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<!--Generated by Squarespace Site Server v5.0.0 (http://www.squarespace.com/) on Wed, 20 Aug 2008 14:08:55 GMT--><rdf:RDF xmlns:rdf="http://www.w3.org/1999/02/22-rdf-syntax-ns#" xmlns:rss="http://purl.org/rss/1.0/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:admin="http://webns.net/mvcb/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:cc="http://web.resource.org/cc/"><rss:channel rdf:about="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/"><rss:title>Portugal, País de Futuro</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/</rss:link><rss:description></rss:description><dc:language>pt-PT</dc:language><dc:date>2008-08-20T14:08:55Z</dc:date><admin:generatorAgent rdf:resource="http://www.squarespace.com/">Squarespace Site Server v5.0.0 (http://www.squarespace.com/)</admin:generatorAgent><rss:items><rdf:Seq><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/9/12/e-voce-o-que-pensa-medite.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/3/21/ser-portugus-ser-uma-arte.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/2/21/o-processo-da-cura.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/2/14/por-um-pas-de-oportunidades.html"/></rdf:Seq></rss:items></rss:channel><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/9/12/e-voce-o-que-pensa-medite.html"><rss:title>E você, o que pensa? .... MEDITE !!</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/9/12/e-voce-o-que-pensa-medite.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2007-09-12T09:59:00Z</dc:date><dc:subject></dc:subject><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 150px; height: 173px" alt="EPC.bmp" src="http://www.pateira.net/storage/EPC.bmp?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1189098702852" /></span>A cren&ccedil;a geral anterior era de que Santana&nbsp;&nbsp;Lopes n&atilde;o servia, bem como Cavaco, Dur&atilde;o e Guterres. Agora dizemos que Sócrates n&atilde;o serve.&nbsp;&nbsp; E o que vier depois de Sócrates tamb&eacute;m n&atilde;o servirá&nbsp;&nbsp;para nada. Por isso come&ccedil;o a suspeitar que o problema n&atilde;o está&nbsp;&nbsp;no trapalh&atilde;o que foi&nbsp;Santana Lopes ou na farsa que &eacute; o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como&nbsp;&nbsp;mat&eacute;ria-prima de um país. Porque perten&ccedil;o a um país onde a ESPERTEZA &eacute; a moeda&nbsp;&nbsp;sempre valorizada, tanto ou mais o que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia &eacute; uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em&nbsp;&nbsp;valores e respeito aos demais. <br /><br />Perten&ccedil;o a um país onde, lamentavelmente,&nbsp;&nbsp;os jornais jamais poder&atilde;o ser vendidos como em outros países, isto &eacute;, pondo umas&nbsp;&nbsp;caixas nos passeios onde se paga por um só jornal. E SE TIRA UM SÓ JORNAL,&nbsp;&nbsp;DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE EST&Atilde;O. <br /><br />Perten&ccedil;o ao país onde as EMPRESAS&nbsp;&nbsp;PRIVADAS s&atilde;o fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que&nbsp;&nbsp;levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips&nbsp;&nbsp;e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para&nbsp;&nbsp;eles mesmos. <br /><br />Perten&ccedil;o a um país onde as pessoas se sentem espertas porque&nbsp;&nbsp;conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a&nbsp;&nbsp;declara&ccedil;&atilde;o de IRS para n&atilde;o pagar&nbsp;&nbsp;ou pagar menos impostos.<br /><br />Perten&ccedil;o a um país onde a falta de pontualidade &eacute;&nbsp;&nbsp;um hábito. Onde os directores das empresas n&atilde;o valorizam o capital humano. Onde&nbsp;&nbsp;há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo&nbsp;&nbsp;nas ruas e&nbsp;&nbsp;depois reclamam do governo por n&atilde;o limpar os esgotos. <br /><br />Onde pessoas se&nbsp;&nbsp;queixam que a luz e a água s&atilde;o servi&ccedil;os caros.<br /><br />Onde n&atilde;o existe a cultura pela leitura (onde os&nbsp;&nbsp;nossos jovens dizem que &quot;&eacute; muito chato ter que ler&quot;) e n&atilde;o há consci&ecirc;ncia&nbsp;&nbsp;nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos&nbsp;&nbsp;trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para&nbsp;&nbsp;ca&ccedil;ar os pobres, arreliar a classe m&eacute;dia e beneficiar a alguns. <br /><br />Perten&ccedil;o&nbsp;&nbsp;a um país onde as cartas de condu&ccedil;&atilde;o e as declara&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas podem ser&nbsp;&nbsp;&quot;compradas&quot;, sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade&nbsp;&nbsp;avan&ccedil;ada, ou uma mulher com uma crian&ccedil;a nos bra&ccedil;os, ou um inválido, fica em p&eacute;&nbsp;&nbsp;no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para n&atilde;o&nbsp;&nbsp;dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem &eacute; para o&nbsp;&nbsp;carro e n&atilde;o para o pe&atilde;o. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos&nbsp;&nbsp;sempre a criticar os nossos governantes. <br /><br />Quanto mais analiso os defeitos&nbsp;&nbsp;de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda&nbsp;&nbsp;ontem corrompi um guarda de tr&acirc;nsito para n&atilde;o ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco &eacute; culpado,&nbsp;&nbsp;melhor sou eu como portugu&ecirc;s, apesar de que ainda hoje pela manh&atilde; explorei um&nbsp;&nbsp;cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas&nbsp;&nbsp;dívidas. <br /><br />N&atilde;o. N&atilde;o. N&atilde;o. Já basta. <br /><br />Como &quot;mat&eacute;ria-prima&quot; de um país, temos muitas&nbsp;&nbsp;coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país&nbsp;&nbsp;precisa. <br /><br />Esses defeitos, essa &quot;CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA&quot; cong&eacute;nita,&nbsp;&nbsp;essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui at&eacute; converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana,&nbsp;&nbsp;mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, &eacute; que &eacute; real e honestamente&nbsp;&nbsp;ruim, porque todos eles s&atilde;o portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS.&nbsp; Nascidos&nbsp;&nbsp;aqui, n&atilde;o em outra parte ...<br /><br />Fico triste. Porque, ainda que Sócrates&nbsp;&nbsp;fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando&nbsp;&nbsp;com a mesma mat&eacute;ria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E n&atilde;o&nbsp;&nbsp;poderá fazer nada ... <br /><br />N&atilde;o tenho nenhuma garantia de que algu&eacute;m possa&nbsp;&nbsp;fazer melhor, mas enquanto algu&eacute;m n&atilde;o sinalizar um caminho destinado a erradicar&nbsp;&nbsp;primeiro os vícios que temos como povo, ningu&eacute;m servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, n&atilde;o serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que&nbsp;vier. <br /><br />Qual &eacute; a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos fa&ccedil;a&nbsp;&nbsp;cumprir a lei com a for&ccedil;a e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E&nbsp;&nbsp;enquanto essa &quot;outra coisa&quot; n&atilde;o comece a surgir de baixo para cima, ou de cima&nbsp;&nbsp;para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente&nbsp;&nbsp;condenados, igualmente estancados ... igualmente abusados! <br /><br />É muito bom ser portugu&ecirc;s. Mas quando essa&nbsp;&nbsp;Portugalidade autóctone come&ccedil;a a ser um empecilho &agrave;s nossas possibilidades de&nbsp;&nbsp;desenvolvimento como Na&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o tudo muda ...<br /><br />N&atilde;o esperemos acender uma vela a todos os santos, a&nbsp;&nbsp;ver se nos mandam um Messias. <br /><br />Nós temos que mudar. Um novo governante com os&nbsp;&nbsp;mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro ... Somos nós que temos&nbsp;&nbsp;que mudar.<br /><br />Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que&nbsp;&nbsp;anda a nos acontecer: <br /><br />Desculpamos a mediocridade de programas de&nbsp;&nbsp;televis&atilde;o nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da&nbsp;&nbsp;estupidez.<br /><br />Agora, depois desta mensagem, francamente decidi&nbsp;&nbsp;procurar o responsável, n&atilde;o para castigá-lo, sen&atilde;o para exigir-lhe (sim,&nbsp;&nbsp;exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que n&atilde;o se fa&ccedil;a de mouco, de&nbsp;&nbsp;desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O&nbsp;&nbsp;ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. N&Atilde;O PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO&nbsp;&nbsp;LADO. </p><p style="text-align: justify" align="justify">E voc&ecirc;, o que pensa? ....&nbsp;&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify"><em><strong>Eduardo Prado Coelho</strong> (1944 - 2007) foi escritor, ensaísta&nbsp;e professor universitário portugu&ecirc;s</em></p>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/3/21/ser-portugus-ser-uma-arte.html"><rss:title>Ser Português será uma arte?</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/3/21/ser-portugus-ser-uma-arte.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2007-03-21T16:00:00Z</dc:date><dc:subject></dc:subject><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 136px; height: 208px" alt="Torre_Belem 3.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/Torre_Belem%203.jpg" /></span>Escrevia Teixeira de Pascoaes, em 1915, que ser portugu&ecirc;s era uma arte de alcance nacional, que devia ser cultivada desde a inf&acirc;ncia. E vá de enumerar uma s&eacute;rie de qualidades que seriam intrinsecamente &ldquo;nossas&rdquo;. Da Ra&ccedil;a, como ele diz. A refer&ecirc;ncia &agrave; nossa incapacidade para a filosofia, a única que n&atilde;o &eacute; encomiástica, &eacute; particularmente interessante: <em>o g&eacute;nio lusíada &eacute; mais emotivo do que intelectual. Afirma e n&atilde;o discute. Quando uma ideia se comove, despreza a dial&eacute;ctica; e &eacute; sendo e n&atilde;o raciocinando que ela prova a sua verdade (&hellip;). O portugu&ecirc;s n&atilde;o quer interpretar o mundo nem a vida, contenta-se em viv&ecirc;-la exteriormente; e tem, por iso, um verdadeiro horror &agrave; Filosofia, imaginando encontrá-la em tudo o que n&atilde;o entende.</em> </p><p style="text-align: justify" align="justify">Sábias palavras, ainda bem reconhecíveis nos idos de sessenta, na experi&ecirc;ncia do ensino liceal, que foi a minha. E agora, será diferente? Em que ponto estamos? </p><p style="text-align: justify" align="justify">Agora, poderíamos aggiornare o texto de Pascoaes e constatar a nossa fraca capacidade de <em>transforma&ccedil;&atilde;o</em>. As suas manifesta&ccedil;&otilde;es sensíveis s&atilde;o as que o meu ilustre colega António Carrapatoso refere no seu artigo, e que vale a pena repetir: opini&atilde;o pública pouco esclarecida, cultura de oposi&ccedil;&atilde;o permanente &agrave; mudan&ccedil;a, ades&atilde;o a tabus e a modelos obsoletos, sociedade civil fraca e pouco interventora, governos frequentemente populistas, que revelam uma incapacidade de ultrapassar os tabus ideológicos e que possuem uma deficiente capacidade de gest&atilde;o, poder desproporcionado de determinadas corpora&ccedil;&otilde;es, e de outros grupos de interesse, tamb&eacute;m económicos, sobre a administra&ccedil;&atilde;o pública e que se apropriaram do Estado em detrimento do interesse de todos, resistindo a altera&ccedil;&otilde;es que coloquem em causa os privil&eacute;gios de que disp&otilde;em. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Muito recentemente, os media divulgaram os resultados do inqu&eacute;rito do European Social Survey: 38,9% dos portugueses diziam &ldquo;n&atilde;o ter nenhum interesse pela política&rdquo;, contra uma m&eacute;dia europeia de 17,9%. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Constata-se, com tristeza, aquilo que todos nós sabemos mas queremos esquecer: ser portugu&ecirc;s &eacute; tamb&eacute;m este desinvestimento naquilo que devia a todos nós dizer respeito, a política. A palavra política tem a ver com a <em>polis</em>, a cidade grega, onde pela primeira vez os homens experimentaram a democracia. Muito diferente da nossa, &eacute; bem verdade (era directa, as mulheres, os escravos e os estrangeiros n&atilde;o votavam, entre outros particularismos). Mas que implicava uma no&ccedil;&atilde;o de bem comum que parece que n&atilde;o existe na nossa cultura. </p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o precisávamos do resultado do relatório para sabermos que, em Portugal, as pessoas, quando n&atilde;o abominam a política, s&atilde;o-lhe indiferentes, como se fosse uma coisa que n&atilde;o lhes dissesse respeito. &Agrave;s vezes at&eacute; se lhe referem com desprezo como &ldquo;a porca&rdquo; e outras delicadezas, que s&atilde;o bem significativas do desprezo a que votamos tudo o que diga respeito &agrave; vida pública e &agrave;s quest&otilde;es de cidadania. </p><p style="text-align: justify" align="justify">De onde vem esta apatia, esta avers&atilde;o? Curta experi&ecirc;ncia democrática? S&eacute;culos de governos centralizados? Forte influ&ecirc;ncia do Catolicismo? Quarenta anos de obscurantismo e de fechamento ao exterior? Fraca autonomia dos indivíduos perante o Estado? Ou será mesmo fraca autonomia dos indivíduos em geral?</p><p style="text-align: justify" align="justify">Há tempos escrevi umas linhas sobre o fenómeno do microcr&eacute;dito, que já arrancou milhares de pessoas &agrave; mis&eacute;ria &ndash; noutras paragens. A quest&atilde;o n&atilde;o suscitou qualquer interesse, apesar do pr&eacute;mio Nobel atribuído ao seu inventor, o Prof. Yunus. Eis a olímpica indiferen&ccedil;a dos portugueses pelo mundo que vá para al&eacute;m do quintalinho! Será só culpa do <em>tiraninho</em> &ndash; como lhe chamava Pessoa - de Santa Comba? </p><p style="text-align: justify" align="justify">Ainda a propósito do microcr&eacute;dito, falei com algumas pessoas amigas e conhecidas, que est&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de inactividade ou mesmo de desemprego, e reparei que a reac&ccedil;&atilde;o era de aparente desinteresse ou mesmo de fuga &agrave; quest&atilde;o. Ou seja, nem queriam ouvir falar do assunto. Tive at&eacute; um amigo que me disse que n&atilde;o valia a pena penasr nisso, &ldquo;que era sempre para os mesmos&rdquo;, etc. Tratando-se de pessoa instruída e informada, fiquei a cogitar sobre este cepticismo maligno, muito diferente do cepticismo dos antigos gregos (lá está a tal falta de jeito para a filosofia&hellip;). </p><p style="text-align: justify" align="justify">A dura verdade &eacute; que o sucesso do microcr&eacute;dito, como de muitas outras iniciativas privadas, tem a ver com a criatividade, a capacidade de iniciativa, a constru&ccedil;&atilde;o da autonomia, at&eacute; mesmo com a constru&ccedil;&atilde;o da identidade. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Chego &agrave; conclus&atilde;o de que a possibilidade de construirmos algo de raiz, com o esfor&ccedil;o que isso obriga, &eacute; um assunto desagradável e que nos obriga a confrontar com uma s&eacute;rie de quest&otilde;es penosas. E fico a interrogar-me sobre o aparente &ldquo;conforto&rdquo; de se ser desgra&ccedil;adinho&hellip; O Dr. Sigmund Freud escreveu sobre isso há muito, muito tempo. Chamou-lhe <em>benefício secundário</em>. </p><p style="text-align: justify" align="justify">E toda esta quest&atilde;o nos traz de volta &agrave; democracia. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Tenho para mim que uma das principais características que distingue a democracia dos outros regimes, &eacute; sabermos que teremos direito a tratamento igual perante a justi&ccedil;a, seja qual for a nossa condi&ccedil;&atilde;o social, ou outra. Ora sem uma máquina eficaz na justi&ccedil;a, n&atilde;o há democracia. A justi&ccedil;a &eacute; condi&ccedil;&atilde;o sine qua non para que as outras institui&ccedil;&otilde;es, como a saúde e a educa&ccedil;&atilde;o, e a própria economia, funcionem. Justi&ccedil;a implica responsabiliza&ccedil;&atilde;o. E a justi&ccedil;a funciona mal em Portugal. </p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o certamente por acaso, constata-se diariamente que a desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o prolifera como erva daninha em terreno lavrado. Tanto da parte dos governantes, como dos governados. É uma gangrena que vai alastrando e que nos faz a nós, os chamados cidad&atilde;os, dizer mal dos políticos, e da política. Entre o encolher de ombros agoniado e o piscar de olhos cúmplice, &eacute; o descr&eacute;dito na própria democracia que se instala. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Curiosamente, este desprezo pela política e pelos políticos, parece que pouco tem de novo. Guerra Junqueiro já falava deste fenómeno a propósito dos seus concidad&atilde;os: &ldquo;e se a isto juntarmos um pessimismo canceroso e corrosivo, minando as almas, cristalizado já em formas banais e populares &ndash; <em>t&atilde;o bons s&atilde;o uns como os outros, corja de pantomineiros, cambada de ladr&otilde;es, tudo uma choldra (&hellip;)</em>&rdquo;. </p><p style="text-align: justify" align="justify">É preciso, como diz o Luis Antunes, e muito bem, &ldquo; um Estado forte, n&atilde;o actor de mercado, mas protector e incentivador do empreendedorismo e da s&atilde; concorr&ecirc;ncia. Um Estado simplificado e simplificador de processos. Um Estado assente na defesa dos interesses colectivos, mas potenciador da iniciativa individual&rdquo;. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Para que ser portugu&ecirc;s n&atilde;o seja mais, como escreveu Guerra Junqueiro, pertencer a um &ldquo;povo em catalepsia ambulante, n&atilde;o se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai&rdquo;. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Por último, só mais um reminder: o Estado somos todos nós. Qual monstro de Frankenstein, &eacute; da nossa responsabilidade. Que tal filho n&atilde;o nos devore, &eacute; o que eu desejo. </p><p style="text-align: justify" align="justify"><em>Clara Pracana, psicoterapeuta, consultora de organiza&ccedil;&otilde;es</em></p>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/2/21/o-processo-da-cura.html"><rss:title>O Processo da Cura</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/2/21/o-processo-da-cura.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2007-02-21T16:00:00Z</dc:date><dc:subject></dc:subject><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="thumbnail-image-float-left"><a href="http://www.pateira.net/display/ShowImage?imageUrl=%2Fstorage%2FLA1.jpg&imageTitle=570923-681715-thumbnail.jpg" onclick="window.open(this.href, '_blank', 'width=177,height=238,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no'); return false;"><img style="width: 120px; height: 161px" alt="570923-681715-thumbnail.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/thumbnails/570923-681715-thumbnail.jpg" /></a></span><span class="sizeGreater20"><strong>O Diagnóstico</strong></span></p><p style="text-align: justify" align="justify">O filósofo Jos&eacute; Gil escreveu: </p><blockquote><p style="text-align: justify" align="justify">S<em>omos um país de n&atilde;o-inscri&ccedil;&atilde;o, mergulhado no nevoeiro, sem espa&ccedil;o público - por causa do salazarismo - deficientes na prática democrática, com medo, mergulhados em burocracia, apegados a privil&eacute;gios e hábitos antigos, sempre com queixumes, cheios de ressentimentos e invejosos.</em></p></blockquote><p style="text-align: justify" align="justify">David S. Landes, sobre o período das descobertas: </p><blockquote><p style="text-align: justify" align="justify"><em>A fa&ccedil;anha portuguesa &eacute; testemunho do seu espírito empreendedor e for&ccedil;a, da sua f&eacute; religiosa e entusiasmo; da sua capacidade para mobilizar e explorar os conhecimentos e t&eacute;cnicas mais recentes. Nenhum chauvinismo tolo; o pragmatismo em primeiro lugar. Atraíram gente de fora pelo dinheiro, conhecimentos práticos e m&atilde;o-de-obra.</em></p></blockquote><p style="text-align: justify" align="justify">O mesmo &quot;corpo&quot;, doente hoje e pleno de saúde ontem, ou a vis&atilde;o maniqueísta da sociedade portuguesa? </p><p style="text-align: justify" align="justify"><span class="sizeGreater20"><strong>Aceita&ccedil;&atilde;o </strong></span></p><p style="text-align: justify" align="justify">Devemos todos consciencializarmo-nos que os tempos difíceis testam os nossos pontos fracos e fortes assim como testam as nossas ideias e políticas comuns. É a nossa oportunidade para mudarmos de atitudes e forma de ser e de percebermos mais claramente a validade dos princípios que nos guiam.</p><p style="text-align: justify" align="justify">E o primeiro passo &eacute; reconhecermos, de vez, que Portugal está a atravessar um tempo de verdade, como aconteceu com o ultimato ingl&ecirc;s, com o derrube da monarquia, ou o da 1&ordf; república e, mais recentemente, com o 25 de Abril.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Permanecermos volunt&agrave;riamente cegos a esta realidade &eacute; negarmos a dádiva da vis&atilde;o. </p><p style="text-align: justify" align="justify">É nosso dever perseverar no&nbsp;optimismo porque o futuro, n&atilde;o sendo predeterminado, está em aberto. Temos de ter a consci&ecirc;ncia do facto de que todos contribuimos para ele mediante todos os nossos actos, isto &eacute;, somos responsáveis por aquilo que o futuro nos reserva e devemos lutar por um mundo melhor.</p><p style="text-align: justify" align="justify"><strong><span class="sizeGreater20">O Conceito da Democracia</span> </strong></p><p style="text-align: justify" align="justify">Sem esquecermos os &quot;valores&quot; da tradi&ccedil;&atilde;o, da cultura e da religi&atilde;o que nos d&atilde;o a plena identidade nacional, &eacute; pelo conceito de democracia que há que encontrar solu&ccedil;&otilde;es para o problema, sem termos de recorrer &agrave; tirania, ao autoritarismo, ou ao totalitarismo. Porque &eacute; na democracia que está a fonte da autoridade: a Lei. </p><p style="text-align: justify" align="justify">E, dentro deste regime democrático, a op&ccedil;&atilde;o de escolha que cimentarará na sociedade portuguesa um novo espírito colectivo, deverá partir de tr&ecirc;s conceitos: <em>responsabilidade, m&eacute;rito e risco. </em>Que os portugueses de hoje e agora ter&atilde;o de interiorizar. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Democracia plena e assente na igualdade de oportunidades, que n&atilde;o de direitos. Democracia defensora da liberdade individual, da família, da propriedade privada, dos recursos naturais, da escolha de religi&atilde;o, da paz e da coopera&ccedil;&atilde;o com todos os povos. Democracia para todos, sem excep&ccedil;&atilde;o de ideologia, nascimento, religi&atilde;o e ra&ccedil;a. </p><p style="text-align: justify" align="justify">E &eacute; esta democracia portuguesa, que deveria estar a agir com o vigor dos seus 30 anos e n&atilde;o a comportar-se como uma velha carca&ccedil;a que perdeu o rumo que lhe deveria ter sido tra&ccedil;ado pela miss&atilde;o que lhe &eacute; inerente: a obriga&ccedil;&atilde;o permanente da nossa Sociedade de lutar por um futuro melhor! </p><p style="text-align: justify" align="justify"><strong><span class="sizeGreater20">A Fun&ccedil;&atilde;o do Estado</span> </strong></p><p style="text-align: justify" align="justify"><em>Com que tipo de Estado se moderniza a economia, tornando-a competitiva?&nbsp; Que Estado proverá, pelo melhor, &agrave; Felicidade dos Portugueses?</em></p><p style="text-align: justify" align="justify">- Percep&ccedil;&atilde;o do problema: O Estado tornou-se exíguo</p><p style="text-align: justify" align="justify"><br />- Testar ideias: que Estado temos vs que Estado podemos ter (em termos de recursos; &quot;afford&quot;)</p><p style="text-align: justify" align="justify"><br />- Validade de princípios: a utopia Estado-Provedor &eacute; desejável?</p><p style="text-align: justify" align="justify"><br />- Mudan&ccedil;a de atitudes: agarramo-nos ao adquirido, adaptamos conjunturalmente ou revolucionamos?</p><p style="text-align: justify" align="justify">O Estado tornou-se exíguo pela simples raz&atilde;o de que a curva da procura dos cidad&atilde;os-clientes por servi&ccedil;os e benesses cresce de forma exponencial e as receitas n&atilde;o acompanham. &nbsp;E já n&atilde;o há mecanismos &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do Estado para acelerar o crescimento da receita. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Somos cada vez menos a contribuir (baixa taxa de natalidade) cada vez mais velhos e cada vez mais consumistas/egoístas. Tornamo-nos, a cada dia que passa, mais marxistas, no sentido restrito de exigirmos mais e mais do Estado.&nbsp; E esquecemos, depressa, o resultado de tais políticas. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Queremos mais e melhor saúde e gratuita, mais e melhor ensino e gratuito, emprego e respectiva indemniza&ccedil;&atilde;o pela perda do mesmo, casa porque n&atilde;o se tem rendimento para tal, seguran&ccedil;a contra indesejáveis e, ao mesmo tempo protec&ccedil;&atilde;o/ajuda aos indesejáveis para descanso da nossa consci&ecirc;ncia, mais entretenimento e cultura, mais consumo e protec&ccedil;&atilde;o na falta de recursos para tal, crescimento estável do rendimento individual, mais f&eacute;rias e menos trabalho. Pura utopia...</p><p style="text-align: justify" align="justify">Quem beneficia n&atilde;o abdica, os outros &eacute; que devem abdicar; ou ent&atilde;o abdicamos todos, por igual, um pouco, &agrave; espera de recuperar no futuro próximo; ou questionamos, de vez, que benefícios podemos ter, face ao que contribuimos. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Afinal, n&atilde;o está escrito na Constitui&ccedil;&atilde;o que temos o direito ao trabalho, &agrave; saúde, ao ensino, &agrave; cultura, &agrave; seguran&ccedil;a e paz e, finalmente o direito tendencial (e a curva da procura, comprova-o) &agrave; Felicidade?&nbsp; E, para maior garantia de que assim &eacute; e será, ad eternum, temos um Tribunal Constituicional, garante dessa via para a Felicidade.&nbsp; Por obra e gra&ccedil;a de quem? </p><p style="text-align: justify" align="justify">Porque n&atilde;o come&ccedil;ar por esse texto estúpido, utópico e castrador da nossa capacidade colectiva de gerar novas solu&ccedil;&otilde;es?</p><p style="text-align: justify" align="justify">O&nbsp;Estado &eacute; uma realidade conformada &agrave;s necessidades da sociedade e em debate deverá estar, apenas e t&atilde;o só, a sua reforma em quantidade e qualidade.</p><p style="text-align: justify" align="justify">A fun&ccedil;&atilde;o básica&nbsp;do Estado será a de polícia de giro e guarda-nocturno, que impede as colis&otilde;es e garante a propriedade. Para al&eacute;m dessa, o Estado Provid&ecirc;ncia, como decalque dos paradigmas da autoridade paterna - sobretudo na rela&ccedil;&atilde;o entre os condutores do Estado e os governados - em conson&acirc;ncia com o modelo social europeu, &quot;rede e garante&quot; eficaz contra a exclus&atilde;o e em auxílio aos mais desfavorecidos. &nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o existe nenhum argumento convincente a favor do monopólio, ou quase, do Estado na educa&ccedil;&atilde;o, na saúde, na&nbsp;seguran&ccedil;a social, na protec&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o do ambiente,&nbsp;e em muitas outras áreas.&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">Sem tabus, advogo&nbsp;um redimensionamento,&nbsp;mas acredito firmemente que competirá sempre ao Estado a fun&ccedil;&atilde;o reguladora e fiscalizadora.&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">Quero um Estado forte, n&atilde;o&nbsp;actor&nbsp;de mercado, mas&nbsp;protector e incentivador do empreendedorismo e da s&atilde; concorr&ecirc;ncia. &nbsp;Um Estado simplificado e simplificador de processos.&nbsp; Um Estado assente na defesa dos interesses colectivos, mas potenciador da iniciativa individual.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify"><span class="sizeGreater20"><strong>Paradigma do Futuro: A Identidade Nacional</strong></span></p><p style="text-align: justify" align="justify">S&atilde;o de Isaiah Berlin estas belas palavras:</p><blockquote><p style="text-align: justify" align="justify">O verdadeiro fim dos reformadores e dos revolucionários deve ser o abater das barreiras existentes entre os homens, expondo as coisas &agrave; clara luz do dia, fazendo com que os homens vivam juntos, sem muralhas que os isolem, de tal maneira que aquilo que cada um quer seja querido por todos.</p></blockquote><p style="text-align: justify" align="justify">Para mim, neste pensamento está contido o paradigma da identidade nacional, a heran&ccedil;a específica da nossa história.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Somos um povo com entidade cultural e território marcado pela história comum,&nbsp;de espírito empreendedor, pragmático, aventureiro,&nbsp;forte!</p><p style="text-align: justify" align="justify">A nossa aposta tem de passar pela defesa e preserva&ccedil;&atilde;o do nosso território e mar, pela defesa da paz, pela nossa voca&ccedil;&atilde;o de acolhimento e absor&ccedil;&atilde;o de outras culturas, pela defesa do ambiente, pela constru&ccedil;&atilde;o de uma Europa unida e forte, pela luta contra a exclus&atilde;o.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Portugal tem de ser um país&nbsp;multiracial, multiconfessional, defensor dos Direitos Universais do Homem.&nbsp; Deve existir uma política de abertura &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o que colmate o d&eacute;fice da taxa de natalidade e o baixo nível de&nbsp;escolaridade existente.&nbsp; Um país de acolhimento e integra&ccedil;&atilde;o, visando o seu próprio enriquecimento.&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">Portugal&nbsp;n&atilde;o acaba na Europa.&nbsp; Portugal &eacute; Atl&acirc;ntico e Mediterr&acirc;nico.&nbsp; Portugal tem&nbsp;um papel a desempenhar em&nbsp;África e na Am&eacute;rica Latina. De cariz cultural, económico e polítco. Dilatando&nbsp;hoje e&nbsp;amanh&atilde;, n&atilde;o a f&eacute; e o imp&eacute;rio,&nbsp;mas os valores&nbsp;universais da paz, da coopera&ccedil;&atilde;o, do entendimento e da integra&ccedil;&atilde;o civilizacional que, outrora, ajudamos a implantar.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Que n&atilde;o haja mais hinos absurdos e contrários &agrave; nossa identidade que&nbsp;fa&ccedil;am apelo&nbsp;&agrave;s armas e contra os canh&otilde;es marchar.&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">Portugal, país pequeno, será grande nas ideias e nas apostas que enfrentará e vencerá, amanh&atilde;.&nbsp; A nossa História legou-nos um capital imenso, ainda por explorar.&nbsp;&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify"><strong><em>Navegar, &eacute; preciso!</em></strong>&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify"><em>Luís Antunes, empresário</em></p>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/2/14/por-um-pas-de-oportunidades.html"><rss:title>Por Um País de Oportunidades</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/portugal-pais-de-futuro/2007/2/14/por-um-pas-de-oportunidades.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2007-02-14T16:00:00Z</dc:date><dc:subject></dc:subject><content:encoded><![CDATA[<font face="Frutiger-LightCn" size="2"><p style="text-align: justify" align="justify"><span class="thumbnail-image-float-left"><a href="http://www.pateira.net/display/ShowImage?imageUrl=%2Fstorage%2FAntonioCarrapatoso.jpg&imageTitle=570923-671710-thumbnail.jpg" onclick="window.open(this.href, '_blank', 'width=300,height=448,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no'); return false;"><img style="width: 120px; height: 179px" alt="570923-671710-thumbnail.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/thumbnails/570923-671710-thumbnail.jpg" /></a></span>Estamos aqui porque temos uma ambi&ccedil;&atilde;o: transformar Portugal num país de oportunidades.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Acreditamos que cada portugu&ecirc;s pode e deve ter maiores possibilidades de se realizar pessoal e profissionalmente.</p><p style="text-align: justify" align="justify">E que o País deve criar condi&ccedil;&otilde;es para aproveitar todo o potencial de cada portugu&ecirc;s, ao inverso do que hoje acontece.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Acreditamos que Portugal pode estar entre os melhores países no que respeita ao nível e principalmente qualidade de vida dos cidad&atilde;os e &agrave; coes&atilde;o social.</p><p style="text-align: justify" align="justify">O ponto de partida n&atilde;o pode, por&eacute;m, deixar de nos inquietar. As causas da situa&ccedil;&atilde;o e do nosso descontentamento s&atilde;o conhecidas.</p><font face="Frutiger-LightCn" size="2"><p style="text-align: justify" align="justify">Ignorámos que o mundo estava a mudar mais do que nós. Ficámos agarrados a tabus e a modelos obsoletos. Deixámos que o modelo social se tornasse injusto e insustentável e que a diferen&ccedil;a entre os mais pobres e mais ricos fosse alargada. Que a seguran&ccedil;a no trabalho seja apenas aparente. Que o sistema educativo falhasse nos seus objectivos essenciais. Que a justi&ccedil;a fosse cada vez mais corporativa e pouco responsabilizada. Mantivemos um servi&ccedil;o público de saúde, essencial &agrave; qualidade de vida dos cidad&atilde;os, de um modo geral sem qualidade e ineficiente. Desprezámos a necessidade de preservar o ambiente e um equilibrado ordenamento do território.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Os diagnósticos est&atilde;o feitos e muitas das medidas necessárias explicitadas.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Falta, contudo, fazer melhor. Com vis&atilde;o e convic&ccedil;&atilde;o, ir ao fundo na concretiza&ccedil;&atilde;o das reformas.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Mas quais s&atilde;o as raz&otilde;es pelas quais n&atilde;o fomos capazes de, at&eacute; ao momento, concretizar com profundidade as mudan&ccedil;as necessárias?</p><p style="text-align: justify" align="justify">Primeiro porque temos uma sociedade civil fraca e pouco interventora.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Um País n&atilde;o pode depender só dos políticos. Movimentos como o Compromisso Portugal devem influenciar e pressionar para que as mudan&ccedil;as aconte&ccedil;am, reflectindo, propondo e ajudando a esclarecer a opini&atilde;o pública.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Segundo &eacute; notória a incapacidade dos vários governos de estruturar e explicitar uma vis&atilde;o de verdadeira mudan&ccedil;a para o futuro e de a concretizarem.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Os governos n&atilde;o se preparam previamente, s&atilde;o frequentemente populistas, revelam uma incapacidade de ultrapassar os tabus ideológicos e evitam clarificar qual &eacute; a sua vis&atilde;o e que objectivos prosseguem, possuindo ainda uma deficiente capacidade de gest&atilde;o.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Acresce que n&atilde;o existe uma cultura e prática de planeamento a longo prazo na gest&atilde;o do Estado com divulga&ccedil;&atilde;o pública sistemática e transparente dos resultados alcan&ccedil;ados.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Terceiro existe um poder desproporcionado de determinadas corpora&ccedil;&otilde;es, e de outros grupos de interesse, tamb&eacute;m económicos, sobre o Estado (e administra&ccedil;&atilde;o pública), que se apropriaram deste em detrimento do interesse de todos, e que resistem a altera&ccedil;&otilde;es que coloquem em causa os privil&eacute;gios de que actualmente disp&otilde;em.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Finalmente, temos uma opini&atilde;o pública pouco esclarecida que receia a mudan&ccedil;a e por isso tem uma elevada resist&ecirc;ncia a esta.</p><p style="text-align: justify" align="justify">A nossa sociedade cultivou uma cultura de oposi&ccedil;&atilde;o permanente &agrave; mudan&ccedil;a.</p><p style="text-align: justify" align="justify">As for&ccedil;as &quot;reaccionárias&quot; querem manter as coisas tal como est&atilde;o.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Acreditamos que só a for&ccedil;a e press&atilde;o da sociedade civil e da opini&atilde;o pública permitir&atilde;o ultrapassar estes factores de &quot;bloqueio&quot; e &quot;for&ccedil;ar&quot; a realiza&ccedil;&atilde;o das necessárias rupturas.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Essas rupturas, que levar&atilde;o a novos paradigmas t&ecirc;m, obviamente, que partir de uma vis&atilde;o e de princípios consistentes, assumidos com convic&ccedil;&atilde;o.</p><p style="text-align: justify" align="justify">A essa luz, o Compromisso Portugal prop&otilde;e, quanto ao nosso modelo económico e social, a vis&atilde;o de um país de oportunidades e a exist&ecirc;ncia de um conjunto de cinco princípios fundamentais:</p><p style="text-align: justify" align="justify">Um cidad&atilde;o valorizado e responsabilizado. A igualdade efectiva de oportunidades assente numa educa&ccedil;&atilde;o de base de qualidade para todos. A defini&ccedil;&atilde;o clara de direitos sociais e de uma rede de protec&ccedil;&atilde;o social, esta selectiva e vocacionada para os mais desfavorecidos. A afirma&ccedil;&atilde;o de um Estado forte, independente, subsidiário, eficiente, garante mas n&atilde;o necessariamente produtor dos servi&ccedil;os públicos. A defesa de uma sociedade (e mercados) aberta, flexível que tire partido das capacidades dos recursos existentes, das capacidades dos Portugueses e de práticas de s&atilde; concorr&ecirc;ncia como forma de promover a inova&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento. N&atilde;o podemos perder mais tempo e assistir ao empobrecimento progressivo relativo do nosso país em termos de nível e qualidade de vida coarctando a possibilidade dos Portugueses, em particular daqueles que det&ecirc;m menos recursos, de se realizarem e serem mais felizes.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Agora &eacute; um imperativo ir para al&eacute;m dos rem&eacute;dios de circunst&acirc;ncia e de uma política de minimiza&ccedil;&atilde;o dos estragos. Acreditamos na necessidade de termos uma sociedade de matriz liberal, seja com uma governa&ccedil;&atilde;o &agrave; esquerda ou &agrave; direita, assente na capacidade, iniciativa e independ&ecirc;ncia dos cidad&atilde;os e das múltiplas institui&ccedil;&otilde;es que estes entendam criar, sem poderes dominantes ou usurpadores do interesse colectivo e em que o social preceda o económico, tirando deste todo o partido.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Queremos ter um País de cidad&atilde;os valorizados e responsabilizados, senhores do seu destino e solidários.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Queremos um país de oportunidades, sem excluídos, em que cada um, mesmo que nas&ccedil;a pobre ou desfavorecido, se possa vir a desenvolver e encontrar o seu espa&ccedil;o de realiza&ccedil;&atilde;o e de felicidade.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Queremos deixar um País melhor para as gera&ccedil;&otilde;es futuras.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Queremos ter orgulho em Portugal.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Vamos continuar a lutar por este país!</p><p style="text-align: justify" align="justify"><em>António Carrapatoso, Compromisso Portugal, 21/09/2006</em></p></font></font>]]></content:encoded></rss:item></rdf:RDF>