Luís Antunes | Comments Off |
Short Story,
Conto
Segunda-feira, Abril 10, 2006 at 04:49PM
- Filosofia -
Há coisas em que acredito firmemente. A ciência, por exemplo. Dá-se um pontapé numa bola e ela rola, rola, até que pára, novamente. Passa do estado de repouso ao movimento e, se calhar, por cansaço, volta ao mesmo. Falar em tamanha evidência não é coisa de somenos, pois trata-se do famoso Princípio Fundamental da Dinâmica, ou Segunda Lei de Newton: força igual à massa vezes a aceleração. Nem mais! Também se pode dizer, é claro, que a força é a derivada do movimento linear ou quantidade de movimento. E gosto de acabar sempre estas minhas elucubrações, termo que muito aprecio, porque de difícil dicção, com a velha máxima de que na natureza nada se cria, tudo se transforma. E nisto baseio eu aquilo que chamo de minha filosofia.
Diria, assim, que sou um empirista, porque me fico pelas aparências, mas tenho também algo de racionalista porque não quero deixar Deus lá no Seu céu pensando que, cá na terra, tudo bem. Seria o mesmo que pensar que os desígnios Dele ultrapassam a compreensão humana. Isso não é moral, é má-fé. Porque o desejo de sermos Deus, pensem bem, - aonde está a nossa omnipotência e benevolência - só nos traria problemas. Fiquemo-nos, pois, neste dilema, também partidários da transcendência.
Por isso não sou daqueles que pensam que o acaso, o azar, a má fortuna não existem.
Falha-se, perde-se, erra-se sempre pelo azar, prova de que ele existe ou de que, quem o invoca, não tem quanto baste de imaginação criadora para a mentira. Tem lógica, o azar, e também a fraca desculpa. Mas é preciso que o azar encontre uma janela, uma porta aberta, vá lá, semi-aberta, para entrar. Ora, na minha ciência, está tudo fechado, que o mesmo é dizer que azar não entra. Mas, repito, lá que existe, existe.
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