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<!--Generated by Squarespace Site Server v5.11.81 (http://www.squarespace.com/) on Mon, 13 Feb 2012 15:57:05 GMT--><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><title>Short Stories / Contos</title><subtitle>Short Stories / Contos</subtitle><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/</id><link rel="alternate" type="application/xhtml+xml" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/"/><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/atom.xml"/><updated>2009-08-31T20:56:04Z</updated><generator uri="http://www.squarespace.com/" version="Squarespace Site Server v5.11.81 (http://www.squarespace.com/)">Squarespace</generator><entry><title>A Alfacinha</title><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/8/31/a-alfacinha.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/8/31/a-alfacinha.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2009-08-31T20:54:50Z</published><updated>2009-08-31T20:54:50Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p><span class="full-image-float-left ssNonEditable"><span><img src="http://www.pateira.net/storage/modelos_alface.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1249237191639" alt="" /></span></span>Esta  hist&oacute;ria &eacute; como tantas outras: j&aacute; tem cabelos - n&atilde;o tem barba, porque h&aacute; uma  hero&iacute;na, percebem? - de sobra e, por isso, por ser muito comprida, conv&eacute;m  come&ccedil;ar, porque o sal&aacute;rio que recebo mal d&aacute; para a bucha.</p>
<p>E por falar em pobres, l&aacute; temos o casal do Bairro J, economicamente  desfavorecidos n&atilde;o por terem o curso de psicologia - ele - e de politologia -  ela -, mas por trabalharem num "call center" no centro de Moscavide. Ora  acontece que ela - porque s&oacute; elas disso s&atilde;o capazes - engravidou e acontece  tamb&eacute;m que no p&aacute;tio ao lado da barraca onde viviam, morava uma bruxa seguidora  da pol&iacute;tica do arquitecto Ribeiro Telles e, como tal, tinha uma pequena mas  repugnante horta citadina onde cultivava alfaces.</p>
<p>Bl&aacute; mais bl&aacute;, a gr&aacute;vida deu em desejos de alface, o psic&oacute;logo achou por bem  rever uns apontamentos da faculdade e l&aacute; estava, preto no branco, na sebenta do  Prf. Amaral Dias: tinha mesmo de ir roubar as alfaces &agrave; bruxa que, como &eacute; &oacute;bvio,  o apanhou com a chamada boca na botija ou m&atilde;o no molho das alfaces... e patati e  patat&aacute;, vai-te l&aacute; embora que eu sou adepta do novo C&oacute;digo Penal, mas isto n&atilde;o  fica assim, vou para os jornais e pardais ao ninho... &nbsp;</p>
<p>Nascido o rebento, recebidos os 200 euros da praxe, apareceu a bruxa com umas  pedopsiquiatras funcion&aacute;rias do Tribunal de Fam&iacute;lia e l&aacute; vai a petiza - era uma  e n&atilde;o um, e chamava-se Alfacinha - sob a cust&oacute;dia da bruxa em moderna fam&iacute;lia  monoparental, com reportagem e choros em directo no Jornal de sexta-feira da  TVI. &nbsp;</p>
<p>Mais bl&aacute; e bl&aacute;, a Alfacinha viu-se privada dos seus direitos constitucionais  numa barraca com liga&ccedil;&atilde;o directa &agrave; baixa tens&atilde;o da EDP, no alto de uma &aacute;rvore  mandada plantar no tempo das grandes obras do Dr. Pedro Santana Lopes, deixou  crescer os cabelos e a bruxa trepava por eles acima todos os dias, s&oacute; para ouvir  a Alfacinha cantar as suas belas baladas escritas pelo Toni Carreira que as  copiava de um determinado site da net.</p>
<p>At&eacute; que um belo dia - nas hist&oacute;rias, os dias s&atilde;o sempre belos, caso ainda n&atilde;o  tenham reparado - apareceu o Grunge, caboverdiano que esteve na origem da  cria&ccedil;&atilde;o dos Buraka Som Sistema - &eacute; dele a introdu&ccedil;&atilde;o do Sistema - e, ao ouvir a  bela voz da Alfacinha, chamou e trepou pelos cabelos acima. E aqui abre-se um  par&ecirc;ntesis para se perceber como funcionava isto do "elevador de cabelos" que  n&atilde;o era feito pelo habitual carrega no bot&atilde;o, mas antes gritando para o alto da  &aacute;rvore:</p>
<p>- <strong><em>Alfacinha, Alfacinha, solta a tua cabeleira para eu subir a  &aacute;urea escaleira...</em></strong> (Escaleira &eacute; escada em espanhol, para, de  acordo com o pedido do Governo, procedermos &agrave; internacionaliza&ccedil;&atilde;o da escrita  portuga. Ah! E tamb&eacute;m d&aacute; jeito para rimar com "cabeleira").</p>
<p>&Eacute; claro que a bruxa topou a marosca, subiu com uma cabeleira pr&oacute;pria  fornecida pela Rita do Sasson Vidal, daquelas para fazer extens&otilde;es &agrave;s da Caras,  e vai da&iacute;, a barraca da Alfacinha virou Parlamento de tanta discuss&atilde;o, insultos  e asneiras trocados em on e off pelo Grunge, pela Bruxa e pela Alfacinha.</p>
<p>A coisa s&oacute; parou quando o Grunge resolveu ceder os direitos de imagem, -  videoclips e Youtube inclu&iacute;dos - &agrave; bruxa, dividindo o resto - contratos de  grava&ccedil;&atilde;o, remunera&ccedil;&otilde;es, material promocional tipo bonecas Alfacinhas com torre  de som inclu&iacute;da e iPod - a mielas.</p>
<p>Nisto, a Alfacinha percebeu que durante anos tinha sofrido a explora&ccedil;&atilde;o dos  seus cabelos para a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades de transporte de outrem e que  agora queriam explorar tamb&eacute;m a sua imagem e voz. <em>"Pelos vistos, a  rapacidade n&atilde;o tem s&oacute; a ver com o sexo"</em>, concluiu com um suspiro. E,  pirou-se da cena, indo oferecer os seus pr&eacute;stimos ao Zeinal Bava da PT que ela  sabia andar&nbsp;&agrave; procura de conte&uacute;dos para a sua luta privada com a Zon.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>FIM</em></strong></p>]]></content></entry><entry><title>Eustanásio Cafageste</title><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/8/25/eustanasio-cafageste.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/8/25/eustanasio-cafageste.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2009-08-25T18:17:33Z</published><updated>2009-08-25T18:17:33Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p><span class="Apple-style-span" style="WIDOWS: 2; TEXT-TRANSFORM: none; TEXT-INDENT: 0px; BORDER-COLLAPSE: separate; FONT: medium 'Times New Roman'; WHITE-SPACE: normal; ORPHANS: 2; LETTER-SPACING: normal; COLOR: #000000; WORD-SPACING: 0px; -webkit-border-horizontal-spacing: 0px; -webkit-border-vertical-spacing: 0px; -webkit-text-decorations-in-effect: none; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px"><span class="Apple-style-span" style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 20px; FONT-FAMILY: Georgia, 'Times New Roman', fantasy; COLOR: #323229; FONT-SIZE: 14px">
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em"><span class="full-image-float-left ssNonEditable" style="MARGIN: 0px 10px 8px 0px; FLOAT: left"><span><img style="BORDER-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-RIGHT: 0px; TEXT-DECORATION: none" src="http://www.pateira.net/storage/homunculo.bmp?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1249226414273" alt="" /></span></span>H&aacute; muito, muito tempo, mais precisamente no tempo em que os corninhos de Manuel Pinho estavam a despontar, vivia na Rinchoa, o caixeiro-fixo Manel. Fixo, porque ao contr&aacute;rio do outro, o viajante morto &agrave;s m&atilde;os de Arthur Miller, o Manel trabalhava nas caixas dos hipers de Belmiro de Azevedo. E por isso era eufemisiticamente qualificado de "economicamente muito desfavorecido". Mas a filha, a V&acirc;nia Vanessa,dizia que o pai era mais teso do que um carapau.</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">Acontece que o Manel vivia s&ograve;zinho com a petiza - a sua Maria enfeitara-lhe a testa, fugindo para parte incerta com o "Pil&atilde;o", mocet&atilde;o bem dotado que era seguran&ccedil;a no Motel Requente da Abrunheira - e tinha muita vergonha da sua pobreza, em vez de ter raiva do sistema econ&oacute;mico que tanto o marginalizara e estava sempre &agrave; procura de um modo de enriquecer facilmente.</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">Ouvira na televis&atilde;o da tasca um senhor falar sobre a rentabiliza&ccedil;&atilde;o dos activos e pensara logo em colocar a V&acirc;nia Vanessa como escort na casa da Am&eacute;lia, mas a mo&ccedil;a falava muito mal o brasileiro e f&ocirc;ra logo rejeitada. Assim, pensara em arranjar um Jotinha do PS ou, quando muito, do PSD, para marido da filhota. O Manel era um homem que matutava muito em moldes machistas e antiquados, mas sabia que quem ficava sempre com a melhor parte eram aqueles que repartiam.</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">E, com t&atilde;o indigno fim em vista, p&ocirc;s a correr o rumor de que a filha tinha o dom de transformar em ouro puro a vulgar palha do campo. O boato chegou logo aos ouvidos de Jacinto, promissor JPS de Albarraque, que convidou a V&acirc;nia Vanessa a assistir &agrave;s comemora&ccedil;&otilde;es do 1&ordm; de Maio, tendo-a encerrado, com um fardo de palha, na sub-cave do pr&eacute;dio onde partilhava um T&ecirc;-Zero com os pais.</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">Trancada na mal-cheirosa sub-cave, a V&acirc;nia Vanessa sentou-se no ch&atilde;o a chorar. Nunca o car&aacute;cter explorador da sociedade patriarcal tinha sido para ela t&atilde;o evidente. Estava lavada em l&aacute;grimas e toda ranhosa quando na dita s/c lhe apareceu um min&uacute;sculo e velho homem, decerto aparentado com o Ant&oacute;nio Vitorino, que lhe disse:</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">-<em>Porque choras meu anjo?</em>Porque n&atilde;o consigo transformar esta palha em ouro.</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">-<em>Mas porque est&aacute;s a chorar?</em>Porque &eacute; imposs&iacute;vel. Tu &eacute;s algum sobredotado ou coisa assim?</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">-<em>Filha, pensas demais com a parte esquerda do teu c&eacute;rebro. Mas, posso resolver-te o problema se me deres em troca o que te pedir, ok?</em>Mau, olha que eu n&atilde;o fa&ccedil;o servi&ccedil;o completo, percebes?</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">Bom, mas como a necessidade era muita e de puta j&aacute; a V&acirc;nia Vanessa tinha a cartilha completa, aceitou. Resulta que o homenzinho era especializado em agricultura, sobretudo em obten&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios do Minist&eacute;rio da Agricultura e da CE, e conseguiu, com a ajuda da Cooperativa dos Agricultores de Massam&aacute;, transformar a palha em v&aacute;rias tranches do QREN e, com o que sobrou dos v&aacute;rios mih&otilde;es recebidos e dados em "pagamentos de favor" aos v&aacute;rios intervenientes e partidos, fez com que a V&acirc;nia Vanesa ficasse rica e pudesse casar com o Alberto do Bloco em vez do Jacinto da JPS.</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">- E agora, minha filha, tens de me pagar o favor...</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">V&acirc;nia Vanessa come&ccedil;ara a desapertar a braguilha do hom&uacute;nculo, quando este lhe disse: Posso dispensar-te da tua obriga&ccedil;&atilde;o, se acertares no meu nome.</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">- J&aacute; sei, chamas-te Eustan&aacute;sio Cafageste. E, zum! O homem min&uacute;sculo evaporara-se, mas V&acirc;nia Vanessa ainda o ouvira perguntar: Como &eacute; que adivinhaste?</p>
<p style="MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em">N&atilde;o fora o facto de V&acirc;nia Vanessa ter guardado o tal&atilde;o de dep&oacute;sito do banco su&iacute;&ccedil;o em que aparecia o seu nome como sobrinha de Eustan&aacute;sio Cafageste e a vida podia ter-se-lhe complicado at&eacute; porque o Alberto, como bom Bloquista que se preze, n&atilde;o era favor&aacute;vel &agrave; partilha privada de bens, muito menos &agrave; explora&ccedil;&atilde;o de prolet&aacute;rias do sexo por homens min&uacute;sculos.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN-TOP: 0em; MARGIN-BOTTOM: 1em"><strong><em>FIM</em></strong></p>
</span></span></p>]]></content></entry><entry><title>Caracóis d'Ouro</title><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/8/20/caracois-douro.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/8/20/caracois-douro.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2009-08-20T18:46:13Z</published><updated>2009-08-20T18:46:13Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p><span class="full-image-float-left ssNonEditable"><span><img src="http://www.pateira.net/storage/caracois_de_ouro.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1249216264745" alt="" /></span></span>A hist&oacute;ria parecia simples: Uma menina, Carac&oacute;is de Ouro, entra abusivamente na casa dos Tr&ecirc;s Ursinhos, prova as sopas que est&atilde;o na mesa, come a melhor, desfaz as camas e dorme na que mais lhe agrada.</p>
<p>A moral tamb&eacute;m parecia simples: Quando a economia atinge o seu estado ideal, crescimento, pleno emprego e sistema financeiro com r&eacute;dea curta,deve-se impedir a tudo o custo que os economistas a estraguem.</p>
<p>Mas, nem tudo o que luz, s&atilde;o carac&oacute;is de ouro... por detr&aacute;s desta inocente - aparentemente - hist&oacute;ria infantil est&aacute; a m&atilde;o do J&oacute;ker de Gotham City! A seguir reproduzimos, de fonte segura do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, os di&aacute;logosgravados pelo telem&oacute;vel do Beb&eacute; Urso, com escutas autorizadas por aqueleJu&iacute;z que est&aacute; por detr&aacute;s do vidro, logo &agrave; esquerda de quem entra no nov&iacute;ssimo edif&iacute;cio de escrit&oacute;rios do Campus da Justi&ccedil;a na Expo:</p>
<p>(Os ursos chegaram a casa, sentaram-se - no ch&atilde;o, claro - e come&ccedil;aram a tomar o pequeno-almo&ccedil;o, mas pararam).</p>
<p><em>Esta papa tem um cheiro esquisito</em>, disse o Pap&aacute; Urso.</p>
<p><em>Pudera, para poupar a guita, obrigas-me a comprar produtos da tanga no Lidl, como &eacute; que &eacute; queres que isto saiba bem?</em> Disse a Mam&aacute; Ursa.</p>
<p><em>Daahhh! Que nojo!</em> Disse o puto que aprendera estas express&otilde;es na EB34 da Musgueira.</p>
<p>Desconfiados foram para a sala, onde o cheiro era ainda mais intenso e, seguindo o que parecia um rasto de odor a alm&iacute;scar e sovaco, chegaram ao quarto.</p>
<p><em>Daahhh! Cheira a bacalhau, que nojo!</em> O puto tivera um 1 a Portugu&ecirc;s...</p>
<p><em>Pois, mas n&atilde;o &eacute;! H&aacute; coleiras tranzistorizadas debaixo dos nossos travesseiros.</em> Disse o esperto Pap&aacute; Urso que acabara de obter a sua licenciatura nas Novas Oportunidades.</p>
<p><em>Pois &eacute;! E debaixo da minha cama est&aacute; uma gaja humana com carac&oacute;is dourados e &eacute; bu&eacute; da boa!</em> Disse o puto, desconhecendo que o que est&aacute; na moda n&atilde;o &eacute; o hetero, mas sim o homo. Tivera 8 negas, mas passara de ano, por causa, disseram-lhe,das "estat&iacute;sticas" que ele julgava serem as chefes das s&ocirc;ras dotoras.</p>
<p>Os ursos rugiram - aprenderam no Twitter - e atiraram-se &agrave; Carac&oacute;is de Ouro com garras e dentes e z&aacute;s! Devoraram-na enquanto o diabo esfrega um olho! N&atilde;o esfrega os dois, porque&eacute; zarolho, como &eacute; universalmente sabido.</p>
<p><em>&Oacute;cotas p&aacute;, eu pensavamos que &eacute;ramos vegetarianos!</em> Quem falou?</p>
<p><em>E somos</em> - disse o Eng. Pap&aacute; Urso - <em>mas estamos sempre prontos a experimentar coisas novas. A flexibilidade multicultural &eacute; apenas mais um dos dos benef&iacute;cios da democracia, quando esta &eacute; usufruida em maioria.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>FIM</strong></em></p>
<p>Alto e p&aacute;ra o baile! E onde &eacute; que est&aacute; o Joker, perguntam voc&ecirc;s. E eu sei l&aacute;!</p>]]></content></entry><entry><title>Os Três Porquinhos</title><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/8/11/os-tres-porquinhos.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/8/11/os-tres-porquinhos.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2009-08-11T21:00:07Z</published><updated>2009-08-11T21:00:07Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p><span style="color: #323229; font-family: Georgia, 'Times New Roman', fantasy; font-size: 14px; line-height: 20px;"> </span></p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;"><span class="full-image-float-left ssNonEditable" style="float: left; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 8px; margin-left: 0px;"><span><img style="text-decoration: none; border: 0px none initial;" src="http://www.pateira.net/storage/Os-tres-porquinhos.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1238700336879" alt="" /></span></span>Era uma vez tr&ecirc;s porquinhos chamados Am&eacute;rica, Europa e China. Cada um deles tinha uma casa, o que &eacute; perfeitamente compreens&iacute;vel, at&eacute; porque hoje qualquer badameco tem casa pr&oacute;pria gra&ccedil;as ao "subprime". Uma das casas era de palha, outra de madeira e a outra de barro e trepadeiras amassados em forma de tijolo que &eacute; como quem diz, "high-tech com p&eacute;s-de-barro". E pronto, viviam muito felizes at&eacute; porque, de vez em quando, um ia a casa do outro e este &agrave; do outro e era tudo assim a modos que uma orgia de maricon&ccedil;os. Ah! infelizmente os porquinhos n&atilde;o podiam casar, porque n&atilde;o havia ainda casamento com separa&ccedil;&atilde;o de bens.</p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;">Entretanto apareceu o F--D-P-- do lobo que se chamava Maddoff &amp; Cia, porque era de uma grande fam&iacute;lia deF--s D-P-- que queriam lixar os porquinhos fosse de que maneira fosse, mesmo que lhes tivessem que sacar as tais casas do "subprime" e p&ocirc;-los a todos no despejo, por "default". Este Maddoff &amp; Cia era, no fundo, um tipo cheio de ideas expansionistas e quando viu os porquinhos numa dessas tais orgias, ficou muito perturbado tanto no sentido f&iacute;sico como no sentido ideol&oacute;gico, at&eacute; porque era neoliberal at&eacute; &agrave; ra&iacute;z dos p&ecirc;los, porque os lobos, como &eacute; sabido, n&atilde;o t&ecirc;m cabelo, s&oacute; guedelhas.</p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;">Bom, j&aacute; sabem que o gajo lixou o Am&eacute;rica que era o porquinho da palhota, logo de seguida atacou o Europa e l&aacute; se foi a cabana e, quando chegou &agrave; casa do China -<em>n&atilde;o o China de Vilamoura que &eacute; amigo do Figo, mas o outro, o dos jogos ol&iacute;mpicos</em>- tentou, tentou, tentou... e nada!</p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;">Nada, porque desta feita os tr&ecirc;s porquinhos responderam entoando can&ccedil;&otilde;es de solidariedade e escrevendo cartas de protesto para as Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Vai da&iacute;, o loboMaddoff &amp; Cia ficou furioso e por isso inspirou e soprou, inspirou e soprou, at&eacute; que se agarrou ao peito e caiu fulminado por um ataque card&iacute;aco.</p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;">Logo a seguir e depois de dan&ccedil;arem o Lago dos Cisnes &agrave; volta do cad&aacute;ver do lobo -<em>bem vos tinha dito que eram uns porquinhos maricon&ccedil;os</em>- instauraram uma democracia socialista modelar, com educa&ccedil;&atilde;o gratuita, cuidados de sa&uacute;de universais e habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel para todos, isto &eacute;, constru&ccedil;&atilde;o a custos controlados. Mas votaram contra os casamentos de gays e l&eacute;sbicas, por causa da tal falta de separa&ccedil;&atilde;o de bens, porque eles bem que eram maricon&ccedil;os, mas n&atilde;o parvos.</p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;">Mais se declara que o lobo desta hist&oacute;ria foi uma inven&ccedil;&atilde;o metaf&oacute;rica do autor, por encharcamento de vinho tinto. Nenhum lobo de verdade foi molestado na feitura desta hist&oacute;ria. Sobretudo os lobos do ramo Europeu da fam&iacute;liaMaddoff &amp; Cia.</p>]]></content></entry><entry><title>Machismo</title><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/8/10/machismo.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/8/10/machismo.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2009-08-10T21:00:40Z</published><updated>2009-08-10T21:00:40Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p><span style="color: #323229; font-family: Georgia, 'Times New Roman', fantasy; font-size: 14px; line-height: 20px;"> </span></p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;"><span class="full-image-float-left ssNonEditable" style="float: left; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 8px; margin-left: 0px;"><span><img style="text-decoration: none; width: 150px; border: 0px none initial;" src="http://www.pateira.net/storage/Capuchinho_Vermelho.bmp?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1232887977513" alt="" /></span></span>Estava a Capuchinho Vermelho a debater-se em feroz luta conta o Lobo Mau, quando um lenhador (ou t&eacute;cnico de combust&iacute;vel f&oacute;ssil, como preferia que lhe chamassem) irrompeu, de machado em punho, pela casa da av&oacute;.</p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;">- Que pensa o cavalheiro que est&aacute; a fazer? - perguntou, irada, a Capuchinho Vermelho.</p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;">- Entrar aqui como um homem de Neanderthal, deixando que a sua arma pense por si! - Machista! Como se atreve a presumir que mulheres e lobos s&atilde;o incapazes de resolverem os seus problemas sem a ajuda de um homem? Ora essa!</p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;">Ao ouvir o discurso arrebatado da Capuchinho Vermelho, a Avozinha saltou de dentro da boca do Lobo Mau e, agarrando no machado do lenhador, z&aacute;s! cortou-lhe a cabe&ccedil;a.</p>
<p style="margin-bottom: 1em; margin-top: 0em;">Assim, a Capuchinho Vermelho, o Lobo Mau e a Avozinha decidiram logo ali formarem uma fam&iacute;lia alternativa, baseada no respeito m&uacute;tuo e na coopera&ccedil;&atilde;o<em>and... they lived happy forever!</em></p>]]></content></entry><entry><title>Audiência Prévia</title><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/2/2/audiencia-previa.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2009/2/2/audiencia-previa.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2009-02-02T19:45:00Z</published><updated>2009-02-02T19:45:00Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p><span class="full-image-float-left ssNonEditable"><span><img src="http://www.pateira.net/storage/seventhseal.gif?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1233683216915" alt="" /></span></span>Se escutar Deus &eacute; falarmos com a nossa alma, isto quer dizer que consigo falar contigo, pois t&uacute; deves ser a dona da minha alma, ou n&atilde;o? Afinal &eacute; para ti que nascemos, &eacute; a ti que questionamos quando filosofamos, quando dizemos - t&uacute; sabes, da boca para fora! - qual &eacute; o objectivo desta nossa breve passagem, s&oacute; sei que nada sei, cogito ergo sum...</p>
<p>N&atilde;o falas, ou sou eu que n&atilde;o sei escutar, que n&atilde;o conhe&ccedil;o a ra&iacute;z judaica da palavra? Sabes que sei distinguir entre ouvir - o ganir do c&atilde;o, o som do trov&atilde;o - e escutar, saber quem fala e usar a intelig&ecirc;ncia para entender o fraseado. Mas t&uacute; n&atilde;o falas antes da hora que s&oacute; t&uacute; conheces ou escolhes. &nbsp;At&eacute; l&aacute;, est&aacute;s sempre presente, &eacute;s a eternidade absoluta, n&atilde;o aquela rom&acirc;ntica do diamante...&nbsp;</p>
<p>Todos te conhecemos, todos temos encontro marcado contigo, e por isso te tememos ou preferimos ignorar-te. Tamb&eacute;m eu era assim, mas agora desafio-te, agora quero escutar-te e j&aacute; descobri como p&ocirc;r-te a falar. &nbsp;N&atilde;o vens, n&atilde;o chegas determinado dia... t&uacute; n&atilde;o obedeces a nada nem a ningu&eacute;m, n&atilde;o vais por a&iacute;... est&aacute;s sempre presente, imp&aacute;vida e serena. &nbsp;E nem sequer pestanejaste quando li o romance das tuas intermit&ecirc;ncias. &nbsp;Est&aacute;s acima da nossa imagina&ccedil;&atilde;o, acima da nossa criatividade, dos pr&eacute;mios, da riqueza, das vaidades em que nos atolamos. &nbsp;&Eacute;s, sem mais!</p>
<p>Mas o meu problema n&atilde;o &eacute; contigo. &nbsp;N&atilde;o, n&atilde;o te menosprezo, descansa. &nbsp;Refiro-me a mim e ao nosso "encontro de contas". &nbsp;Sim, &agrave; minha "accountability" perante ti. &nbsp;&Eacute; isso que me espera, n&atilde;o &eacute;? &nbsp;Por isso e &agrave; espera disso est&aacute;s aqui comigo, meu fiel c&atilde;o de guarda. A Grande Ju&iacute;za, infal&iacute;vel, sem tribunal, oficial de justi&ccedil;a, advogado ou acusador p&uacute;blico. &nbsp;T&uacute; &eacute;s o &uacute;nico tribunal que nem de causa precisa. &nbsp;Deste-ma, mal nasci. &nbsp;</p>
<p>E sabes qual &eacute; o meu medo, perante ti? &nbsp;N&atilde;o conhe&ccedil;o a tua balan&ccedil;a, n&atilde;o sei que pesos l&aacute; colocar. &nbsp;A minha estupidez, a minha forma de vida, seja l&aacute; isso o que f&ocirc;r, os meus sonhos n&atilde;o realizados, os meus mal-amados, a minha falta ou excesso de ambi&ccedil;&atilde;o, a minha honradez? &nbsp; Entendes-me, ou isto para ti &eacute; o nada? &nbsp;Pois... n&atilde;o falas... eu sei!</p>
<p>Mas est&aacute;s mais perto de mim, admite. &nbsp;N&atilde;o no tempo, - isso, s&oacute; t&uacute; sabes - mas no espa&ccedil;o. Espa&ccedil;o/tempo, o Einstein procurou-te por a&iacute;, enlouquecido pela d&uacute;vida. &nbsp;Gostaria de saber se foi absolvido ou condenado, mas o teu tribunal &eacute; privado. &nbsp;Mas eu, sem &acirc;nsias de procura, j&aacute; ganhei um pouco da tua proximidade, mesmo que n&atilde;o te agrade. &nbsp;Desculpa-me o atrevimento, mas &eacute; que vamos ter de conversar, nessa dia, local e hora da tua prefer&ecirc;ncia.</p>
<p>Espera, n&atilde;o acabei! Desprezo o teu sil&ecirc;ncio, sabias? &nbsp;E n&atilde;o me escuso a chamar-te pelo nome, minha morte. &nbsp;E n&atilde;o acredito que me fa&ccedil;as pagar por este desafio. &nbsp;Se eu sou teu, t&uacute; &eacute;s s&oacute; minha, de mais ningu&eacute;m! &nbsp;Como se f&ocirc;ssemos amantes... somos?</p>]]></content></entry><entry><title>Amuse Buche</title><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2008/4/16/amuse-buche.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2008/4/16/amuse-buche.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2008-04-16T09:59:00Z</published><updated>2008-04-16T09:59:00Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 235px; height: 313px" alt="boneca_porcelana.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/boneca_porcelana.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1208295588020" /></span>Por uma mulher que n&atilde;o&nbsp;nos conhe&ccedil;a,&nbsp;tudo fazemos para&nbsp;a conhecer, na esperan&ccedil;a de que ela, assim, nos possa compreender.&nbsp;S&atilde;o as leis da gramática, da síntaxe, da sem&acirc;ntica.&nbsp; Procura-se a compreens&atilde;o.&nbsp; Estranho&nbsp;&eacute; quando a compreendemos, sem a conhecer, e ela nos conhece, sem nos compreender.&nbsp; Mas, já dizem os linguistas, que se pode falar sem se conhecerem as regras da linguística.&nbsp; Ou, como o Cristiano Ronaldo, cuja&nbsp;habilidade no pontapear do esf&eacute;rico n&atilde;o confere nem exige nenhum conhecimento das leis da mec&acirc;nica. &nbsp;Por isso, por ela me apaixonei.&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">Boneca de porcelana com c&eacute;rebro de Einstein &eacute; coisa que n&atilde;o existe; ou uma ou outra, ou ent&atilde;o &eacute; pura confus&atilde;o.&nbsp; Porque este ser e, ao mesmo tempo n&atilde;o ser, n&atilde;o &eacute; quest&atilde;o se ponha. É pe&ccedil;a Shakespeariana.&nbsp; E, no entanto, existe. As mulheres, supostamente, n&atilde;o s&atilde;o assim. Pensavam-no os meus av&ocirc;s, talvez o meu pai. E eu tamb&eacute;m, que a esta fatalidade do ADN ningu&eacute;m escapa.&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">E &eacute; pelo&nbsp;dual que amo esta mulher.&nbsp; Porque do eu e do ela - que esse sim conhe&ccedil;o - forjo o número tr&ecirc;s e come&ccedil;a o meu plural. É a mística do sim e do n&atilde;o, do fogo e da água, do riso e do sil&ecirc;ncio.&nbsp; E, a partir daí, cresceu o meu amor ou, como diria Alberoni, nasceu o meu estado de enamoramento. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Mas, &quot;h&eacute;las, les amoureux sont seuls au monde...&quot;, fiquei eu tamb&eacute;m só, perdido o meu elixir da eterna juventude e da pedra filsofal.&nbsp; Porque ela, boneca de porcelana com c&eacute;rebro de Einstein, mulher-sonho de qualquer homem, Alice no Deserto Namibiano, &eacute; mulher de um só.&nbsp; Que n&atilde;o eu. Eu vivo a libertá-la do seu passado, a aligeirar-lhe a dor com a minha gentileza dolorida.&nbsp; Dou-lhe o prazer de se sentir amada.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Já se sabe que quanto maior &eacute; a tarefa,&nbsp;tanto mais longa &eacute; a viagem&nbsp;e menos provável a chegada.&nbsp; É assim o meu imaginário da boneca&nbsp;de porcelana com c&eacute;rebro de Einstein: &eacute; uma explora&ccedil;&atilde;o do possível feita a partir do impossível.&nbsp; A minha história reduz-se assim &agrave; história daquela viagem,&nbsp;sem que haja um porto de abrigo&nbsp;ou horizonte de chegada.&nbsp;Amuse buche do meu cocktail sentimental.</p><p style="text-align: justify" align="justify">E por isso eu amo uma mulher que n&atilde;o conhe&ccedil;o, que nunca vi ou ouvi, com corpo de boneca de porcelana e c&eacute;rebro de Einstein.</p>]]></content></entry><entry><title>Montras de Natal</title><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/12/7/montras-de-natal.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/12/7/montras-de-natal.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2006-12-08T15:59:00Z</published><updated>2006-12-08T15:59:00Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p><span class="full-image-float-left"><img style="width: 231px; height: 283px" alt="Montra_natal.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/Montra_natal.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1164803851739" /></span>- Táxi!&nbsp;&nbsp;É para a Av. da Liberdade, junto ao Tivoli.</p><p>- Uma última compra antes do Natal...</p><p>- N&atilde;o.&nbsp; Uma última <strong>reuni&atilde;o</strong>, antes do Natal.</p><p>- Nem todos somos iguais.</p><p>- Pois n&atilde;o.&nbsp; Eu vou sentado atrás...</p><p>- N&atilde;o acredita, ent&atilde;o, na igualdade entre os seres humanos...</p><p>- Voc&ecirc; o disse.</p><p>- Uns t&ecirc;m tudo e outros nada t&ecirc;m.&nbsp; Uns sentam-se atrás e outros conduzem?&nbsp;&nbsp; Isto, conduzir em Lisboa, em Dezembro... haja paci&ecirc;ncia!&nbsp; Já nem a faixa do BUS &eacute; respeitada!</p><p>- ...aha...</p><p>- Mas esta quest&atilde;o da igualdade n&atilde;o pode ser aceite em termos racionais.&nbsp;&nbsp;Seria n&atilde;o aceitarmos a diferen&ccedil;a.&nbsp; Que pode ser e &eacute;, muitas vezes, inata.&nbsp; A cor da pele, a religi&atilde;o, a heran&ccedil;a gen&eacute;tica.&nbsp; Os homens das Luzes quiseram&nbsp;matar Deus e Este, deu-lhes a ci&ecirc;ncia!&nbsp;</p><p>- &nbsp;N&atilde;o acha injusto conduzir um táxi, ser chófer?</p><p>- Ah, a Justi&ccedil;a!&nbsp; Essa n&atilde;o quer saber da igualdade, sabia?</p><p>- Ai, n&atilde;o!?</p><p>- N&atilde;o.&nbsp; Interessa-lhe, t&atilde;o só, <em>a igualdade de condi&ccedil;&otilde;es</em>.&nbsp; Voc&ecirc;, pelos vistos, soube aproveitá-las melhor do que eu...</p><p>- Pelos vistos.&nbsp; Talvez n&atilde;o tenha sido t&atilde;o racionalista como voc&ecirc;.&nbsp; Sou mais Sartriano;&nbsp; nunca acreditei em destinos pr&eacute;-concebidos.</p><p>- Este semáforo tem o verde desligado!&nbsp; Acredita, ent&atilde;o,&nbsp;na liberdade individual, mas enquadrada num paradigma social?</p><p>- Fala do sucesso?</p><p>- Isso &eacute;, para si, um paradigma?</p><p>- Claro</p><p>- Ent&atilde;o viva a liberdade.&nbsp; A <strong>sua</strong> liberdade.&nbsp; Aí atrás.&nbsp; </p><p>- </p><p>- Ande lá, minha senhora, páre de olhar para as montras de Natal.&nbsp; Há quen tenha pressa, sabia?</p><p>- Há quem se esque&ccedil;a de que tem de conduzir.</p><p>- Verdade, meu caro fregu&ecirc;s, verdade.&nbsp; A propósito, o meu amigo &eacute; do Benfica&nbsp; ou do Sporting?</p>]]></content></entry><entry><title>Inerte</title><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/11/9/inerte.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/11/9/inerte.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2006-11-09T15:59:00Z</published><updated>2006-11-09T15:59:00Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 235px; height: 238px" alt="inerte.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/inerte.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1162988136046" /></span>Nos teus ombros sentes&nbsp;o ligeiro aperto dos bra&ccedil;os dela, mas a respira&ccedil;&atilde;o quase que n&atilde;o se ouve.&nbsp; Mas ela está lá, nua, debaixo do teu corpo.&nbsp;&nbsp;Vieram-te &agrave; memória&nbsp;os abra&ccedil;os das partidas, mas faltava-te o ruído dos aeroportos e cais de embarques.&nbsp; Ao redor de ti,&nbsp;só o sil&ecirc;ncio que n&atilde;o queres, n&atilde;o deves interromper.&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">Sabias&nbsp;que estavam ambos cansados n&atilde;o por for&ccedil;a de darem, mas pela falta da dávida.&nbsp; Que sentido faziam aqueles dois corpos abra&ccedil;ados?&nbsp; Nem desespero havia, apenas&nbsp;uma longa espera,&nbsp;da derrota?</p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o&nbsp;te disse&nbsp;ela, tantas vezes, que o medo a paralisava,&nbsp; que o amor entre ambos estava estagnado, que precisava de alimento?&nbsp; Sim, mas a culpa n&atilde;o era tua.&nbsp; Nunca tinhas amado tanto uma mulher.&nbsp; Nem imaginavas que te fosse possível amar assim.&nbsp; Aquela mulher que&nbsp;criastes estava a fugir-te, entre os dedos, amando-te sofregamente.&nbsp;Mas, abandonando-te.&nbsp; Fraca, sim, era o que dela a tua raiva, desespero?&nbsp;te fazia&nbsp;pensar.&nbsp; Meu Deus, como detestavas os vencidos!</p><p style="text-align: justify" align="justify">Mas, o que &eacute; que ela quer?&nbsp; Continuar com a sua vidinha recheada de certezas e monotonias?&nbsp; Continuar pe&ccedil;a de mobiliário num lar de bonecas e esterótipos de felicidade?&nbsp; Ponto finito na estatística da imoralidade vigente? &nbsp;Ah, os poetas n&atilde;o conhecem a mesquinhez da realidade, da seguran&ccedil;a, do futurozinho adquirido junto do caixote&nbsp;da TV, das revistas cor-de-rosa, da ida &agrave; praia, das festas de aniversário, dos natais em família...&nbsp;ainda há?.&nbsp; Esses sonhos n&atilde;o s&atilde;o po&eacute;ticos, s&atilde;o porcaria.&nbsp;&nbsp;Merda de vida!</p><p style="text-align: justify" align="justify"><strong><span class="sizeGreater20"><em>O amor &eacute; infinito, posto que &eacute; chama!</em></span>&nbsp;</strong>&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">Ó senhor poeta, n&atilde;o conhece o interruptor da luz?&nbsp; Carrega e acende, carrega e apaga.&nbsp; Sem medo de queimaduras, sem tempo precioso perdido a ver o carv&atilde;o nascer da madeira ardente.&nbsp; Morreu, senhor poeta, voc&ecirc; morreu!</p><p style="text-align: justify" align="justify">- Vens?</p><p style="text-align: justify" align="justify">Olhas para ela... o suti&atilde; branco cobrindo os seios que adoras beijar.&nbsp; Brinca com a blusa.&nbsp; Castanha, fina, em bico.&nbsp; Dobra-a, desdobra-a, olha para ti e oferece-te um sorriso.&nbsp; Condescendente.&nbsp; É lindo aquele rosto.&nbsp; De m&atilde;e.</p><p style="text-align: justify" align="justify">- Fico</p><p style="text-align: justify" align="justify">Lutar, para qu&ecirc;?&nbsp; Há mar e mar, há ir e voltar, n&atilde;o &eacute;?&nbsp; Mas tens medo do fim... poderá n&atilde;o haver mais mar.&nbsp; Sobretudo esse que tu queres, sereno, acolhedor.&nbsp; Estás farto de lutar contra as ondas.&nbsp; Era bom boiar... para sempre, at&eacute; ao fundo... da terra.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Absurdamente&nbsp;inerte.</p>]]></content></entry><entry><title>Se Queria...</title><id>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/10/4/se-queria.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/10/4/se-queria.html"/><author><name>Luís Antunes</name></author><published>2006-10-04T14:59:00Z</published><updated>2006-10-04T14:59:00Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-PT"><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 198px; height: 263px" alt="noite3.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/noite3.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1159728202640" /></span>É esta a famosa&nbsp;e estúpida posi&ccedil;&atilde;o do escritor...&nbsp; debru&ccedil;ado sobre a&nbsp;página em branco ou, modernamente,&nbsp;a olhar, em frente, para um ecr&atilde; vazio?&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o.&nbsp; É uma daquelas frases feitas&nbsp;nascida de algum &quot;best-seller&quot;.&nbsp;&nbsp;Porque nunca ningu&eacute;m diz ao escritor: faz, mancha a folha, enche o ecr&atilde;.&nbsp; Porqu&ecirc; e para qu&ecirc;, pergunto-me eu que n&atilde;o sou o tal escritor, n&atilde;o tenho qualquer obriga&ccedil;&atilde;o nem necessidade urgente de fama.&nbsp; Afinal o que quero eu diante de um&nbsp;ecr&atilde;?&nbsp; Contar a minha vida, exorcizar algum fantasma, ou simplesmente passar tempo?&nbsp; De tudo um pouco,&nbsp;pois encontro um certo fascínio em olhar para os meus dedos a carregar em teclas pretas, sarapintadas com caracteres brancos.&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">S&atilde;o assim os escritores levianos;&nbsp; divertem-se a escrever palavras e est&atilde;o-se nas tintas para os leitores.&nbsp; Se calhar, os s&eacute;rios s&atilde;o iguais.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Será isto&nbsp;um exercício de solid&atilde;o que nunca se quis ou a constata&ccedil;&atilde;o de que o aquele&nbsp;&quot;amigo&quot; dizia tinha um fundo de verdade:&nbsp; escreve um livro, tens jeito, para o resto n&atilde;o, falta-te a&nbsp;motiva&ccedil;&atilde;o , n&atilde;o nasceste para isso, a tua vida foi um engano. E, o livro, &eacute; refugo, caixote do lixo?</p><p style="text-align: justify" align="justify">E aquela frase de boca desconhecida:&nbsp; quando &eacute; que vai pensar em si, viver a sua vida?&nbsp; Já ouvi isto antes... mas esqueci?</p><p style="text-align: justify" align="justify">Abre os olhos e v&ecirc; como vias quando eras inconsciente do sucesso ou do fracasso, mas n&atilde;o da virtude humana.&nbsp; Porque nessa altura&nbsp;ela existia e chamava-se amizade.&nbsp; Hoje &eacute; apenas um jogo de interesses, de utilidades, de bens de troca.&nbsp; Tudo e nada &eacute; teu, porque n&atilde;o podes partilhar.&nbsp; Como&nbsp;tantas vezes fizeste com os teus sentimentos e com as tuas mulheres.&nbsp; Um breve período de paix&atilde;o bastava.&nbsp; Depois vinha o sil&ecirc;ncio. </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Tr&ecirc;s </p><p style="text-align: justify" align="justify">-&nbsp;O qu&ecirc;?&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">- É a tua terceira palavra esta noite...&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">E já eu estava a parar o carro, viagem acabada.&nbsp; Merda, -&nbsp;porque &eacute; que merda&nbsp;me faz lembrar estas escritoras parvas de hoje? -&nbsp;a gaja&nbsp;tinha raz&atilde;o e tudo isto porque nunca te conformaste contigo mesmo, sempre &agrave; procura do julgamento feminino, do conforto de saber-se querido.&nbsp; Ah, mas foi bom, n&atilde;o nego.&nbsp; Era um viciado nesse jogo.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Mas agora que &eacute; tarde, muito tarde, perguntas-te, afinal, o que &eacute; o amor?&nbsp; Como se deve viver?&nbsp; Porra, n&atilde;o sei.&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">Mas queria viver a minha vida.&nbsp;&nbsp;Se queria...</p>]]></content></entry></feed>
