- Em boa companhia -
Bem dito e bem feito. E, depois, o silêncio, ou seria a falta de vontade de falar?, o olhar para o relógio, que está no ir. Jogávamos quase a feijões, apesar de que, com o tempo, nas férias grandes, bem grandes, a sério, não como agora, se podia acumular muito escudo, para cá ou para lá. Mas, o urgente era sair, ir embora. Nem mais um copo, amendoim, tremoço, cigarrinho, fosse lá o que fosse!
Como bem me alembra, que é modo de dizer lá pelas bandas da Pateira, a figura do Zé Mealhas que, todas as noites, lá por volta da uma, invariavelmente dizia, “vamos mas é ferrar a galhada”, bem ensacado na sua gabardine, chapéu de chuva por dama, fidelíssima, de companhia. Um Colombo da TV, sem ser zarolho e sem o charuto, que o homem era mais para o copito da sossega, se bem me entendem. Só que, ao contrário do Zé Mealhas, que falava, falava e tornava a falar e dali não saia, eu queria mesmo era ir embora.
E fui. Parti só, à aventura daqueles poucos centos de metros, a descer para a casa da minha avò. Foram osso duro de roer, sim senhor. Havia ali, algures, não me perguntem onde, qualquer coisa, chamem-lhe medo, cagaço ou frio que, às vezes, até as noites de Julho nos fazem gelar o sangue, cá por dentro. Estava um escuro de bréu ou dum raio, para não dizer do caraças ou da porra, que se fica na mesma, por falta de sentido, sendo este de que falo, o da visão. E havia também alguém, sem corpo ou matéria, que se ria baixinho, porque eu o não ouvia, perto de mim. Não, não tem lógica, eu sei, mas aquele filho-da-mãe veio todo o caminho a gozar comigo.
Certo é, que nunca mais me meti com ele.