamos todos mortos!</em> -, para nos apercebermos que, nas nossas culturas, desenvolvidas ou n&atilde;o, n&atilde;o existe, como dever &eacute;tico ou moral, o cuidar da vida para al&eacute;m do nosso pr&oacute;prio limite temporal.&nbsp; Esse parece ser um encargo de algo que nos transcende, deuses, divina provid&ecirc;ncia ou qualquer lei geral da vida que ainda desconhecemos, mas que acreditamos existir; da&iacute; a nossa excessiva preocupa&ccedil;&atilde;o com o compreender o &ldquo;momento zero&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta quest&atilde;o geracional entronca com muitas das vari&aacute;veis da equa&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade: quando se fala numa futura popula&ccedil;&atilde;o de 9 bili&otilde;es de pessoas, fala-se de 2050, dentro de cerca de 40 anos! Quando se fala na altera&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, o horizonte temporal &eacute; maior, quando se fala em desertifica&ccedil;&atilde;o, na escassez da &aacute;gua, etc. ningu&eacute;m consegue definir claramente quando &eacute; que a vari&aacute;vel se tornar&aacute; cr&iacute;tica para a nossa sustentabilidade. Da&iacute; fazer todo o sentido que a procura da solu&ccedil;&atilde;o seja uma tarefa de muitos anos e n&atilde;o apenas da nossa gera&ccedil;&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">Vivemos hoje, nas democracias ocidentais, uma era em que aceitamos o conceito do progresso como um &ldquo;dado adquirido&rdquo;, porque nunca houve melhor &eacute;poca para se viver: a longevidade n&atilde;o p&aacute;ra de aumentar, estando hoje, em m&eacute;dia, &agrave; volta dos 79 anos; a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; melhor do que nunca, as oportunidades para viajar existem como nunca, h&aacute; n&iacute;veis baixos de criminalidade, temos casas e electrodom&eacute;sticos que nos facilitam a vida, temos acesso a&nbsp;variado tipo de entretenimento, etc. &Eacute;-nos f&aacute;cil termos f&eacute; nesta ideia de progresso. A nova &ldquo;Era das Solu&ccedil;&otilde;es&rdquo; faz um apelo directo &agrave; criatividade humana no desenvolvimento, partindo do princ&iacute;pio de que &ldquo;o prop&oacute;sito da economia &eacute; servir a sociedade e n&atilde;o que as pessoas sirvam a economia&rdquo;. Dito de outra forma, o desenvolvimento refere-se a pessoas e n&atilde;o a objectos.</p>
<p style="text-align: justify;">Quest&otilde;es como a pobreza, o desemprego, a sa&uacute;de, a seguran&ccedil;a, a infla&ccedil;&atilde;o, a desigualdade social, integra&ccedil;&atilde;o racial, etc. devem ser reinterpretadas, para al&eacute;m do contexto econ&oacute;mico, dentro de um contexto social, como patologias societais.&nbsp; A forma como julgo dever lidar-se com estas quest&otilde;es faz um claro apelo &agrave; interdisciplinaridade &ndash; abordagem recorrendo a v&aacute;rias disciplinas como a Economia, a Arquitectura, a Engenharia, o Direito, a Sociologia, a Psicologia, a Gest&atilde;o, a Antropologia, etc. -, pois considerarmos que se trata apenas de problemas econ&oacute;micos ou de gest&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es &eacute; sofrer de miopia.&nbsp;&nbsp; &Eacute; necess&aacute;rio que se perceba que, no que respeita ao problema da sustentabilidade econ&oacute;mica, social e ambiental, existe a necessidade premente de di&aacute;logo interdisciplinar, estimulando pontos de vista e solu&ccedil;&otilde;es para al&eacute;m das meramente economicistas ou de gest&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">Existe um vazio entre velhos problemas &ndash; desemprego, desigualdade social, falta de crescimento, delapida&ccedil;&atilde;o de recursos finitos &ndash; e velhas formula&ccedil;&otilde;es de solu&ccedil;&otilde;es. A resposta residir&aacute;, com certeza, na inova&ccedil;&atilde;o e na centralidade &ndash; &ldquo;core business&rdquo; &ndash; da responsabilidade social empresarial nas tr&ecirc;s vertentes: econ&oacute;mica, social e ambiental. Se quisermos, do que falo &eacute; de uma inefici&ecirc;ncia de mercado. A sua descoberta e o colmatar das reais necessidades colocadas pela globaliza&ccedil;&atilde;o, pelas aspira&ccedil;&otilde;es das sociedades e pelo evitar do colapso ambiental &eacute; o &ldquo;business case&rdquo;, a op&ccedil;&atilde;o de neg&oacute;cio, que maior sustentabilidade dar&aacute; &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es empresariais. Para que esta nova economia possa dar frutos, ser&aacute; necess&aacute;ria uma nova vis&atilde;o, mais humanista, do papel das organiza&ccedil;&otilde;es, que torne poss&iacute;vel uma nova pol&iacute;tica de desenvolvimento n&atilde;o s&oacute; mais equitativa, vi&aacute;vel e suport&aacute;vel, mas, sobretudo, sustent&aacute;vel.</p>
<p style="text-align: justify;">H&aacute; que reconhecer a magnitude e as caracter&iacute;sticas das patologias colectivas e diferenci&aacute;-las na forma como se expressam quer no plano econ&oacute;mico, quer no plano pol&iacute;tico. Di&aacute;logo e coopera&ccedil;&atilde;o entre sociedade civil, empresas e Estado &eacute; o que ir&aacute; caracterizar a nova economia da sustentabilidade e da responsabilidade social empresarial.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: justify;">A Sustentabilidade em Portugal</h2>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #5f497a;">&nbsp;</span></p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de, em Portugal, o tema das energias renov&aacute;veis estar em "voga", apesar de termos algumas ONGs locais que se dedicam aos temas ecol&oacute;gicos, apesar de termos partidos pol&iacute;ticos que se reclamam de "verdes", apesar de termos algumas - poucas - grandes empresas que est&atilde;o a "acordar" para o tema da sustentabilidade, diversos estudos internacionais s&atilde;o categ&oacute;ricos no reconhecimento de que o tema est&aacute; longe de ser compreendido no nosso pa&iacute;s: h&aacute; um enorme d&eacute;fice no conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Outubro de 2009, a &ldquo;Corporate Social Responsibility Europe&rdquo; (rede de empresas europeias engajadas na RSE, composta por cerca de 75 multinacionais e 27 parceiros nacionais) publicou&nbsp;um guia &ndash; <em>A Guide to CSR in Europe </em>- sobre a situa&ccedil;&atilde;o da RSE na Europa. Eis algumas das conclus&otilde;es vertidas no referido documento, sobre a situa&ccedil;&atilde;o portuguesa:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pol&iacute;ticas e Legisla&ccedil;&atilde;o sobre RSE</strong> &ndash; Em Portugal n&atilde;o existe legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica sobre a RSE e n&atilde;o se vislumbram, a n&iacute;vel governamental, ideias claras sobre esta mat&eacute;ria.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Conhecimento P&uacute;blico da RSE</strong> &ndash; Devido &agrave; falta de publicidade, de envolvimento da comunica&ccedil;&atilde;o social e de regulamenta&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, os portugueses est&atilde;o &agrave; margem da RSE. Apenas aqueles que trabalham em empresas onde existe uma estrat&eacute;gia para a RSE ou aqueles que t&ecirc;m um interesse pessoal sobre a mat&eacute;ria est&atilde;o conscientes do problema.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Envolvimento da Comunica&ccedil;&atilde;o Social</strong> &ndash; O papel dos media &eacute; diminuto. A cobertura limita-se a actividades pontuais comunit&aacute;rias e a eventos culturais ou sazonais, n&atilde;o existindo um debate p&uacute;blico sobre a RSE.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ambiente:</strong></p>
<ul>
<li>Existe uma Estrat&eacute;gia Nacional para o Desenvolvimento Sustentado dirigida aos mais importantes temas e desafios ambientais.</li>
</ul>
<ul>
<li>Desafios Ambientais: O mais importante desafio ambiental &eacute; a falta de recursos naturais.</li>
</ul>
<ul>
<li>Energia e Eco-Efici&ecirc;ncia: Portugal &eacute; l&iacute;der em energias renov&aacute;veis, sendo que as actividades a elas ligadas s&atilde;o da iniciativa de empresas, governo e NGOs, tudo feito de forma individual e descoordenada.</li>
</ul>
<ul>
<li>O P&uacute;blico e o Ambiente: H&aacute; um aumento da consciencializa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o para os problemas ambientais e existem iniciativas que procuram cativar a sociedade para a causa. &nbsp;&nbsp;</li>
</ul>
<p><strong>Cadeia de Valor - </strong>Em sectores-chave como o t&ecirc;xtil e o cal&ccedil;ado, as empresas aplicam regras aos fornecedores locais, sendo que a maioria das multinacionais que compra em Portugal aplica auditorias para garantir a conformidade quer no aspecto social, quer no ambiental.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Direitos Humanos - </strong>Os Direitos Humanos s&atilde;o um tema sobre o qual as empresas portuguesas a operarem em pa&iacute;ses em desenvolvimento colocam particular &ecirc;nfase no seu cumprimento.<strong>&nbsp;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Igualdade de Oportunidades - </strong>Recentemente, o governo publicou legisla&ccedil;&atilde;o no sentido do aperfei&ccedil;oamento da igualdade de oportunidades nas empresas p&uacute;blicas, administra&ccedil;&atilde;o central e local.<strong>&nbsp;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Participa&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria:</strong></p>
<ul>
<li>Percep&ccedil;&atilde;o do papel da empresa na comunidade local: embora esta seja uma das dimens&otilde;es mais desenvolvidas da RSE em Portugal, h&aacute; ainda um longo caminho a percorrer em termos do papel que a empresa deve desempenhar na sociedade portuguesa. As sinergias de interesses e benef&iacute;cios necessitam de ser mais bem entendidas e aprofundadas.</li>
</ul>
<ul>
<li>N&iacute;vel de coopera&ccedil;&atilde;o entre comunidades locais e empresas: muitas empresas localizadas em Portugal est&atilde;o envolvidas com as comunidades locais em programas espec&iacute;ficos ou atrav&eacute;s de patroc&iacute;nio ou doa&ccedil;&otilde;es.</li>
</ul>
<ul style="text-align: justify;">
</ul>
<p style="text-align: justify;"><strong>Produtos e Servi&ccedil;os Sustent&aacute;veis - </strong>Produtos e consumo sustent&aacute;vel s&atilde;o conceitos pouco conhecidos pela sociedade portuguesa. H&aacute; alguns desenvolvimentos fruto da percep&ccedil;&atilde;o por parte das empresas de que o tema pode ser uma vantagem competitiva.<strong>&nbsp;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Principais Desafios &agrave; RSE - </strong>&Eacute; urgente que o governo reconhe&ccedil;a que a RSE &eacute; um poderoso instrumento para combater a exclus&atilde;o social e promover a transpar&ecirc;ncia na actividade empresarial. Tamb&eacute;m &eacute; claro que as empresas devem empenhar-se, ainda mais, na resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas sociais e ambientais portugueses. Por &uacute;ltimo, h&aacute; uma necessidade de consciencializar a popula&ccedil;&atilde;o para a RSE e para as pr&aacute;ticas empresariais de RSE.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro relat&oacute;rio, &ldquo;RSE &ndash; O Estado da Arte em Portugal, 2004&rdquo; da responsabilidade do Centro de Forma&ccedil;&atilde;o Profissional para o Com&eacute;rcio e Afins (CECOA) refere, no seu sum&aacute;rio executivo, que:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&ldquo;H&aacute; poucos produtos dispon&iacute;veis com o r&oacute;tulo ecol&oacute;gico europeu (um total de 43, de 18 empresas distintas, dos quais apenas 8 fabricados em Portugal, por 4 empresas) e nenhum r&oacute;tulo social.</p>
<p style="text-align: justify;">A economia paralela &eacute; significativa e em 2003, Portugal classificou-se em 25.&ordm; lugar* (o mesmo do ano anterior) no &Iacute;ndice de Percep&ccedil;&atilde;o de Corrup&ccedil;&atilde;o publicado pela Transparency International, acima da It&aacute;lia e da Gr&eacute;cia, bem como de todos os novos pa&iacute;ses membros da UE.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;">*Acrescento que, e</span><span style="text-decoration: underline;">m 2010, Portugal surge na 32.&ordf; posi&ccedil;&atilde;o no quadro dos 178 pa&iacute;ses analisados pela Transpar&ecirc;ncia Internacional (TI), o que indica que piorou relativamente a 2003.<span style="-webkit-text-decorations-in-effect: none;">&nbsp;</span></span></p>
<p style="text-align: justify;">Portugal (dados de 2004) mant&eacute;m-se na cauda da tabela da UE 15 em alguns indicadores importantes, tais como o rendimento per capita, produtividade, escolaridade, forma&ccedil;&atilde;o ao longo da vida e taxa de mortalidade nos acidentes de trabalho. Em mat&eacute;ria de escolaridade, Portugal aparece mesmo em &uacute;ltimo lugar da UE 25*. Tendo em conta esta situa&ccedil;&atilde;o particular, a vertente interna da RSE assume ainda maior import&acirc;ncia do que noutros pa&iacute;ses da UE.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;">*Em complemento ao referido relat&oacute;rio e de acordo com os dados do Eurostat de 2008, s&oacute; 28,2% da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa entre os 25-64 anos tinha completado o ensino secund&aacute;rio. A m&eacute;dia da UE27 era de 71,2%.<span style="-webkit-text-decorations-in-effect: none;">&nbsp;</span></span></p>
<p style="text-align: justify;">A legisla&ccedil;&atilde;o ambiental portuguesa &eacute; muito avan&ccedil;ada, mas o n&iacute;vel de incumprimento &eacute; significativo. Apesar de ter assinado o Protocolo de Kyoto, Portugal est&aacute; longe de ser um pa&iacute;s modelo, a n&iacute;vel europeu, em mat&eacute;rias tais como o controlo do efeito de estufa, a polui&ccedil;&atilde;o dos rios e a reciclagem dos res&iacute;duos s&oacute;lidos urbanos e industriais. No final de 2003, 243 empresas tinham a certifica&ccedil;&atilde;o ISO 14001 e 14 estavam registadas no Eco Management Auditing Scheme (EMAS), um desempenho modesto no contexto europeu.</p>
<p style="text-align: justify;">Para al&eacute;m de algumas multinacionais, poucas empresas portuguesas publicam declara&ccedil;&otilde;es escritas de vis&atilde;o e valores, miss&atilde;o, princ&iacute;pios de neg&oacute;cio e c&oacute;digos de conduta.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Portugal, n&atilde;o existem Fundos &Eacute;ticos e apenas tr&ecirc;s empresas est&atilde;o listadas em &iacute;ndices bolsistas sociais</p>
<p style="text-align: justify;">No que respeita ao ambiente, o cumprimento da lei, a poupan&ccedil;a de custos, a melhoria da imagem e a press&atilde;o dos clientes s&atilde;o as principais motiva&ccedil;&otilde;es para que as empresas actuem de forma respons&aacute;vel. Os principais obst&aacute;culos s&atilde;o a falta de recursos humanos e financeiros, a atitude e cultura das empresas e a falta de informa&ccedil;&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">A atitude, de uma maneira geral, e a falta de informa&ccedil;&atilde;o sobre os assuntos, em particular, aparecem como denominador comum em mat&eacute;ria de responsabilidade social e ambiental das empresas, sobretudo ao n&iacute;vel das PMEs.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta conclus&atilde;o refor&ccedil;a a import&acirc;ncia da implementa&ccedil;&atilde;o de campanhas de informa&ccedil;&atilde;o sobre RSE em Portugal, bem como a necessidade da elaborar conte&uacute;dos formativos e promover ac&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o nestas &aacute;reas, destinadas a empres&aacute;rios e dirigentes, principalmente das PMEs, aos organismos do Estado e ao terceiro sector.&rdquo;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Compreende-se que, neste particular momento de grande crise financeira e econ&oacute;mica, a tem&aacute;tica da sustentabilidade seja algo de muito secund&aacute;rio para os portugueses. Mas, para quem acompanha estas mat&eacute;rias, esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; deveras preocupante, porque o nosso futuro, a nossa pr&oacute;pria sustentabilidade social e econ&oacute;mica, ter&atilde;o de passar por aqui. E, repito, ter&aacute;, pois n&atilde;o est&aacute; em nossas m&atilde;os qualquer outra op&ccedil;&atilde;o. E Portugal tem condi&ccedil;&otilde;es excepcionais - talvez &uacute;nicas, na Europa - para ter sucesso. Mas, antes de mais, h&aacute; que mudar o "awareness". E o que &eacute; que isto significa?</p>
<p style="text-align: justify;">Significa que o consumidor portugu&ecirc;s ter&aacute; de receber mais informa&ccedil;&atilde;o, com normas claras e precisas, por forma a readquirir confian&ccedil;a nos produtos e servi&ccedil;os moldados/criados pela sustentabilidade. Por exemplo, todo o relacionamento que temos com o nosso banco. &Eacute; aceit&aacute;vel sentirmo-nos inseguros com as nossas poupan&ccedil;as? Atente-se no tremendo impacto social que recaiu sobre o povo da Irlanda, pela irresponsabilidade do seu sistema banc&aacute;rio; isto, para n&atilde;o falarmos na Isl&acirc;ndia.</p>
<p style="text-align: justify;">S&atilde;o necess&aacute;rios incentivos correctos por parte do governo e &eacute; necess&aacute;rio investimento - p&uacute;blico e privado - nas energias (j&aacute; l&aacute; estamos, mas h&aacute; que continuar a aposta), mas tamb&eacute;m nos transportes e infraestruturas p&uacute;blicas.</p>
<p style="text-align: justify;">H&aacute; que formar gestores e futuros l&iacute;deres nesta &aacute;rea, porque j&aacute; hoje a procura ultrapassa, a n&iacute;vel mundial, a oferta. E temos um ensino superior prestigiado e capaz de tal tarefa.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Portugal existe um programa designado por Estrat&eacute;gia Nacional de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ENDS 2015) e o respectivo Plano de Implementa&ccedil;&atilde;o (PIENDS) que foram aprovados pela Resolu&ccedil;&atilde;o de Conselho de Ministros n.&ordm; 109/2007, que produziu, em Dezembro de 2008, um 2&ordm; Relat&oacute;rio Intercalar de Execu&ccedil;&atilde;o de que destaco:&nbsp;<strong>&nbsp;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Indicadores Ambientais</strong></p>
<ul>
<li><em>Gases com Efeito de Estufa:</em> Os &uacute;ltimos dados inventariados para Portugal relativos aos principais gases com efeito de estufa (GEE) com origem antropog&eacute;nica, mostram que ao longo do per&iacute;odo 1990-2006 a emiss&atilde;o destes gases tem vindo a crescer, situando-se, em 2006, 39% acima do valor de 1990, e afastando-se aproximadamente 12% da meta estabelecida para 2008-2012 no &acirc;mbito do acordo de partilha de responsabilidades da UE para o cumprimento do Protocolo de Quioto, assumida pela ENDS2015. Comparando com os restantes pa&iacute;ses da UE-27, em 2006 Portugal foi um dos pa&iacute;ses que aumentou as emiss&otilde;es de GEE, relativamente a 1990.</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Energia El&eacute;ctrica:</em> No final de Setembro de 2008 Portugal tinha 8.031 MW de capacidade instalada para produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;ctrica a partir de fontes de energia renov&aacute;veis (FER). De acordo com os dados do relat&oacute;rio da Direc&ccedil;&atilde;o-Geral de Energia e Geologia (DGEG) &ldquo;Renov&aacute;veis - Estat&iacute;sticas R&aacute;pidas&rdquo; (Setembro 2008), a incorpora&ccedil;&atilde;o de FER no consumo bruto de energia el&eacute;ctrica foi de 42% em 2007, contra pouco mais de 30% em 2006.</li>
</ul>
<ul>
<li><em>&Iacute;ndice da Qualidade do Ar</em>: &Agrave; semelhan&ccedil;a do verificado em anos anteriores, e com base na an&aacute;lise realizada aos &iacute;ndices di&aacute;rios relativos ao ano 2007, constata-se que a classe predominante do IQAr foi &ldquo;Bom&rdquo;. Em compara&ccedil;&atilde;o com 2006, o n&uacute;mero de dias em que a qualidade do ar se encontrou &ldquo;Muito Boa&rdquo; ou &ldquo;Boa&rdquo; aumentou, tal como aumentaram os dias em que a classifica&ccedil;&atilde;o foi &ldquo;M&eacute;dia&rdquo;, sendo de salientar que o n&uacute;mero de dias classificados como &ldquo;Fracos&rdquo; ou &ldquo;Maus&rdquo; diminuiu.</li>
</ul>
<ul>
<li><em>&Aacute;gua Para Consumo:</em> A meta definida pelo PEAASAR2000-2006 (Plano Estrat&eacute;gico de Abastecimento de &Aacute;gua e de Saneamento de &Aacute;guas Residuais 2000-2006) era de uma cobertura de 95% da popula&ccedil;&atilde;o servida com &aacute;gua pot&aacute;vel no domic&iacute;lio. Analisando os dados obtidos, verifica-se que, para o Continente, a taxa de atendimento da popula&ccedil;&atilde;o com abastecimento em 2006 se encontrava 4% abaixo do referido valor, valor semelhante ao do ano 2005.&nbsp;</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><strong>Indicadores Sociais</strong></p>
<ul>
<li><em>Sa&uacute;de:</em> Continua a verificar-se um crescimento das despesas totais, de 8,8% do PIB em 2000, para 10,2% em 2006, o que coloca Portugal acima da m&eacute;dia europeia, muito por refor&ccedil;o da despesa p&uacute;blica que constituiu, em 2006, 61% da despesa nacional total com sa&uacute;de.</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Protec&ccedil;&atilde;o Social:</em> A despesa nacional com protec&ccedil;&atilde;o social<strong> </strong>tem registado um aumento gradual de 21,7% em 2000, para 24,7% em 2004, crescimento esse superior ao da UE (26,6% em 2000 e 27,3% em 2004), sendo j&aacute; vis&iacute;veis alguns sinais de retrocesso nos n&iacute;veis de pobreza da popula&ccedil;&atilde;o infanto-juvenil (de 25% em 2004, para 21% em 2006) e da popula&ccedil;&atilde;o idosa (de 29% em 2004, para 26% em 2006).</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Investiga&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento:</em> Em 2007, a despesa nacional em I&amp;D atingiu o valor in&eacute;dito de 1,2% do PIB, sendo que o or&ccedil;amento p&uacute;blico para I&amp;D de 2008 ultrapassou pela primeira vez 1% do PIB.</li>
</ul>
<ul style="text-align: justify;">
</ul>
<p style="text-align: justify;">Em resumo: Como cidad&atilde;os enfrentamos, pela primeira vez, um desafio que n&atilde;o &eacute; apenas nosso, mas que diz respeito, sobretudo, a quem nos ir&aacute; suceder. Se fomos exigentes ao ponto de pedir para n&oacute;s uma vida melhor do que a dos nossos pais, justo ser&aacute; que assumamos a responsabilidade de passar esse &ldquo;direito&rdquo; aos nossos filhos e netos. E tudo ter&aacute; de come&ccedil;ar por um princ&iacute;pio: o assumir de que o tema &eacute; premente, de que devemos dedicar-lhe mais aten&ccedil;&atilde;o e esfor&ccedil;o, exigindo de n&oacute;s pr&oacute;prios, no nosso papel de consumidores, uma atitude mais proactiva, favorecendo as empresas e os governos que se mostrem socialmente respons&aacute;veis e rejeitando aqueles que teimam em persistir no &ldquo;business as usual&rdquo;. Relembro que uma das ideias-chave da nova economia da sustentabilidade &eacute; o papel central que o cidad&atilde;o deve assumir. Com direitos, mas, antes de mais, obriga&ccedil;&otilde;es. Precisamos de uma nova atitude &eacute;tica colectiva, para bem das futuras gera&ccedil;&otilde;es.</p>
<p style="text-align: justify;">Este planeta Terra n&atilde;o &eacute; propriedade de quem hoje o habita. N&oacute;s somos apenas inquilinos e temos a obriga&ccedil;&atilde;o de preserv&aacute;-lo para, em devido tempo, o devolvermos, entregando as chaves ao nosso senhorio, que &eacute; o cidad&atilde;o de amanh&atilde;.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: justify;">Fundamentos Para a Economia Verde Para Portugal</h2>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">A economia &eacute; o resultado agregado das decis&otilde;es tomadas diariamente pelas empresas, indiv&iacute;duos, governos, autarquias, etc., sobre o que far&atilde;o a seguir, aonde ir&atilde;o e o que comprar&atilde;o.&nbsp; Todo este formid&aacute;vel conjunto de ac&ccedil;&otilde;es pode ser influenciado pelas medidas regulat&oacute;rias dos mercados, pelas pol&iacute;ticas fiscais e pelos incentivos &ndash; positivos ou negativos &ndash; induzidos pela ac&ccedil;&atilde;o dos governos. Ou seja, a pol&iacute;tica p&uacute;blica &eacute; determinante para a economia.</p>
<p style="text-align: justify;">Do lado das empresas, as decis&otilde;es que mais impactar&atilde;o na vida das pessoas ser&atilde;o aquelas tomadas no sentido da cria&ccedil;&atilde;o de novos produtos e servi&ccedil;os, sustent&aacute;veis e de baixo custo, que permitir&atilde;o um novo leque de escolhas, mais apropriado aos desafios futuros do crescimento populacional, da altera&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, da manuten&ccedil;&atilde;o da biodiversidade, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">A ideia de que as empresas devem contribuir para o bem estar comunit&aacute;rio, para al&eacute;m do que lhes &eacute; imposto pela Lei, faz parte da cultura europeia, particularmente no contexto anglo-sax&oacute;nico. Na Europa Ocidental, o desenvolvimento do Estado Social durante a segunda metade do s&eacute;culo XX enfatiza o papel do Estado como primeiro provedor do bem estar, enquanto que das empresas se espera que cumpram as suas obriga&ccedil;&otilde;es para com a sociedade, obedecendo &agrave;s Leis, pagando impostos e criando emprego.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, em recentes d&eacute;cadas, factores econ&oacute;micos e s&oacute;cio-pol&iacute;ticos levaram a uma redefini&ccedil;&atilde;o parcial das fronteiras entre p&uacute;blico e privado, bem como dos respectivos pap&eacute;is perante a sociedade. Neste contexto, presta-se cada vez mais aten&ccedil;&atilde;o ao engajamento volunt&aacute;rio das empresas nas estrat&eacute;gias de RSE nos campos econ&oacute;mico, social e ambiental.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Europa, bem como noutras partes do mundo, a RSE tem sido liderada pelas grandes empresas. Contudo, 99% do universo das empresas europeias &eacute; composto por PMEs e cerca de dois ter&ccedil;os dos empregos no sector privado est&atilde;o nas PMEs. Os valores deste tipo de empresa est&atilde;o enraizados aos valores dos seus fundadores, bem como &agrave;s necessidades das suas comunidades locais, mas hoje maior aten&ccedil;&atilde;o est&aacute; a ser dada &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o da RSE, nas PMEs europeias.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O crescente interesse pelas oportunidades de neg&oacute;cio que o problema da sustentabilidade configura em conjun&ccedil;&atilde;o com novas abordagens &agrave; RSE e com a crescente demanda por parte dos <em>stakeholders</em> do prestar contas e das pr&aacute;ticas respons&aacute;veis dentro e fora da Europa, levam ao prosseguimento da agenda da RSE.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais recentemente e como resultado da crise financeira e econ&oacute;mica, o n&iacute;vel da confian&ccedil;a p&uacute;blica nas empresas caiu significativamente em muitos pa&iacute;ses europeus. Neste novo contexto, pode dizer-se que &eacute; urgente reconstruir essa confian&ccedil;a e moldar um futuro baseado numa nova economia, mais respons&aacute;vel e sustentada, quer na Europa, quer no resto do mundo.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, dada a actual conjuntura financeira e econ&oacute;mica em muitas partes do mundo e, em especial, nos pa&iacute;ses do Sul da Europa &ndash; caso de Portugal &ndash; as pessoas questionam-se de onde vir&aacute; o dinheiro necess&aacute;rio &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o desta nova &ldquo;economia da sustentabilidade&rdquo;, quando existem problemas bem mais imediatos e de dif&iacute;cil resolu&ccedil;&atilde;o, como &eacute; o caso das d&iacute;vidas soberanas. Ser&aacute; este o nosso dilema?</p>
<p style="text-align: justify;">No caso portugu&ecirc;s, o dilema ser&aacute; pura ilus&atilde;o se pensarmos em quanto nos custa fazer o que nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas temos feito. E o que &eacute; que eu pretendo dizer com isto? Vejamos se consigo transmitir esta ideia, atrav&eacute;s de um exemplo de todos n&oacute;s conhecido:</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos items que mais pesa no nosso &ldquo;consumo di&aacute;rio&rdquo; &eacute; a importa&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis f&oacute;sseis &ndash; petr&oacute;leo, carv&atilde;o e g&aacute;s natural &ndash; uma vez que n&atilde;o temos produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria. Com efeito, a depend&ecirc;ncia energ&eacute;tica de Portugal &eacute; de cerca de 85% do consumo total.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com um estudo realizado por Nuno Souza e Silva para o Instituto S&aacute; Carneiro, em Janeiro de 2010, a importa&ccedil;&atilde;o de energia pesa 15% na Balan&ccedil;a Comercial e o peso da importa&ccedil;&atilde;o de energia no PIB &eacute; de 4%, tendo duplicado de 2000 a 2010. A desagrega&ccedil;&atilde;o dos consumos finais da energia em Portugal por sectores caracteriza-se por ser cerca de 36% nos transportes, cerca de 34% na ind&uacute;stria, sendo o restante ter&ccedil;o nos edif&iacute;cios (16%), servi&ccedil;os (11%) e agricultura.</p>
<p style="text-align: justify;">O estudo conclui que:&nbsp;</p>
<ul>
<li>Quanto ao consumo de energia, no &uacute;ltimo quinqu&eacute;nio, Portugal tem vindo a desacelerar o consumo de energia.</li>
</ul>
<ul>
<li>Contudo, este consumo tem crescido quase sempre acima do PIB, ao contr&aacute;rio do que acontece na UE27.</li>
</ul>
<ul>
<li>Portugal aumentou assim o desvio face &agrave; m&eacute;dia da intensidade energ&eacute;tica da Uni&atilde;o Europeia o que fez com que Portugal piorasse a sua posi&ccedil;&atilde;o em termos de intensidade energ&eacute;tica no contexto da UE.</li>
</ul>
<ul>
<li>Os sectores dos Transportes e Servi&ccedil;os foram os que mais contribu&iacute;ram para o aumento do desvio da m&eacute;dia europeia. Enquanto a Ind&uacute;stria foi o &uacute;nico sector que contribuiu para a sua redu&ccedil;&atilde;o.</li>
</ul>
<ul>
<li>O sector dos Servi&ccedil;os tem vindo a utilizar a energia de forma cada vez menos eficiente do que o resto da Europa. Enquanto a Ind&uacute;stria n&atilde;o tem vindo a convergir com a m&eacute;dia europeia.</li>
</ul>
<ul>
<li>&Eacute; expect&aacute;vel que o consumo final de energia mantenha o ritmo de crescimento dos &uacute;ltimos cinco anos caso n&atilde;o sejam implementadas medidas de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica.&nbsp;</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Dois pontos importantes a reter deste quadro: Portugal &eacute; o pa&iacute;s com maior intensidade energ&eacute;tica na Uni&atilde;o Europeia dos Quinze, ou seja, &eacute; o pa&iacute;s que incorpora maior consumo de energia final para produzir uma unidade de produto interno. Segundo: &eacute; necess&aacute;rio implementar medidas de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica. O objectivo &eacute; por demais evidente: reduzir a conta nas importa&ccedil;&otilde;es e aumentar a competitividade dos bens transaccion&aacute;veis - o grosso das nossas exporta&ccedil;&otilde;es &ndash; pela redu&ccedil;&atilde;o de um dos factores de custo de produ&ccedil;&atilde;o mais importantes, o uso da energia. Falo, assim, da necessidade de implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas que promovam o desenvolvimento sustent&aacute;vel do pa&iacute;s.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Nuno Souza e Silva refere, e bem, que h&aacute; tr&ecirc;s &aacute;reas ou estrat&eacute;gias de actua&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento sustent&aacute;vel a n&iacute;vel energ&eacute;tico:</p>
<p style="text-align: justify;">&bull; Melhoria da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica.</p>
<p style="text-align: justify;">&bull; Diversifica&ccedil;&atilde;o pelo recurso &agrave;s energias renov&aacute;veis.</p>
<p style="text-align: justify;">&bull; Fixa&ccedil;&atilde;o de CO2</p>
<p style="text-align: justify;">A que &eacute; mais conhecida dos portugueses &eacute; a &ldquo;aposta&rdquo; dos &uacute;ltimos governos na diversifica&ccedil;&atilde;o de fontes energ&eacute;ticas: a energia e&oacute;lica ou energia dos ventos, a fotovoltaica ou solar, as barragens ou energia h&iacute;drica e as experi&ecirc;ncias na energia das mar&eacute;s. &Eacute; uma aposta com custos e, se bem feita, requer grandes aportes de capital para investiga&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento. Aqui estamos claramente num dilema, pois Portugal est&aacute; longe de ser uma Am&eacute;rica, Alemanha ou Jap&atilde;o. Para suprir esta desvantagem, os &ldquo;meios alternativos&rdquo; utilizados passaram pelos impostos sobre os carburantes, pelas Parcerias Publico Privadas, pelo recurso a apoios financeiros da UE e, naturalmente, pela factura do consumidor, qualquer coisa que rondar&aacute; os 40% do valor final do consumo.&nbsp; N&atilde;o me parece que seja deste modo apenas, que se resolve o problema energ&eacute;tico. A melhoria da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica tem de ser prioridade de todos. E aqui uma pol&iacute;tica nacional de RSE, concertada entre governo e parceiros sociais &ndash; empresas, sindicatos, universidades, ordens profissionais, etc. - &eacute; essencial para o sucesso.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">H&aacute; que actuar nos transportes que representam mais de 40% do consumo de petr&oacute;leo e seus derivados em Portugal, por via de subs&iacute;dios e incentivos a frotas mais eficientes, pelo incremento do uso dos transportes p&uacute;blicos, pelo imposto sobre os combust&iacute;veis, por taxas de utiliza&ccedil;&atilde;o de autoestradas, etc. Pol&iacute;ticas governamentais aplicadas a n&iacute;vel nacional. Mas e as empresas, as autarquias, a forma de organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade portuguesa, em nada podem contribuir?&nbsp; Basta entender o que &eacute; uma an&aacute;lise da cadeia de valor, ou a cria&ccedil;&atilde;o de valor partilhado, ou a coopera&ccedil;&atilde;o entre empresas, ou a inova&ccedil;&atilde;o &ndash; os ve&iacute;culos el&eacute;ctricos - para se perceber o enorme potencial desaproveitado; basta perceber o enorme desperd&iacute;cio de combust&iacute;vel nas cidades principais &ndash; Lisboa e Porto &ndash; com obras feitas durante as horas de expediente, basta ver a total descoordena&ccedil;&atilde;o entre a interven&ccedil;&atilde;o das &ldquo;utilities&rdquo; nessas obras, os in&uacute;meros licenciamentos, os pequenos acidentes rodovi&aacute;rios, di&aacute;rios, que por falta de civismo dos participantes geram custos n&atilde;o contabilizados, basta ver as enormes &ldquo;frotas administrativas&rdquo; das empresas mais ricas &ndash; privadas e p&uacute;blicas -, cuja &uacute;nica utilidade &eacute; proporcionar benef&iacute;cios isentos de impostos aos seus quadros, etc. Tudo isto faz parte do mesmo problema. O que &eacute; que justifica um combate desordenado e, por vezes, pontual ou at&eacute; cosm&eacute;tico?&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Na quest&atilde;o dos servi&ccedil;os, no conforto e nos edif&iacute;cios, h&aacute; solu&ccedil;&otilde;es variadas a implementar: instala&ccedil;&atilde;o de sistemas mais eficientes de ilumina&ccedil;&atilde;o (LEDs e l&acirc;mpadas fluorescentes), de aquecimento e de arrefecimento, financiamento<strong> </strong>para ac&ccedil;&otilde;es de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, reabilita&ccedil;&atilde;o urbana, auditorias e ac&ccedil;&otilde;es de diagn&oacute;stico, cria&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es empresariais mais exigentes para efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, o pr&oacute;prio <em>reporting</em> ambiental, a implementa&ccedil;&atilde;o de sistemas de medi&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ados, as redes inteligentes, a pol&iacute;tica das compras p&uacute;blicas, etc.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Quais s&atilde;o os reais impedimentos &agrave; mudan&ccedil;a de atitudes, comportamentos e estrat&eacute;gias para um desiderato comum e de cr&iacute;tica import&acirc;ncia para o desenvolvimento sustentado do pa&iacute;s? Aponto alguns:</p>
<ul>
<li>Insufici&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas e legisla&ccedil;&atilde;o sobre RSE.</li>
</ul>
<ul>
<li>Diminuto conhecimento p&uacute;blico da RSE.</li>
</ul>
<ul>
<li>Fraco envolvimento da comunica&ccedil;&atilde;o social.</li>
</ul>
<ul>
<li>Pol&iacute;ticas de compras p&uacute;blicas erradas.</li>
</ul>
<ul>
<li>Inadequa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de subs&iacute;dios e incentivos.</li>
</ul>
<ul>
<li>Gest&atilde;o empresarial desconhecedora da RSE.</li>
</ul>
<ul>
<li>Pouca ades&atilde;o a estandards e padr&otilde;es.</li>
</ul>
<ul>
<li>Falta de reporting corporativo.</li>
</ul>
<ul>
<li>Etc.</li>
</ul>
<ul style="text-align: justify;">
</ul>
<p style="text-align: justify;">A posi&ccedil;&atilde;o que defendo &eacute; clara: a futura &ldquo;economia verde&rdquo;, para lhe dar um nome, oferece uma enorme janela de oportunidade para o investimento produtivo e sustent&aacute;vel. &Eacute; uma poss&iacute;vel sa&iacute;da para o problema da falta de crescimento da economia portuguesa e &eacute; por isso que a considero objectivo priorit&aacute;rio para uma nova pol&iacute;tica governamental de desenvolvimento sustent&aacute;vel.&nbsp; Mas essa pol&iacute;tica tem de envolver os diversos actores da economia, porque precisamos de novos produtos e servi&ccedil;os, de gente mais qualificada nestas &aacute;reas, de investiga&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento, de coopera&ccedil;&atilde;o entre todos, se queremos atingir uma nova competitividade corporativa nacional.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: justify;">Proposta de Um Plano Para a Economia Verde Portuguesa</h2>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Como refere o actual Secret&aacute;rio-Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Ban Ki-moon:&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Os que esperam sentados e os c&eacute;pticos n&atilde;o entendem que a altera&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica muda, no essencial, a folha de balan&ccedil;o do s&eacute;culo XXI... investir hoje em solu&ccedil;&otilde;es verdes &eacute; mais barato &ndash; e mais rent&aacute;vel &ndash; do que faz&ecirc;-lo mais tarde, com maior custo, na tentativa desesperada de alcan&ccedil;ar os l&iacute;deres da corrida global pela competitividade.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">A forma como cada na&ccedil;&atilde;o abordar o desafio de um mundo constrangido pela escassez dos recursos determinar&aacute; o seu sucesso competitivo, numa nova economia. O que todos pretendem alcan&ccedil;ar &eacute; maior bem estar social para os seus cidad&atilde;os, a moderniza&ccedil;&atilde;o dos seus sectores tradicionais e o fortalecimento de novos sectores de crescimento, actuando em tr&ecirc;s vectores-chave:&nbsp;</p>
<ul>
<li>Constru&ccedil;&atilde;o de uma economia verde capaz de competir a n&iacute;vel global.</li>
</ul>
<ul>
<li>Estimular o crescimento das exporta&ccedil;&otilde;es.</li>
</ul>
<ul>
<li>Atrair investimento externo, quer sob a forma de atrac&ccedil;&atilde;o de fundos de investimento, quer sob a forma de implanta&ccedil;&atilde;o local de empresas sediadas no exterior. &nbsp;</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Naturalmente que isto &eacute; tamb&eacute;m um poderoso est&iacute;mulo &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de emprego. &Eacute; esta a mensagem que n&atilde;o se restringe apenas no resolver problemas de d&eacute;fices or&ccedil;amentais ou de d&iacute;vidas soberanas. Como actuar, com base na moldura da Responsabilidade Social?&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">A meu ver, deve-se come&ccedil;ar pelo lado da procura, mesmo num mercado de dimens&atilde;o pequena, como Portugal (a Dinamarca tem sensivelmente metade do territ&oacute;rio e da popula&ccedil;&atilde;o de Portugal e nem por isso deixa de estar na vanguarda mundial da RSE). E a cria&ccedil;&atilde;o da procura por novos produtos e servi&ccedil;os, sustent&aacute;veis e de baixo custo, pode come&ccedil;ar por um papel mais activo do Estado, Governos Regionais e Autarquias, atrav&eacute;s de, por exemplo:</p>
<ul>
<li>Adop&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas correctas de compras p&uacute;blicas, por forma a que fique salvaguardado que as entidades estatais, regionais ou aut&aacute;rquicas com fun&ccedil;&otilde;es de compras tenham acesso &agrave;s directrizes incorporadas na responsabilidade social e as fa&ccedil;am cumprir aos seus fornecedores.</li>
</ul>
<ul>
<li>Cria&ccedil;&atilde;o de um plano nacional para a mobiliza&ccedil;&atilde;o industrial e territorial para o desenvolvimento de empregos e compet&ecirc;ncias numa economia verde, &agrave; semelhan&ccedil;a do que fez a Fran&ccedil;a, a partir de 2009, atrav&eacute;s do seu Minist&eacute;rio da Ecologia. De acordo com as estat&iacute;sticas francesas, havia cerca de 400.000 empregos na economia verde em finais de 2008; a taxa de crescimento anual destes empregos &eacute; de 4,8%, ao passo que a taxa geral &eacute; de 1%.</li>
</ul>
<ul>
<li>Desenvolvimento de uma pol&iacute;tica de &ldquo;Crescimento Local&rdquo;, &agrave; semelhan&ccedil;a da recente proposta (Outubro/2010) do Governo Ingl&ecirc;s de &ldquo;Local Growth&rdquo; e &ldquo;Local Enterprise Partnerships&rdquo; (LEPs), fornecendo &agrave;s &aacute;reas locais &ndash; autarquias, comunidades e empresas &ndash; as ferramentas certas, incentivos, liberdade e responsabilidade para fazerem as suas pr&oacute;prias escolhas, reconhecendo-se o facto de que diversas &aacute;reas t&ecirc;m caracter&iacute;sticas geogr&aacute;ficas, hist&oacute;ricas, ambientais e econ&oacute;micas que ajudam a determinar as perspectivas de crescimento na &aacute;rea da sustentabilidade e os meios mais correctos de parcerias entre sector empresarial e comunidades.</li>
</ul>
<ul>
<li>Divulgar a Responsabilidade Social, atrav&eacute;s de, por exemplo, as seguintes iniciativas:</li>
</ul>
<p style="padding-left: 60px;">&nbsp;Encorajar empresas e investidores para abra&ccedil;arem, continuarem e, se poss&iacute;vel, aumentarem o seu empenho na &aacute;rea da RSE.&nbsp;</p>
<ul style="padding-left: 60px;">
</ul>
<p style="padding-left: 60px;">Tornar obrigat&oacute;rio, para as grandes empresas, a apresenta&ccedil;&atilde;o de relat&oacute;rios de sustentabilidade, juntamente com a entrega das suas contas anuais.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Tornar mandat&oacute;rio para investidores institucionais a apresenta&ccedil;&atilde;o de relat&oacute;rios de Gest&atilde;o sobre a RSE, nos seus <em>reports </em>anuais.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Criar o <strong>&ldquo;Conselho de Responsabilidade Social&rdquo;</strong> com o encargo de apresentar recomenda&ccedil;&otilde;es ao Governo, &agrave;s empresas e &agrave;s associa&ccedil;&otilde;es corporativas e sectoriais.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Criar um novo portal comunicacional sobre o tema da RSE.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Organizar campanhas ligadas &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da RSE.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Intensificar o aconselhamento regional &agrave;s PMEs sobre a RSE.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Criar redes de conhecimento entre organiza&ccedil;&otilde;es, investigadores e consultores sobre RSE e Gest&atilde;o.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Trabalhar no sentido da cria&ccedil;&atilde;o de um mercado transparente que promova o papel fiscalizador do consumidor na RSE. Nesse sentido, o Governo dever&aacute; promover um estudo que avalie o papel do consumidor na RSE.</p>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>
<ul>
<li>Promover a Responsabilidade Social atrav&eacute;s das actividades governamentais, nomeadamente:</li>
</ul>
<p style="padding-left: 60px;">Assegurar que, no futuro, os contratos de parcerias do Estado sejam feitos na estrita observ&acirc;ncia das boas pr&aacute;ticas da RSE, articuladamente com as conven&ccedil;&otilde;es que deram origem ao <em>UN Global Compact</em>.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Assegurar que as entidades estatais com fun&ccedil;&otilde;es de compras tenham acesso &agrave;s directrizes incorporadas na responsabilidade social.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Estabelecer o di&aacute;logo estado-regi&otilde;es-autoridades locais por forma a disseminar a experi&ecirc;ncia da incorpora&ccedil;&atilde;o da RSE nas suas &aacute;reas de actua&ccedil;&atilde;o.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Tornar obrigat&oacute;rio que todas as empresas p&uacute;blicas apresentem relat&oacute;rios anuais de sustentabilidade.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Assegurar que as principais empresas p&uacute;blicas acedam ao <em>UN Global Compact</em>.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Pugnar pela inclus&atilde;o da responsabilidade social no sector laboral.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Assegurar que os sistemas de desenvolvimento da ind&uacute;stria e do com&eacute;rcio contribuam para a propaga&ccedil;&atilde;o da RSE.</p>
<ul>
<li>Promover a participa&ccedil;&atilde;o activa das empresas portuguesas na resolu&ccedil;&atilde;o do problema da altera&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica.</li>
</ul>
<p style="padding-left: 60px;">Encorajar as empresas a inclu&iacute;rem &aacute;reas sobre responsabilidade clim&aacute;tica nos seus relat&oacute;rios anuais de sustentabilidade.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Em conjuga&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os com as Associa&ccedil;&otilde;es Empresariais, desenvolver o &ldquo;Climate Compass&rdquo;&nbsp;&ndash; uma ferramenta inform&aacute;tica sobre o clima que ajude as empresas a prestarem contas e explicarem estrat&eacute;gias relativamente &agrave; quest&atilde;o climat&eacute;rica.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Iniciar 4 parcerias sobre responsabilidade climat&eacute;rica, com rela&ccedil;&atilde;o aos investidores, ao sector retalhista, ao sector da constru&ccedil;&atilde;o civil e ao do mar.</p>
<ul>
<li>Criar uma estrat&eacute;gia comunicacional para fazer o marketing/branding do crescimento respons&aacute;vel de Portugal, a n&iacute;vel global.</li>
</ul>
<p style="padding-left: 60px;">Promover as ferramentas e compet&ecirc;ncias de Portugal na &aacute;rea da RSE.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Tornar Portugal e as suas empresas reconhecidas a n&iacute;vel global pelo crescimento respons&aacute;vel e sustentado.</p>
<p style="padding-left: 60px;">Promover o &ldquo;Portugal Verde&rdquo; &ndash; apenas um exemplo &ndash; em substitui&ccedil;&atilde;o do &ldquo;made in Portugal&rdquo;&nbsp;</p>
<p>Em conclus&atilde;o:</p>
<p style="text-align: justify;">A competitividade numa economia sustent&aacute;vel dever&aacute; ser um item priorit&aacute;rio para todos os departamentos da esfera do poder p&uacute;blico.&nbsp; As pol&iacute;ticas fiscais, de regula&ccedil;&atilde;o, da educa&ccedil;&atilde;o, das compet&ecirc;ncias e do emprego dever&atilde;o constituir um est&iacute;mulo para a &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o verde&rdquo; e n&atilde;o serem barreiras &agrave; sua implementa&ccedil;&atilde;o. Se tal acontecer, &eacute; meu convencimento de que o sector privado e a sociedade, no seu todo, recompensar&atilde;o essas pol&iacute;ticas de forma consistente, pelo aumento do investimento, pela r&aacute;pida transi&ccedil;&atilde;o para uma economia de baixo consumo de carbono e para uma utiliza&ccedil;&atilde;o mais eficiente dos recursos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Autor:Lu&iacute;s Antunes, &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Abril/2011</em></p>]]></content></entry><entry><title>E você, o que pensa? .... MEDITE !!</title><id>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/9/12/e-voce-o-que-pensa-medite.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/9/12/e-voce-o-que-pensa-medite.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2007-09-12T09:59:00Z</published><updated>2007-09-12T09:59:00Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 150px; height: 173px" alt="EPC.bmp" src="http://www.pateira.net/storage/EPC.bmp?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1189098702852" /></span>A cren&ccedil;a geral anterior era de que Santana&nbsp;&nbsp;Lopes n&atilde;o servia, bem como Cavaco, Dur&atilde;o e Guterres. Agora dizemos que Sócrates n&atilde;o serve.&nbsp;&nbsp; E o que vier depois de Sócrates tamb&eacute;m n&atilde;o servirá&nbsp;&nbsp;para nada. Por isso come&ccedil;o a suspeitar que o problema n&atilde;o está&nbsp;&nbsp;no trapalh&atilde;o que foi&nbsp;Santana Lopes ou na farsa que &eacute; o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como&nbsp;&nbsp;mat&eacute;ria-prima de um país. Porque perten&ccedil;o a um país onde a ESPERTEZA &eacute; a moeda&nbsp;&nbsp;sempre valorizada, tanto ou mais o que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia &eacute; uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em&nbsp;&nbsp;valores e respeito aos demais. <br /><br />Perten&ccedil;o a um país onde, lamentavelmente,&nbsp;&nbsp;os jornais jamais poder&atilde;o ser vendidos como em outros países, isto &eacute;, pondo umas&nbsp;&nbsp;caixas nos passeios onde se paga por um só jornal. E SE TIRA UM SÓ JORNAL,&nbsp;&nbsp;DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE EST&Atilde;O. <br /><br />Perten&ccedil;o ao país onde as EMPRESAS&nbsp;&nbsp;PRIVADAS s&atilde;o fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que&nbsp;&nbsp;levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips&nbsp;&nbsp;e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para&nbsp;&nbsp;eles mesmos. <br /><br />Perten&ccedil;o a um país onde as pessoas se sentem espertas porque&nbsp;&nbsp;conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a&nbsp;&nbsp;declara&ccedil;&atilde;o de IRS para n&atilde;o pagar&nbsp;&nbsp;ou pagar menos impostos.<br /><br />Perten&ccedil;o a um país onde a falta de pontualidade &eacute;&nbsp;&nbsp;um hábito. Onde os directores das empresas n&atilde;o valorizam o capital humano. Onde&nbsp;&nbsp;há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo&nbsp;&nbsp;nas ruas e&nbsp;&nbsp;depois reclamam do governo por n&atilde;o limpar os esgotos. <br /><br />Onde pessoas se&nbsp;&nbsp;queixam que a luz e a água s&atilde;o servi&ccedil;os caros.<br /><br />Onde n&atilde;o existe a cultura pela leitura (onde os&nbsp;&nbsp;nossos jovens dizem que &quot;&eacute; muito chato ter que ler&quot;) e n&atilde;o há consci&ecirc;ncia&nbsp;&nbsp;nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos&nbsp;&nbsp;trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para&nbsp;&nbsp;ca&ccedil;ar os pobres, arreliar a classe m&eacute;dia e beneficiar a alguns. <br /><br />Perten&ccedil;o&nbsp;&nbsp;a um país onde as cartas de condu&ccedil;&atilde;o e as declara&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas podem ser&nbsp;&nbsp;&quot;compradas&quot;, sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade&nbsp;&nbsp;avan&ccedil;ada, ou uma mulher com uma crian&ccedil;a nos bra&ccedil;os, ou um inválido, fica em p&eacute;&nbsp;&nbsp;no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para n&atilde;o&nbsp;&nbsp;dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem &eacute; para o&nbsp;&nbsp;carro e n&atilde;o para o pe&atilde;o. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos&nbsp;&nbsp;sempre a criticar os nossos governantes. <br /><br />Quanto mais analiso os defeitos&nbsp;&nbsp;de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda&nbsp;&nbsp;ontem corrompi um guarda de tr&acirc;nsito para n&atilde;o ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco &eacute; culpado,&nbsp;&nbsp;melhor sou eu como portugu&ecirc;s, apesar de que ainda hoje pela manh&atilde; explorei um&nbsp;&nbsp;cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas&nbsp;&nbsp;dívidas. <br /><br />N&atilde;o. N&atilde;o. N&atilde;o. Já basta. <br /><br />Como &quot;mat&eacute;ria-prima&quot; de um país, temos muitas&nbsp;&nbsp;coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país&nbsp;&nbsp;precisa. <br /><br />Esses defeitos, essa &quot;CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA&quot; cong&eacute;nita,&nbsp;&nbsp;essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui at&eacute; converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana,&nbsp;&nbsp;mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, &eacute; que &eacute; real e honestamente&nbsp;&nbsp;ruim, porque todos eles s&atilde;o portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS.&nbsp; Nascidos&nbsp;&nbsp;aqui, n&atilde;o em outra parte ...<br /><br />Fico triste. Porque, ainda que Sócrates&nbsp;&nbsp;fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando&nbsp;&nbsp;com a mesma mat&eacute;ria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E n&atilde;o&nbsp;&nbsp;poderá fazer nada ... <br /><br />N&atilde;o tenho nenhuma garantia de que algu&eacute;m possa&nbsp;&nbsp;fazer melhor, mas enquanto algu&eacute;m n&atilde;o sinalizar um caminho destinado a erradicar&nbsp;&nbsp;primeiro os vícios que temos como povo, ningu&eacute;m servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, n&atilde;o serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que&nbsp;vier. <br /><br />Qual &eacute; a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos fa&ccedil;a&nbsp;&nbsp;cumprir a lei com a for&ccedil;a e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E&nbsp;&nbsp;enquanto essa &quot;outra coisa&quot; n&atilde;o comece a surgir de baixo para cima, ou de cima&nbsp;&nbsp;para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente&nbsp;&nbsp;condenados, igualmente estancados ... igualmente abusados! <br /><br />É muito bom ser portugu&ecirc;s. Mas quando essa&nbsp;&nbsp;Portugalidade autóctone come&ccedil;a a ser um empecilho &agrave;s nossas possibilidades de&nbsp;&nbsp;desenvolvimento como Na&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o tudo muda ...<br /><br />N&atilde;o esperemos acender uma vela a todos os santos, a&nbsp;&nbsp;ver se nos mandam um Messias. <br /><br />Nós temos que mudar. Um novo governante com os&nbsp;&nbsp;mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro ... Somos nós que temos&nbsp;&nbsp;que mudar.<br /><br />Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que&nbsp;&nbsp;anda a nos acontecer: <br /><br />Desculpamos a mediocridade de programas de&nbsp;&nbsp;televis&atilde;o nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da&nbsp;&nbsp;estupidez.<br /><br />Agora, depois desta mensagem, francamente decidi&nbsp;&nbsp;procurar o responsável, n&atilde;o para castigá-lo, sen&atilde;o para exigir-lhe (sim,&nbsp;&nbsp;exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que n&atilde;o se fa&ccedil;a de mouco, de&nbsp;&nbsp;desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O&nbsp;&nbsp;ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. N&Atilde;O PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO&nbsp;&nbsp;LADO. </p><p style="text-align: justify" align="justify">E voc&ecirc;, o que pensa? ....&nbsp;&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify"><em><strong>Eduardo Prado Coelho</strong> (1944 - 2007) foi escritor, ensaísta&nbsp;e professor universitário portugu&ecirc;s</em></p>]]></content></entry><entry><title>Ser Português será uma arte?</title><id>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/3/21/ser-portugus-ser-uma-arte.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/3/21/ser-portugus-ser-uma-arte.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2007-03-21T16:00:00Z</published><updated>2007-03-21T16:00:00Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 136px; height: 208px" alt="Torre_Belem 3.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/Torre_Belem%203.jpg" /></span>Escrevia Teixeira de Pascoaes, em 1915, que ser portugu&ecirc;s era uma arte de alcance nacional, que devia ser cultivada desde a inf&acirc;ncia. E vá de enumerar uma s&eacute;rie de qualidades que seriam intrinsecamente &ldquo;nossas&rdquo;. Da Ra&ccedil;a, como ele diz. A refer&ecirc;ncia &agrave; nossa incapacidade para a filosofia, a única que n&atilde;o &eacute; encomiástica, &eacute; particularmente interessante: <em>o g&eacute;nio lusíada &eacute; mais emotivo do que intelectual. Afirma e n&atilde;o discute. Quando uma ideia se comove, despreza a dial&eacute;ctica; e &eacute; sendo e n&atilde;o raciocinando que ela prova a sua verdade (&hellip;). O portugu&ecirc;s n&atilde;o quer interpretar o mundo nem a vida, contenta-se em viv&ecirc;-la exteriormente; e tem, por iso, um verdadeiro horror &agrave; Filosofia, imaginando encontrá-la em tudo o que n&atilde;o entende.</em> </p><p style="text-align: justify" align="justify">Sábias palavras, ainda bem reconhecíveis nos idos de sessenta, na experi&ecirc;ncia do ensino liceal, que foi a minha. E agora, será diferente? Em que ponto estamos? </p><p style="text-align: justify" align="justify">Agora, poderíamos aggiornare o texto de Pascoaes e constatar a nossa fraca capacidade de <em>transforma&ccedil;&atilde;o</em>. As suas manifesta&ccedil;&otilde;es sensíveis s&atilde;o as que o meu ilustre colega António Carrapatoso refere no seu artigo, e que vale a pena repetir: opini&atilde;o pública pouco esclarecida, cultura de oposi&ccedil;&atilde;o permanente &agrave; mudan&ccedil;a, ades&atilde;o a tabus e a modelos obsoletos, sociedade civil fraca e pouco interventora, governos frequentemente populistas, que revelam uma incapacidade de ultrapassar os tabus ideológicos e que possuem uma deficiente capacidade de gest&atilde;o, poder desproporcionado de determinadas corpora&ccedil;&otilde;es, e de outros grupos de interesse, tamb&eacute;m económicos, sobre a administra&ccedil;&atilde;o pública e que se apropriaram do Estado em detrimento do interesse de todos, resistindo a altera&ccedil;&otilde;es que coloquem em causa os privil&eacute;gios de que disp&otilde;em. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Muito recentemente, os media divulgaram os resultados do inqu&eacute;rito do European Social Survey: 38,9% dos portugueses diziam &ldquo;n&atilde;o ter nenhum interesse pela política&rdquo;, contra uma m&eacute;dia europeia de 17,9%. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Constata-se, com tristeza, aquilo que todos nós sabemos mas queremos esquecer: ser portugu&ecirc;s &eacute; tamb&eacute;m este desinvestimento naquilo que devia a todos nós dizer respeito, a política. A palavra política tem a ver com a <em>polis</em>, a cidade grega, onde pela primeira vez os homens experimentaram a democracia. Muito diferente da nossa, &eacute; bem verdade (era directa, as mulheres, os escravos e os estrangeiros n&atilde;o votavam, entre outros particularismos). Mas que implicava uma no&ccedil;&atilde;o de bem comum que parece que n&atilde;o existe na nossa cultura. </p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o precisávamos do resultado do relatório para sabermos que, em Portugal, as pessoas, quando n&atilde;o abominam a política, s&atilde;o-lhe indiferentes, como se fosse uma coisa que n&atilde;o lhes dissesse respeito. &Agrave;s vezes at&eacute; se lhe referem com desprezo como &ldquo;a porca&rdquo; e outras delicadezas, que s&atilde;o bem significativas do desprezo a que votamos tudo o que diga respeito &agrave; vida pública e &agrave;s quest&otilde;es de cidadania. </p><p style="text-align: justify" align="justify">De onde vem esta apatia, esta avers&atilde;o? Curta experi&ecirc;ncia democrática? S&eacute;culos de governos centralizados? Forte influ&ecirc;ncia do Catolicismo? Quarenta anos de obscurantismo e de fechamento ao exterior? Fraca autonomia dos indivíduos perante o Estado? Ou será mesmo fraca autonomia dos indivíduos em geral?</p><p style="text-align: justify" align="justify">Há tempos escrevi umas linhas sobre o fenómeno do microcr&eacute;dito, que já arrancou milhares de pessoas &agrave; mis&eacute;ria &ndash; noutras paragens. A quest&atilde;o n&atilde;o suscitou qualquer interesse, apesar do pr&eacute;mio Nobel atribuído ao seu inventor, o Prof. Yunus. Eis a olímpica indiferen&ccedil;a dos portugueses pelo mundo que vá para al&eacute;m do quintalinho! Será só culpa do <em>tiraninho</em> &ndash; como lhe chamava Pessoa - de Santa Comba? </p><p style="text-align: justify" align="justify">Ainda a propósito do microcr&eacute;dito, falei com algumas pessoas amigas e conhecidas, que est&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de inactividade ou mesmo de desemprego, e reparei que a reac&ccedil;&atilde;o era de aparente desinteresse ou mesmo de fuga &agrave; quest&atilde;o. Ou seja, nem queriam ouvir falar do assunto. Tive at&eacute; um amigo que me disse que n&atilde;o valia a pena penasr nisso, &ldquo;que era sempre para os mesmos&rdquo;, etc. Tratando-se de pessoa instruída e informada, fiquei a cogitar sobre este cepticismo maligno, muito diferente do cepticismo dos antigos gregos (lá está a tal falta de jeito para a filosofia&hellip;). </p><p style="text-align: justify" align="justify">A dura verdade &eacute; que o sucesso do microcr&eacute;dito, como de muitas outras iniciativas privadas, tem a ver com a criatividade, a capacidade de iniciativa, a constru&ccedil;&atilde;o da autonomia, at&eacute; mesmo com a constru&ccedil;&atilde;o da identidade. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Chego &agrave; conclus&atilde;o de que a possibilidade de construirmos algo de raiz, com o esfor&ccedil;o que isso obriga, &eacute; um assunto desagradável e que nos obriga a confrontar com uma s&eacute;rie de quest&otilde;es penosas. E fico a interrogar-me sobre o aparente &ldquo;conforto&rdquo; de se ser desgra&ccedil;adinho&hellip; O Dr. Sigmund Freud escreveu sobre isso há muito, muito tempo. Chamou-lhe <em>benefício secundário</em>. </p><p style="text-align: justify" align="justify">E toda esta quest&atilde;o nos traz de volta &agrave; democracia. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Tenho para mim que uma das principais características que distingue a democracia dos outros regimes, &eacute; sabermos que teremos direito a tratamento igual perante a justi&ccedil;a, seja qual for a nossa condi&ccedil;&atilde;o social, ou outra. Ora sem uma máquina eficaz na justi&ccedil;a, n&atilde;o há democracia. A justi&ccedil;a &eacute; condi&ccedil;&atilde;o sine qua non para que as outras institui&ccedil;&otilde;es, como a saúde e a educa&ccedil;&atilde;o, e a própria economia, funcionem. Justi&ccedil;a implica responsabiliza&ccedil;&atilde;o. E a justi&ccedil;a funciona mal em Portugal. </p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o certamente por acaso, constata-se diariamente que a desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o prolifera como erva daninha em terreno lavrado. Tanto da parte dos governantes, como dos governados. É uma gangrena que vai alastrando e que nos faz a nós, os chamados cidad&atilde;os, dizer mal dos políticos, e da política. Entre o encolher de ombros agoniado e o piscar de olhos cúmplice, &eacute; o descr&eacute;dito na própria democracia que se instala. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Curiosamente, este desprezo pela política e pelos políticos, parece que pouco tem de novo. Guerra Junqueiro já falava deste fenómeno a propósito dos seus concidad&atilde;os: &ldquo;e se a isto juntarmos um pessimismo canceroso e corrosivo, minando as almas, cristalizado já em formas banais e populares &ndash; <em>t&atilde;o bons s&atilde;o uns como os outros, corja de pantomineiros, cambada de ladr&otilde;es, tudo uma choldra (&hellip;)</em>&rdquo;. </p><p style="text-align: justify" align="justify">É preciso, como diz o Luis Antunes, e muito bem, &ldquo; um Estado forte, n&atilde;o actor de mercado, mas protector e incentivador do empreendedorismo e da s&atilde; concorr&ecirc;ncia. Um Estado simplificado e simplificador de processos. Um Estado assente na defesa dos interesses colectivos, mas potenciador da iniciativa individual&rdquo;. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Para que ser portugu&ecirc;s n&atilde;o seja mais, como escreveu Guerra Junqueiro, pertencer a um &ldquo;povo em catalepsia ambulante, n&atilde;o se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai&rdquo;. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Por último, só mais um reminder: o Estado somos todos nós. Qual monstro de Frankenstein, &eacute; da nossa responsabilidade. Que tal filho n&atilde;o nos devore, &eacute; o que eu desejo. </p><p style="text-align: justify" align="justify"><em>Clara Pracana, psicoterapeuta, consultora de organiza&ccedil;&otilde;es</em></p>]]></content></entry><entry><title>O Processo da Cura</title><id>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/2/21/o-processo-da-cura.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/2/21/o-processo-da-cura.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2007-02-21T16:00:00Z</published><updated>2007-02-21T16:00:00Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="thumbnail-image-float-left"><a href="http://www.pateira.net/display/ShowImage?imageUrl=%2Fstorage%2FLA1.jpg&imageTitle=570923-681715-thumbnail.jpg" onclick="window.open(this.href, '_blank', 'width=177,height=238,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no'); return false;"><img style="width: 120px; height: 161px" alt="570923-681715-thumbnail.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/thumbnails/570923-681715-thumbnail.jpg" /></a></span><span class="sizeGreater20"><strong>O Diagnóstico</strong></span></p><p style="text-align: justify" align="justify">O filósofo Jos&eacute; Gil escreveu: </p><blockquote><p style="text-align: justify" align="justify">S<em>omos um país de n&atilde;o-inscri&ccedil;&atilde;o, mergulhado no nevoeiro, sem espa&ccedil;o público - por causa do salazarismo - deficientes na prática democrática, com medo, mergulhados em burocracia, apegados a privil&eacute;gios e hábitos antigos, sempre com queixumes, cheios de ressentimentos e invejosos.</em></p></blockquote><p style="text-align: justify" align="justify">David S. Landes, sobre o período das descobertas: </p><blockquote><p style="text-align: justify" align="justify"><em>A fa&ccedil;anha portuguesa &eacute; testemunho do seu espírito empreendedor e for&ccedil;a, da sua f&eacute; religiosa e entusiasmo; da sua capacidade para mobilizar e explorar os conhecimentos e t&eacute;cnicas mais recentes. Nenhum chauvinismo tolo; o pragmatismo em primeiro lugar. Atraíram gente de fora pelo dinheiro, conhecimentos práticos e m&atilde;o-de-obra.</em></p></blockquote><p style="text-align: justify" align="justify">O mesmo &quot;corpo&quot;, doente hoje e pleno de saúde ontem, ou a vis&atilde;o maniqueísta da sociedade portuguesa? </p><p style="text-align: justify" align="justify"><span class="sizeGreater20"><strong>Aceita&ccedil;&atilde;o </strong></span></p><p style="text-align: justify" align="justify">Devemos todos consciencializarmo-nos que os tempos difíceis testam os nossos pontos fracos e fortes assim como testam as nossas ideias e políticas comuns. É a nossa oportunidade para mudarmos de atitudes e forma de ser e de percebermos mais claramente a validade dos princípios que nos guiam.</p><p style="text-align: justify" align="justify">E o primeiro passo &eacute; reconhecermos, de vez, que Portugal está a atravessar um tempo de verdade, como aconteceu com o ultimato ingl&ecirc;s, com o derrube da monarquia, ou o da 1&ordf; república e, mais recentemente, com o 25 de Abril.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Permanecermos volunt&agrave;riamente cegos a esta realidade &eacute; negarmos a dádiva da vis&atilde;o. </p><p style="text-align: justify" align="justify">É nosso dever perseverar no&nbsp;optimismo porque o futuro, n&atilde;o sendo predeterminado, está em aberto. Temos de ter a consci&ecirc;ncia do facto de que todos contribuimos para ele mediante todos os nossos actos, isto &eacute;, somos responsáveis por aquilo que o futuro nos reserva e devemos lutar por um mundo melhor.</p><p style="text-align: justify" align="justify"><strong><span class="sizeGreater20">O Conceito da Democracia</span> </strong></p><p style="text-align: justify" align="justify">Sem esquecermos os &quot;valores&quot; da tradi&ccedil;&atilde;o, da cultura e da religi&atilde;o que nos d&atilde;o a plena identidade nacional, &eacute; pelo conceito de democracia que há que encontrar solu&ccedil;&otilde;es para o problema, sem termos de recorrer &agrave; tirania, ao autoritarismo, ou ao totalitarismo. Porque &eacute; na democracia que está a fonte da autoridade: a Lei. </p><p style="text-align: justify" align="justify">E, dentro deste regime democrático, a op&ccedil;&atilde;o de escolha que cimentarará na sociedade portuguesa um novo espírito colectivo, deverá partir de tr&ecirc;s conceitos: <em>responsabilidade, m&eacute;rito e risco. </em>Que os portugueses de hoje e agora ter&atilde;o de interiorizar. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Democracia plena e assente na igualdade de oportunidades, que n&atilde;o de direitos. Democracia defensora da liberdade individual, da família, da propriedade privada, dos recursos naturais, da escolha de religi&atilde;o, da paz e da coopera&ccedil;&atilde;o com todos os povos. Democracia para todos, sem excep&ccedil;&atilde;o de ideologia, nascimento, religi&atilde;o e ra&ccedil;a. </p><p style="text-align: justify" align="justify">E &eacute; esta democracia portuguesa, que deveria estar a agir com o vigor dos seus 30 anos e n&atilde;o a comportar-se como uma velha carca&ccedil;a que perdeu o rumo que lhe deveria ter sido tra&ccedil;ado pela miss&atilde;o que lhe &eacute; inerente: a obriga&ccedil;&atilde;o permanente da nossa Sociedade de lutar por um futuro melhor! </p><p style="text-align: justify" align="justify"><strong><span class="sizeGreater20">A Fun&ccedil;&atilde;o do Estado</span> </strong></p><p style="text-align: justify" align="justify"><em>Com que tipo de Estado se moderniza a economia, tornando-a competitiva?&nbsp; Que Estado proverá, pelo melhor, &agrave; Felicidade dos Portugueses?</em></p><p style="text-align: justify" align="justify">- Percep&ccedil;&atilde;o do problema: O Estado tornou-se exíguo</p><p style="text-align: justify" align="justify"><br />- Testar ideias: que Estado temos vs que Estado podemos ter (em termos de recursos; &quot;afford&quot;)</p><p style="text-align: justify" align="justify"><br />- Validade de princípios: a utopia Estado-Provedor &eacute; desejável?</p><p style="text-align: justify" align="justify"><br />- Mudan&ccedil;a de atitudes: agarramo-nos ao adquirido, adaptamos conjunturalmente ou revolucionamos?</p><p style="text-align: justify" align="justify">O Estado tornou-se exíguo pela simples raz&atilde;o de que a curva da procura dos cidad&atilde;os-clientes por servi&ccedil;os e benesses cresce de forma exponencial e as receitas n&atilde;o acompanham. &nbsp;E já n&atilde;o há mecanismos &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do Estado para acelerar o crescimento da receita. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Somos cada vez menos a contribuir (baixa taxa de natalidade) cada vez mais velhos e cada vez mais consumistas/egoístas. Tornamo-nos, a cada dia que passa, mais marxistas, no sentido restrito de exigirmos mais e mais do Estado.&nbsp; E esquecemos, depressa, o resultado de tais políticas. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Queremos mais e melhor saúde e gratuita, mais e melhor ensino e gratuito, emprego e respectiva indemniza&ccedil;&atilde;o pela perda do mesmo, casa porque n&atilde;o se tem rendimento para tal, seguran&ccedil;a contra indesejáveis e, ao mesmo tempo protec&ccedil;&atilde;o/ajuda aos indesejáveis para descanso da nossa consci&ecirc;ncia, mais entretenimento e cultura, mais consumo e protec&ccedil;&atilde;o na falta de recursos para tal, crescimento estável do rendimento individual, mais f&eacute;rias e menos trabalho. Pura utopia...</p><p style="text-align: justify" align="justify">Quem beneficia n&atilde;o abdica, os outros &eacute; que devem abdicar; ou ent&atilde;o abdicamos todos, por igual, um pouco, &agrave; espera de recuperar no futuro próximo; ou questionamos, de vez, que benefícios podemos ter, face ao que contribuimos. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Afinal, n&atilde;o está escrito na Constitui&ccedil;&atilde;o que temos o direito ao trabalho, &agrave; saúde, ao ensino, &agrave; cultura, &agrave; seguran&ccedil;a e paz e, finalmente o direito tendencial (e a curva da procura, comprova-o) &agrave; Felicidade?&nbsp; E, para maior garantia de que assim &eacute; e será, ad eternum, temos um Tribunal Constituicional, garante dessa via para a Felicidade.&nbsp; Por obra e gra&ccedil;a de quem? </p><p style="text-align: justify" align="justify">Porque n&atilde;o come&ccedil;ar por esse texto estúpido, utópico e castrador da nossa capacidade colectiva de gerar novas solu&ccedil;&otilde;es?</p><p style="text-align: justify" align="justify">O&nbsp;Estado &eacute; uma realidade conformada &agrave;s necessidades da sociedade e em debate deverá estar, apenas e t&atilde;o só, a sua reforma em quantidade e qualidade.</p><p style="text-align: justify" align="justify">A fun&ccedil;&atilde;o básica&nbsp;do Estado será a de polícia de giro e guarda-nocturno, que impede as colis&otilde;es e garante a propriedade. Para al&eacute;m dessa, o Estado Provid&ecirc;ncia, como decalque dos paradigmas da autoridade paterna - sobretudo na rela&ccedil;&atilde;o entre os condutores do Estado e os governados - em conson&acirc;ncia com o modelo social europeu, &quot;rede e garante&quot; eficaz contra a exclus&atilde;o e em auxílio aos mais desfavorecidos. &nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o existe nenhum argumento convincente a favor do monopólio, ou quase, do Estado na educa&ccedil;&atilde;o, na saúde, na&nbsp;seguran&ccedil;a social, na protec&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o do ambiente,&nbsp;e em muitas outras áreas.&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">Sem tabus, advogo&nbsp;um redimensionamento,&nbsp;mas acredito firmemente que competirá sempre ao Estado a fun&ccedil;&atilde;o reguladora e fiscalizadora.&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">Quero um Estado forte, n&atilde;o&nbsp;actor&nbsp;de mercado, mas&nbsp;protector e incentivador do empreendedorismo e da s&atilde; concorr&ecirc;ncia. &nbsp;Um Estado simplificado e simplificador de processos.&nbsp; Um Estado assente na defesa dos interesses colectivos, mas potenciador da iniciativa individual.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify"><span class="sizeGreater20"><strong>Paradigma do Futuro: A Identidade Nacional</strong></span></p><p style="text-align: justify" align="justify">S&atilde;o de Isaiah Berlin estas belas palavras:</p><blockquote><p style="text-align: justify" align="justify">O verdadeiro fim dos reformadores e dos revolucionários deve ser o abater das barreiras existentes entre os homens, expondo as coisas &agrave; clara luz do dia, fazendo com que os homens vivam juntos, sem muralhas que os isolem, de tal maneira que aquilo que cada um quer seja querido por todos.</p></blockquote><p style="text-align: justify" align="justify">Para mim, neste pensamento está contido o paradigma da identidade nacional, a heran&ccedil;a específica da nossa história.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Somos um povo com entidade cultural e território marcado pela história comum,&nbsp;de espírito empreendedor, pragmático, aventureiro,&nbsp;forte!</p><p style="text-align: justify" align="justify">A nossa aposta tem de passar pela defesa e preserva&ccedil;&atilde;o do nosso território e mar, pela defesa da paz, pela nossa voca&ccedil;&atilde;o de acolhimento e absor&ccedil;&atilde;o de outras culturas, pela defesa do ambiente, pela constru&ccedil;&atilde;o de uma Europa unida e forte, pela luta contra a exclus&atilde;o.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Portugal tem de ser um país&nbsp;multiracial, multiconfessional, defensor dos Direitos Universais do Homem.&nbsp; Deve existir uma política de abertura &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o que colmate o d&eacute;fice da taxa de natalidade e o baixo nível de&nbsp;escolaridade existente.&nbsp; Um país de acolhimento e integra&ccedil;&atilde;o, visando o seu próprio enriquecimento.&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">Portugal&nbsp;n&atilde;o acaba na Europa.&nbsp; Portugal &eacute; Atl&acirc;ntico e Mediterr&acirc;nico.&nbsp; Portugal tem&nbsp;um papel a desempenhar em&nbsp;África e na Am&eacute;rica Latina. De cariz cultural, económico e polítco. Dilatando&nbsp;hoje e&nbsp;amanh&atilde;, n&atilde;o a f&eacute; e o imp&eacute;rio,&nbsp;mas os valores&nbsp;universais da paz, da coopera&ccedil;&atilde;o, do entendimento e da integra&ccedil;&atilde;o civilizacional que, outrora, ajudamos a implantar.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Que n&atilde;o haja mais hinos absurdos e contrários &agrave; nossa identidade que&nbsp;fa&ccedil;am apelo&nbsp;&agrave;s armas e contra os canh&otilde;es marchar.&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">Portugal, país pequeno, será grande nas ideias e nas apostas que enfrentará e vencerá, amanh&atilde;.&nbsp; A nossa História legou-nos um capital imenso, ainda por explorar.&nbsp;&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify"><strong><em>Navegar, &eacute; preciso!</em></strong>&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify"><em>Luís Antunes, empresário</em></p>]]></content></entry><entry><title>Por Um País de Oportunidades</title><id>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/2/14/por-um-pas-de-oportunidades.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/2/14/por-um-pas-de-oportunidades.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2007-02-14T16:00:00Z</published><updated>2007-02-14T16:00:00Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<font face="Frutiger-LightCn" size="2"><p style="text-align: justify" align="justify"><span class="thumbnail-image-float-left"><a href="http://www.pateira.net/display/ShowImage?imageUrl=%2Fstorage%2FAntonioCarrapatoso.jpg&imageTitle=570923-671710-thumbnail.jpg" onclick="window.open(this.href, '_blank', 'width=300,height=448,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no'); return false;"><img style="width: 120px; height: 179px" alt="570923-671710-thumbnail.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/thumbnails/570923-671710-thumbnail.jpg" /></a></span>Estamos aqui porque temos uma ambi&ccedil;&atilde;o: transformar Portugal num país de oportunidades.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Acreditamos que cada portugu&ecirc;s pode e deve ter maiores possibilidades de se realizar pessoal e profissionalmente.</p><p style="text-align: justify" align="justify">E que o País deve criar condi&ccedil;&otilde;es para aproveitar todo o potencial de cada portugu&ecirc;s, ao inverso do que hoje acontece.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Acreditamos que Portugal pode estar entre os melhores países no que respeita ao nível e principalmente qualidade de vida dos cidad&atilde;os e &agrave; coes&atilde;o social.</p><p style="text-align: justify" align="justify">O ponto de partida n&atilde;o pode, por&eacute;m, deixar de nos inquietar. As causas da situa&ccedil;&atilde;o e do nosso descontentamento s&atilde;o conhecidas.</p><font face="Frutiger-LightCn" size="2"><p style="text-align: justify" align="justify">Ignorámos que o mundo estava a mudar mais do que nós. Ficámos agarrados a tabus e a modelos obsoletos. Deixámos que o modelo social se tornasse injusto e insustentável e que a diferen&ccedil;a entre os mais pobres e mais ricos fosse alargada. Que a seguran&ccedil;a no trabalho seja apenas aparente. Que o sistema educativo falhasse nos seus objectivos essenciais. Que a justi&ccedil;a fosse cada vez mais corporativa e pouco responsabilizada. Mantivemos um servi&ccedil;o público de saúde, essencial &agrave; qualidade de vida dos cidad&atilde;os, de um modo geral sem qualidade e ineficiente. Desprezámos a necessidade de preservar o ambiente e um equilibrado ordenamento do território.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Os diagnósticos est&atilde;o feitos e muitas das medidas necessárias explicitadas.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Falta, contudo, fazer melhor. Com vis&atilde;o e convic&ccedil;&atilde;o, ir ao fundo na concretiza&ccedil;&atilde;o das reformas.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Mas quais s&atilde;o as raz&otilde;es pelas quais n&atilde;o fomos capazes de, at&eacute; ao momento, concretizar com profundidade as mudan&ccedil;as necessárias?</p><p style="text-align: justify" align="justify">Primeiro porque temos uma sociedade civil fraca e pouco interventora.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Um País n&atilde;o pode depender só dos políticos. Movimentos como o Compromisso Portugal devem influenciar e pressionar para que as mudan&ccedil;as aconte&ccedil;am, reflectindo, propondo e ajudando a esclarecer a opini&atilde;o pública.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Segundo &eacute; notória a incapacidade dos vários governos de estruturar e explicitar uma vis&atilde;o de verdadeira mudan&ccedil;a para o futuro e de a concretizarem.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Os governos n&atilde;o se preparam previamente, s&atilde;o frequentemente populistas, revelam uma incapacidade de ultrapassar os tabus ideológicos e evitam clarificar qual &eacute; a sua vis&atilde;o e que objectivos prosseguem, possuindo ainda uma deficiente capacidade de gest&atilde;o.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Acresce que n&atilde;o existe uma cultura e prática de planeamento a longo prazo na gest&atilde;o do Estado com divulga&ccedil;&atilde;o pública sistemática e transparente dos resultados alcan&ccedil;ados.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Terceiro existe um poder desproporcionado de determinadas corpora&ccedil;&otilde;es, e de outros grupos de interesse, tamb&eacute;m económicos, sobre o Estado (e administra&ccedil;&atilde;o pública), que se apropriaram deste em detrimento do interesse de todos, e que resistem a altera&ccedil;&otilde;es que coloquem em causa os privil&eacute;gios de que actualmente disp&otilde;em.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Finalmente, temos uma opini&atilde;o pública pouco esclarecida que receia a mudan&ccedil;a e por isso tem uma elevada resist&ecirc;ncia a esta.</p><p style="text-align: justify" align="justify">A nossa sociedade cultivou uma cultura de oposi&ccedil;&atilde;o permanente &agrave; mudan&ccedil;a.</p><p style="text-align: justify" align="justify">As for&ccedil;as &quot;reaccionárias&quot; querem manter as coisas tal como est&atilde;o.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Acreditamos que só a for&ccedil;a e press&atilde;o da sociedade civil e da opini&atilde;o pública permitir&atilde;o ultrapassar estes factores de &quot;bloqueio&quot; e &quot;for&ccedil;ar&quot; a realiza&ccedil;&atilde;o das necessárias rupturas.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Essas rupturas, que levar&atilde;o a novos paradigmas t&ecirc;m, obviamente, que partir de uma vis&atilde;o e de princípios consistentes, assumidos com convic&ccedil;&atilde;o.</p><p style="text-align: justify" align="justify">A essa luz, o Compromisso Portugal prop&otilde;e, quanto ao nosso modelo económico e social, a vis&atilde;o de um país de oportunidades e a exist&ecirc;ncia de um conjunto de cinco princípios fundamentais:</p><p style="text-align: justify" align="justify">Um cidad&atilde;o valorizado e responsabilizado. A igualdade efectiva de oportunidades assente numa educa&ccedil;&atilde;o de base de qualidade para todos. A defini&ccedil;&atilde;o clara de direitos sociais e de uma rede de protec&ccedil;&atilde;o social, esta selectiva e vocacionada para os mais desfavorecidos. A afirma&ccedil;&atilde;o de um Estado forte, independente, subsidiário, eficiente, garante mas n&atilde;o necessariamente produtor dos servi&ccedil;os públicos. A defesa de uma sociedade (e mercados) aberta, flexível que tire partido das capacidades dos recursos existentes, das capacidades dos Portugueses e de práticas de s&atilde; concorr&ecirc;ncia como forma de promover a inova&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento. N&atilde;o podemos perder mais tempo e assistir ao empobrecimento progressivo relativo do nosso país em termos de nível e qualidade de vida coarctando a possibilidade dos Portugueses, em particular daqueles que det&ecirc;m menos recursos, de se realizarem e serem mais felizes.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Agora &eacute; um imperativo ir para al&eacute;m dos rem&eacute;dios de circunst&acirc;ncia e de uma política de minimiza&ccedil;&atilde;o dos estragos. Acreditamos na necessidade de termos uma sociedade de matriz liberal, seja com uma governa&ccedil;&atilde;o &agrave; esquerda ou &agrave; direita, assente na capacidade, iniciativa e independ&ecirc;ncia dos cidad&atilde;os e das múltiplas institui&ccedil;&otilde;es que estes entendam criar, sem poderes dominantes ou usurpadores do interesse colectivo e em que o social preceda o económico, tirando deste todo o partido.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Queremos ter um País de cidad&atilde;os valorizados e responsabilizados, senhores do seu destino e solidários.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Queremos um país de oportunidades, sem excluídos, em que cada um, mesmo que nas&ccedil;a pobre ou desfavorecido, se possa vir a desenvolver e encontrar o seu espa&ccedil;o de realiza&ccedil;&atilde;o e de felicidade.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Queremos deixar um País melhor para as gera&ccedil;&otilde;es futuras.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Queremos ter orgulho em Portugal.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Vamos continuar a lutar por este país!</p><p style="text-align: justify" align="justify"><em>António Carrapatoso, Compromisso Portugal, 21/09/2006</em></p></font></font>]]></content></entry></feed>
