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<!--Generated by Squarespace Site Server v5.0.0 (http://www.squarespace.com/) on Wed, 20 Aug 2008 13:48:34 GMT--><rdf:RDF xmlns:rdf="http://www.w3.org/1999/02/22-rdf-syntax-ns#" xmlns:rss="http://purl.org/rss/1.0/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:admin="http://webns.net/mvcb/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:cc="http://web.resource.org/cc/"><rss:channel rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/"><rss:title>Short Stories / Contos</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/</rss:link><rss:description></rss:description><dc:language>pt-PT</dc:language><dc:date>2008-08-20T13:48:34Z</dc:date><admin:generatorAgent rdf:resource="http://www.squarespace.com/">Squarespace Site Server v5.0.0 (http://www.squarespace.com/)</admin:generatorAgent><rss:items><rdf:Seq><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2008/4/16/amuse-buche.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/12/7/montras-de-natal.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/11/9/inerte.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/10/4/se-queria.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/7/13/o-amigo-joo.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/6/24/a-pedra-cbica.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-1-parte.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-2-parte.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-3-parte.html"/><rdf:li rdf:resource="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-fim.html"/></rdf:Seq></rss:items></rss:channel><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2008/4/16/amuse-buche.html"><rss:title>Amuse Buche</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2008/4/16/amuse-buche.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2008-04-16T09:59:00Z</dc:date><dc:subject></dc:subject><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 235px; height: 313px" alt="boneca_porcelana.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/boneca_porcelana.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1208295588020" /></span>Por uma mulher que n&atilde;o&nbsp;nos conhe&ccedil;a,&nbsp;tudo fazemos para&nbsp;a conhecer, na esperan&ccedil;a de que ela, assim, nos possa compreender.&nbsp;S&atilde;o as leis da gramática, da síntaxe, da sem&acirc;ntica.&nbsp; Procura-se a compreens&atilde;o.&nbsp; Estranho&nbsp;&eacute; quando a compreendemos, sem a conhecer, e ela nos conhece, sem nos compreender.&nbsp; Mas, já dizem os linguistas, que se pode falar sem se conhecerem as regras da linguística.&nbsp; Ou, como o Cristiano Ronaldo, cuja&nbsp;habilidade no pontapear do esf&eacute;rico n&atilde;o confere nem exige nenhum conhecimento das leis da mec&acirc;nica. &nbsp;Por isso, por ela me apaixonei.&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">Boneca de porcelana com c&eacute;rebro de Einstein &eacute; coisa que n&atilde;o existe; ou uma ou outra, ou ent&atilde;o &eacute; pura confus&atilde;o.&nbsp; Porque este ser e, ao mesmo tempo n&atilde;o ser, n&atilde;o &eacute; quest&atilde;o se ponha. É pe&ccedil;a Shakespeariana.&nbsp; E, no entanto, existe. As mulheres, supostamente, n&atilde;o s&atilde;o assim. Pensavam-no os meus av&ocirc;s, talvez o meu pai. E eu tamb&eacute;m, que a esta fatalidade do ADN ningu&eacute;m escapa.&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">E &eacute; pelo&nbsp;dual que amo esta mulher.&nbsp; Porque do eu e do ela - que esse sim conhe&ccedil;o - forjo o número tr&ecirc;s e come&ccedil;a o meu plural. É a mística do sim e do n&atilde;o, do fogo e da água, do riso e do sil&ecirc;ncio.&nbsp; E, a partir daí, cresceu o meu amor ou, como diria Alberoni, nasceu o meu estado de enamoramento. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Mas, &quot;h&eacute;las, les amoureux sont seuls au monde...&quot;, fiquei eu tamb&eacute;m só, perdido o meu elixir da eterna juventude e da pedra filsofal.&nbsp; Porque ela, boneca de porcelana com c&eacute;rebro de Einstein, mulher-sonho de qualquer homem, Alice no Deserto Namibiano, &eacute; mulher de um só.&nbsp; Que n&atilde;o eu. Eu vivo a libertá-la do seu passado, a aligeirar-lhe a dor com a minha gentileza dolorida.&nbsp; Dou-lhe o prazer de se sentir amada.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Já se sabe que quanto maior &eacute; a tarefa,&nbsp;tanto mais longa &eacute; a viagem&nbsp;e menos provável a chegada.&nbsp; É assim o meu imaginário da boneca&nbsp;de porcelana com c&eacute;rebro de Einstein: &eacute; uma explora&ccedil;&atilde;o do possível feita a partir do impossível.&nbsp; A minha história reduz-se assim &agrave; história daquela viagem,&nbsp;sem que haja um porto de abrigo&nbsp;ou horizonte de chegada.&nbsp;Amuse buche do meu cocktail sentimental.</p><p style="text-align: justify" align="justify">E por isso eu amo uma mulher que n&atilde;o conhe&ccedil;o, que nunca vi ou ouvi, com corpo de boneca de porcelana e c&eacute;rebro de Einstein.</p>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/12/7/montras-de-natal.html"><rss:title>Montras de Natal</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/12/7/montras-de-natal.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2006-12-08T15:59:00Z</dc:date><dc:subject></dc:subject><content:encoded><![CDATA[<p><span class="full-image-float-left"><img style="width: 231px; height: 283px" alt="Montra_natal.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/Montra_natal.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1164803851739" /></span>- Táxi!&nbsp;&nbsp;É para a Av. da Liberdade, junto ao Tivoli.</p><p>- Uma última compra antes do Natal...</p><p>- N&atilde;o.&nbsp; Uma última <strong>reuni&atilde;o</strong>, antes do Natal.</p><p>- Nem todos somos iguais.</p><p>- Pois n&atilde;o.&nbsp; Eu vou sentado atrás...</p><p>- N&atilde;o acredita, ent&atilde;o, na igualdade entre os seres humanos...</p><p>- Voc&ecirc; o disse.</p><p>- Uns t&ecirc;m tudo e outros nada t&ecirc;m.&nbsp; Uns sentam-se atrás e outros conduzem?&nbsp;&nbsp; Isto, conduzir em Lisboa, em Dezembro... haja paci&ecirc;ncia!&nbsp; Já nem a faixa do BUS &eacute; respeitada!</p><p>- ...aha...</p><p>- Mas esta quest&atilde;o da igualdade n&atilde;o pode ser aceite em termos racionais.&nbsp;&nbsp;Seria n&atilde;o aceitarmos a diferen&ccedil;a.&nbsp; Que pode ser e &eacute;, muitas vezes, inata.&nbsp; A cor da pele, a religi&atilde;o, a heran&ccedil;a gen&eacute;tica.&nbsp; Os homens das Luzes quiseram&nbsp;matar Deus e Este, deu-lhes a ci&ecirc;ncia!&nbsp;</p><p>- &nbsp;N&atilde;o acha injusto conduzir um táxi, ser chófer?</p><p>- Ah, a Justi&ccedil;a!&nbsp; Essa n&atilde;o quer saber da igualdade, sabia?</p><p>- Ai, n&atilde;o!?</p><p>- N&atilde;o.&nbsp; Interessa-lhe, t&atilde;o só, <em>a igualdade de condi&ccedil;&otilde;es</em>.&nbsp; Voc&ecirc;, pelos vistos, soube aproveitá-las melhor do que eu...</p><p>- Pelos vistos.&nbsp; Talvez n&atilde;o tenha sido t&atilde;o racionalista como voc&ecirc;.&nbsp; Sou mais Sartriano;&nbsp; nunca acreditei em destinos pr&eacute;-concebidos.</p><p>- Este semáforo tem o verde desligado!&nbsp; Acredita, ent&atilde;o,&nbsp;na liberdade individual, mas enquadrada num paradigma social?</p><p>- Fala do sucesso?</p><p>- Isso &eacute;, para si, um paradigma?</p><p>- Claro</p><p>- Ent&atilde;o viva a liberdade.&nbsp; A <strong>sua</strong> liberdade.&nbsp; Aí atrás.&nbsp; </p><p>- </p><p>- Ande lá, minha senhora, páre de olhar para as montras de Natal.&nbsp; Há quen tenha pressa, sabia?</p><p>- Há quem se esque&ccedil;a de que tem de conduzir.</p><p>- Verdade, meu caro fregu&ecirc;s, verdade.&nbsp; A propósito, o meu amigo &eacute; do Benfica&nbsp; ou do Sporting?</p>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/11/9/inerte.html"><rss:title>Inerte</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/11/9/inerte.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2006-11-09T15:59:00Z</dc:date><dc:subject></dc:subject><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 235px; height: 238px" alt="inerte.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/inerte.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1162988136046" /></span>Nos teus ombros sentes&nbsp;o ligeiro aperto dos bra&ccedil;os dela, mas a respira&ccedil;&atilde;o quase que n&atilde;o se ouve.&nbsp; Mas ela está lá, nua, debaixo do teu corpo.&nbsp;&nbsp;Vieram-te &agrave; memória&nbsp;os abra&ccedil;os das partidas, mas faltava-te o ruído dos aeroportos e cais de embarques.&nbsp; Ao redor de ti,&nbsp;só o sil&ecirc;ncio que n&atilde;o queres, n&atilde;o deves interromper.&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">Sabias&nbsp;que estavam ambos cansados n&atilde;o por for&ccedil;a de darem, mas pela falta da dávida.&nbsp; Que sentido faziam aqueles dois corpos abra&ccedil;ados?&nbsp; Nem desespero havia, apenas&nbsp;uma longa espera,&nbsp;da derrota?</p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o&nbsp;te disse&nbsp;ela, tantas vezes, que o medo a paralisava,&nbsp; que o amor entre ambos estava estagnado, que precisava de alimento?&nbsp; Sim, mas a culpa n&atilde;o era tua.&nbsp; Nunca tinhas amado tanto uma mulher.&nbsp; Nem imaginavas que te fosse possível amar assim.&nbsp; Aquela mulher que&nbsp;criastes estava a fugir-te, entre os dedos, amando-te sofregamente.&nbsp;Mas, abandonando-te.&nbsp; Fraca, sim, era o que dela a tua raiva, desespero?&nbsp;te fazia&nbsp;pensar.&nbsp; Meu Deus, como detestavas os vencidos!</p><p style="text-align: justify" align="justify">Mas, o que &eacute; que ela quer?&nbsp; Continuar com a sua vidinha recheada de certezas e monotonias?&nbsp; Continuar pe&ccedil;a de mobiliário num lar de bonecas e esterótipos de felicidade?&nbsp; Ponto finito na estatística da imoralidade vigente? &nbsp;Ah, os poetas n&atilde;o conhecem a mesquinhez da realidade, da seguran&ccedil;a, do futurozinho adquirido junto do caixote&nbsp;da TV, das revistas cor-de-rosa, da ida &agrave; praia, das festas de aniversário, dos natais em família...&nbsp;ainda há?.&nbsp; Esses sonhos n&atilde;o s&atilde;o po&eacute;ticos, s&atilde;o porcaria.&nbsp;&nbsp;Merda de vida!</p><p style="text-align: justify" align="justify"><strong><span class="sizeGreater20"><em>O amor &eacute; infinito, posto que &eacute; chama!</em></span>&nbsp;</strong>&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">Ó senhor poeta, n&atilde;o conhece o interruptor da luz?&nbsp; Carrega e acende, carrega e apaga.&nbsp; Sem medo de queimaduras, sem tempo precioso perdido a ver o carv&atilde;o nascer da madeira ardente.&nbsp; Morreu, senhor poeta, voc&ecirc; morreu!</p><p style="text-align: justify" align="justify">- Vens?</p><p style="text-align: justify" align="justify">Olhas para ela... o suti&atilde; branco cobrindo os seios que adoras beijar.&nbsp; Brinca com a blusa.&nbsp; Castanha, fina, em bico.&nbsp; Dobra-a, desdobra-a, olha para ti e oferece-te um sorriso.&nbsp; Condescendente.&nbsp; É lindo aquele rosto.&nbsp; De m&atilde;e.</p><p style="text-align: justify" align="justify">- Fico</p><p style="text-align: justify" align="justify">Lutar, para qu&ecirc;?&nbsp; Há mar e mar, há ir e voltar, n&atilde;o &eacute;?&nbsp; Mas tens medo do fim... poderá n&atilde;o haver mais mar.&nbsp; Sobretudo esse que tu queres, sereno, acolhedor.&nbsp; Estás farto de lutar contra as ondas.&nbsp; Era bom boiar... para sempre, at&eacute; ao fundo... da terra.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Absurdamente&nbsp;inerte.</p>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/10/4/se-queria.html"><rss:title>Se Queria...</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/10/4/se-queria.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2006-10-04T14:59:00Z</dc:date><dc:subject></dc:subject><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 198px; height: 263px" alt="noite3.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/noite3.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1159728202640" /></span>É esta a famosa&nbsp;e estúpida posi&ccedil;&atilde;o do escritor...&nbsp; debru&ccedil;ado sobre a&nbsp;página em branco ou, modernamente,&nbsp;a olhar, em frente, para um ecr&atilde; vazio?&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o.&nbsp; É uma daquelas frases feitas&nbsp;nascida de algum &quot;best-seller&quot;.&nbsp;&nbsp;Porque nunca ningu&eacute;m diz ao escritor: faz, mancha a folha, enche o ecr&atilde;.&nbsp; Porqu&ecirc; e para qu&ecirc;, pergunto-me eu que n&atilde;o sou o tal escritor, n&atilde;o tenho qualquer obriga&ccedil;&atilde;o nem necessidade urgente de fama.&nbsp; Afinal o que quero eu diante de um&nbsp;ecr&atilde;?&nbsp; Contar a minha vida, exorcizar algum fantasma, ou simplesmente passar tempo?&nbsp; De tudo um pouco,&nbsp;pois encontro um certo fascínio em olhar para os meus dedos a carregar em teclas pretas, sarapintadas com caracteres brancos.&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">S&atilde;o assim os escritores levianos;&nbsp; divertem-se a escrever palavras e est&atilde;o-se nas tintas para os leitores.&nbsp; Se calhar, os s&eacute;rios s&atilde;o iguais.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Será isto&nbsp;um exercício de solid&atilde;o que nunca se quis ou a constata&ccedil;&atilde;o de que o aquele&nbsp;&quot;amigo&quot; dizia tinha um fundo de verdade:&nbsp; escreve um livro, tens jeito, para o resto n&atilde;o, falta-te a&nbsp;motiva&ccedil;&atilde;o , n&atilde;o nasceste para isso, a tua vida foi um engano. E, o livro, &eacute; refugo, caixote do lixo?</p><p style="text-align: justify" align="justify">E aquela frase de boca desconhecida:&nbsp; quando &eacute; que vai pensar em si, viver a sua vida?&nbsp; Já ouvi isto antes... mas esqueci?</p><p style="text-align: justify" align="justify">Abre os olhos e v&ecirc; como vias quando eras inconsciente do sucesso ou do fracasso, mas n&atilde;o da virtude humana.&nbsp; Porque nessa altura&nbsp;ela existia e chamava-se amizade.&nbsp; Hoje &eacute; apenas um jogo de interesses, de utilidades, de bens de troca.&nbsp; Tudo e nada &eacute; teu, porque n&atilde;o podes partilhar.&nbsp; Como&nbsp;tantas vezes fizeste com os teus sentimentos e com as tuas mulheres.&nbsp; Um breve período de paix&atilde;o bastava.&nbsp; Depois vinha o sil&ecirc;ncio. </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Tr&ecirc;s </p><p style="text-align: justify" align="justify">-&nbsp;O qu&ecirc;?&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify">- É a tua terceira palavra esta noite...&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">E já eu estava a parar o carro, viagem acabada.&nbsp; Merda, -&nbsp;porque &eacute; que merda&nbsp;me faz lembrar estas escritoras parvas de hoje? -&nbsp;a gaja&nbsp;tinha raz&atilde;o e tudo isto porque nunca te conformaste contigo mesmo, sempre &agrave; procura do julgamento feminino, do conforto de saber-se querido.&nbsp; Ah, mas foi bom, n&atilde;o nego.&nbsp; Era um viciado nesse jogo.</p><p style="text-align: justify" align="justify">Mas agora que &eacute; tarde, muito tarde, perguntas-te, afinal, o que &eacute; o amor?&nbsp; Como se deve viver?&nbsp; Porra, n&atilde;o sei.&nbsp; </p><p style="text-align: justify" align="justify">Mas queria viver a minha vida.&nbsp;&nbsp;Se queria...</p>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/7/13/o-amigo-joo.html"><rss:title>O Amigo João</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/7/13/o-amigo-joo.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2006-07-19T13:59:00Z</dc:date><dc:subject>Short Story Conto</dc:subject><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 192px; height: 275px" alt="igrejafermentelos.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/igrejafermentelos.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1152800967084" /></span>Há muito, muito tempo atrás...bom, para sermos mais precisos, no tempo em que todos os animais falavam e n&atilde;o como agora em que só os burros o fazem, existia pelas bandas da Pateira um personagem famoso que poderíamos designar, sem temor a exagerar, um ícone da cultura popular, se bem que esta mania que alguns artistas t&ecirc;m de representar a figura humana &ndash; daí o rótulo de figurativos &ndash; tenha o seu qu&ecirc; de controverso, n&atilde;o vá a alma fugir para a tela ou o Supremo Ser pensar que algu&eacute;m lhe quer roubar a imortalidade </p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o encontro melhor maneira de vos retratar tal figura - por ventura &eacute; em tais alhadas que se descobre a careca ao presumido escritor &ndash; do que filmá-lo em plena ac&ccedil;&atilde;o, pois já se sabe que a fotografia apenas capta o instante, o que nos dias televisivos de hoje &eacute; pouca, muito pouca coisa, dir-se-ia tralha do passado.&nbsp; Ent&atilde;o &eacute; assim: </p><p style="text-align: justify" align="justify">A ac&ccedil;&atilde;o decorre no &ldquo;set&rdquo; - ou cenário em bom Portugu&ecirc;s &ndash; do adro da Igreja de Fermentelos, num Domingo qualquer, com um sol radioso (poupa-se na ilumina&ccedil;&atilde;o) e com os devotos a saírem da respectiva Missa (poupa-se aqui na figura&ccedil;&atilde;o e contenta-se o Padre que v&ecirc; o recinto cheio como nunca); as conversas parecem animadas mas imperceptíveis (poupa-se, sem diálogos, no salário do guionista) e, ao longe, na rua dita de principal, surge uma figura masculina toda de preto, chap&eacute;u incluído, a pedalar garbosamente &ndash; seja lá o que isso f&ocirc;r &ndash; na sua pasteleira - eufemismo negativo para bicicleta - toda pintada de preto e alguma ferrugem &agrave; mistura, que isto os anos corroem, por assim dizer. </p><p style="text-align: justify" align="justify">É o Amigo Jo&atilde;o a quem tamb&eacute;m os anos n&atilde;o poupam, veja-se a cara cheia de pregas, outras que n&atilde;o aquelas que enfeitam os vestidos e tamb&eacute;m as cal&ccedil;as - que as há para todos -&nbsp;que se passeiam no já referido adro.&nbsp; Voltam-se as cabe&ccedil;as e, figurantes em uníssono, dizem alto e bom som: </p><p style="text-align: justify" align="justify"><span class="sizeGreater20"><em>- Bom dia, Amigo Jo&atilde;o!</em></span> </p><p style="text-align: justify" align="justify">E responde assim o nosso bicip&eacute;dico, com voz de Plácido Domingo: </p><p style="text-align: justify" align="justify"><em><span class="sizeGreater20">- Fo_ _ - se lá o Amigo. Conhecido e de há pouco!</span> </em></p><p style="text-align: justify" align="justify">A palavra que me ocorre, sentado convosco nesta imaginária plateia, &eacute; despaut&eacute;rio, porque como já se sabe, tenho paix&atilde;o &ndash; ou será fetiche? &ndash; por estes desarranjos da língua pátria. &nbsp;Ent&atilde;o &eacute; assim que se responde ao carinho do povo, Amigo Jo&atilde;o? </p><p style="text-align: justify" align="justify">Pois esta insist&ecirc;ncia no <strong>Fo_ _ -se lá o Amigo!</strong> n&atilde;o &eacute; aquilo que vos parece, mas antes o embri&atilde;o do que poderíamos designar de nova Ética da Amizade, entendida pela rela&ccedil;&atilde;o da Moral que existe em nós mesmos com a Felicidade dos outros. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Sem necessidade de recorrermos ao pensamento do grande teórico da racionalidade da Ética, o senhor Kant, percebe-se facilmente que por detrás da primeira parte desta famosa frase do Amigo Jo&atilde;o está o correcto entendimento da virtude da sauda&ccedil;&atilde;o com que o povo o brinda e na segunda está, &eacute; bom de ver, o cuidado do Amigo para com o bem estar moral dos outros, aquilo a que os verdadeiros latinos chamavam de &ldquo;salus moral&rdquo;. </p><p style="text-align: justify" align="justify">N&atilde;o vos restem dúvidas que nestas paragens da Pateira ocorrem, de quando em vez, grandes feitos civilizacionais.&nbsp; Ou como diria Bocage ou um&nbsp; outro que tal: <em>de uma fraca monteira, por vezes, sai um bom coelho.</em> </p>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/6/24/a-pedra-cbica.html"><rss:title>A Pedra Cúbica</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/6/24/a-pedra-cbica.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2006-06-24T09:30:00Z</dc:date><dc:subject>Short Story Conto</dc:subject><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center" align="center">&nbsp;</p><p style="text-align: justify" align="justify"><span class="full-image-float-left"><img style="width: 128px; height: 149px" alt="simbolo20ma3f3f3f3fo1.gif" src="http://www.pateira.net/storage/simbolo20ma3f3f3f3fo1.gif" /></span>Nada se revela perante olhos estranhos ou fechados que possa dar indica&ccedil;&atilde;o daquilo que existe para lá daquela simples porta. N&atilde;o há imagens, avisos de proibi&ccedil;&atilde;o de fumar, placas de &ldquo;proibida a entrada a pessoas estranhas ao servi&ccedil;o&rdquo;, nenhuma sinal&eacute;tica, como hoje se diz. E, no entanto, a porta existe. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Separa, divide o profano do sagrado, sendo que aqui o sagrado n&atilde;o consubstancia outra forma que n&atilde;o a etimológica, isto &eacute;, o terreno do Templo. </p><p style="text-align: justify" align="justify">E &eacute; isso que aquela pequena sala representa no seu formato quandrangular, ou mais pr&ograve;priamente rectangular, pois que o arquitecto que a concebeu tem título come&ccedil;ado por letra minúscula. </p><p style="text-align: justify" align="justify">A sala &eacute; simples, discreta, despojada de adornos. Mas n&atilde;o de símbolos, pois estamos no reino da simbologia. A luz, essa, &eacute; um bem escasso. Apenas uma migalha de tr&eacute;mulas velas dá contorno aos corpos que n&atilde;o &agrave;s almas. Sombras e vultos a povoam, como na Caverna do Plat&atilde;o. E no entanto, e contrariamente ao ensinamento do filósofo, &eacute; lá dentro que todos v&atilde;o procurar a luz. Paradoxo, ou verdade universal? </p><p style="text-align: justify" align="justify"><strong>TRUZ, TRUZ, TRUZ,</strong> </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Quem vem lá? </p><p style="text-align: justify" align="justify">- É o Irm&atilde;o Inoc&ecirc;ncio, Venerável Mestre </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Irm&atilde;o Guarda Interno, manda entrar ritualmente o Irm&atilde;o&nbsp;Inoc&ecirc;ncio e pede-lhe para se colocar &agrave; ordem, pois está entre nós o Muito Respeitável Gr&atilde;o Mestre. </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Irm&atilde;o Inoc&ecirc;ncio, vens de tanga? Que &eacute; feito do teu smoking, das luvas e do avental? </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Ficaram no prego, Venerável Mestre; os profanos foram-nos &agrave; Loja e desataram a cortar em tudo; ainda recorremos ao auxílio do Grande Conselho Federativo, mas os filhos das trevas deram a volta ao Texto. Ficou só o Irm&atilde;o&nbsp;Tomás a pregar no deserto. </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Como assim? Outra revolta do Sino? </p><p style="text-align: justify" align="justify">- NÓS N&Atilde;O SABEMOS DE NADA! </p><p style="text-align: justify" align="justify">clama a Assembleia em coro </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Sil&ecirc;ncio! </p><p style="text-align: justify" align="justify">pede o Venerável Mestre da Loja </p><p style="text-align: justify" align="justify">- N&atilde;o, Venerável Mestre; aos do Sino, os filhos das trevas at&eacute; o badalo querem arrancar. </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Bem que o merecem depois das modernices que quiseram introduzir no nosso Ritual. Ent&atilde;o queres dizer que para os renegados há agora m&atilde;o de ferro? </p><p style="text-align: justify" align="justify">- N&atilde;o &eacute; bem assim, Venerável Mestre; eu diria antes que caíram, como nós, nas malhas da rede </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Que nem um cardume de peixes, ah? </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Pelo Grande Arquitecto do Universo, n&atilde;o me fale em peixes, Venerável Mestre! </p><p style="text-align: justify" align="justify">- N&atilde;o me digas que n&atilde;o aprecias um bom cherne! </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Ai de nós, Venerável Mestre, que já nem barcos temos para aviar uma simples sardinha! </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Pe&ccedil;o a palavra, Venerável Mestre </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Irm&atilde;o Daniel, tens a palavra, a bem desta Respeitável Loja </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Muito obrigado, Venerável Mestre. Quero apresentar o meu abra&ccedil;o fraterno ao nosso querido Irm&atilde;o&nbsp;Inoc&ecirc;ncio e com ele saudar todos os nossos Irm&atilde;os da Loja Republicana Portucale, nesta hora de infortúnio. </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Infortúnio? Mas o que &eacute; que se passa neste nosso Templo? </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Venerável Mestre...o Templo...ruiu... </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Eu bem que suspeitava daquele fradalh&atilde;o do Melícias! </p><p style="text-align: justify" align="justify">- N&atilde;o foi bem por aí que as Colunas abateram, Venerável Mestre </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Ent&atilde;o, como &eacute; que os profanos entraram? </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Com martelo e escopro, Venerável Mestre, para trabalharem a pedra bruta </p><p style="text-align: justify" align="justify">- Mas esse &eacute; o trabalho de um ma&ccedil;on: transformar a pedra bruta em pedra cúbica! </p><p style="text-align: justify" align="justify">Do seu assento, no Oriente, ergue-se, irada, a figura imponente, majestática e senatorial do Gr&atilde;o Mestre, inquirindo a Assembleia: </p><p style="text-align: justify" align="justify">- E vós, meus Irm&atilde;os, que fazíeis enquanto esses profanos ousavam roubar-nos as nossas Virtudes? </p><p style="text-align: justify" align="justify">Respingada de alguns tremeliques, ouve-se a voz, algo sumida, do Venerável Mestre da Loja: </p><p style="text-align: justify" align="justify">- De p&eacute; e &agrave; ordem, meus Irm&atilde;os. Ao meu golpe de malhete respondam, em uníssono, &agrave; pergunta do nosso Muito Respeitável Gr&atilde;o Mestre. </p><p style="text-align: justify" align="justify">Golpe de malhete </p><p style="text-align: justify" align="justify">-<strong> ESTÁVAMOS A DEFINIR O QUE É A PEDRA CÚBICA, GR&Atilde;O MESTRE!</strong> </p><p style="text-align: center" align="center">- The End - </p>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-1-parte.html"><rss:title>"As 2 Últimas" - 1ª Parte</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-1-parte.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2006-04-10T15:49:57Z</dc:date><dc:subject>Short Story Conto</dc:subject><content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4188/1217/1600/Amedrontado.1.jpg"></a></p><p style="text-align: center" align="center"><span style="font-size: 130%"><strong><span class="full-image-float-left"><img style="width: 100px; height: 164px" alt="amedrontado1.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/amedrontado1.jpg" /></span>- Filosofia -</strong></span></p><p>Há coisas em que acredito firmemente. A ci&ecirc;ncia, por exemplo. Dá-se um pontap&eacute; numa bola e ela rola, rola, at&eacute; que pára, novamente. Passa do estado de repouso ao movimento e, se calhar, por cansa&ccedil;o, volta ao mesmo. Falar em tamanha evid&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; coisa de somenos, pois trata-se do famoso Princípio Fundamental da Din&acirc;mica, ou Segunda Lei de Newton: for&ccedil;a igual &agrave; massa vezes a acelera&ccedil;&atilde;o. Nem mais! Tamb&eacute;m se pode dizer, &eacute; claro, que a for&ccedil;a &eacute; a derivada do movimento linear ou quantidade de movimento. E gosto de acabar sempre estas minhas elucubra&ccedil;&otilde;es, termo que muito aprecio, porque de difícil dic&ccedil;&atilde;o, com a velha máxima de que na natureza nada se cria, tudo se transforma. E nisto baseio eu aquilo que chamo de minha filosofia.</p><p>Diria, assim, que sou um empirista, porque me fico pelas apar&ecirc;ncias, mas tenho tamb&eacute;m algo de racionalista porque n&atilde;o quero deixar Deus lá no Seu c&eacute;u pensando que, cá na terra, tudo bem. Seria o mesmo que pensar que os desígnios Dele ultrapassam a compreens&atilde;o humana. Isso n&atilde;o &eacute; moral, &eacute; má-f&eacute;. Porque o desejo de sermos Deus, pensem bem, - aonde está a nossa omnipot&ecirc;ncia e benevol&ecirc;ncia - só nos traria problemas. Fiquemo-nos, pois, neste dilema, tamb&eacute;m partidários da transcend&ecirc;ncia.</p><p>Por isso n&atilde;o sou daqueles que pensam que o acaso, o azar, a má fortuna n&atilde;o existem. </p><p>Falha-se, perde-se, erra-se sempre pelo azar, prova de que ele existe ou de que, quem o invoca, n&atilde;o tem quanto baste de imagina&ccedil;&atilde;o criadora para a mentira. Tem lógica, o azar, e tamb&eacute;m a fraca desculpa. Mas &eacute; preciso que o azar encontre uma janela, uma porta aberta, vá lá, semi-aberta, para entrar. Ora, na minha ci&ecirc;ncia, está tudo fechado, que o mesmo &eacute; dizer que azar n&atilde;o entra. Mas, repito, lá que existe, existe. </p>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-2-parte.html"><rss:title>"As 2 Últimas" - 2ª Parte</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-2-parte.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2006-04-10T15:16:00Z</dc:date><dc:subject>Short Story Conto</dc:subject><content:encoded><![CDATA[<a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4188/1217/1600/rei%20bufo.jpg"><img style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 94px; cursor: hand; height: 200px" alt="rei20bufo.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/rei20bufo.jpg" /></a><br /><div style="text-align: center" align="center"><span style="font-size: 130%"><strong>- King -</strong></span><br /><div style="text-align: justify" align="justify"><br />Como naquela &ldquo;m&atilde;o&rdquo; que &eacute; o nome pelo qual eu arquivo cada uma das etapas ou fases, tanto me faz, do jogo de cartas chamado &ldquo;o King&rdquo;. As duas últimas, para voc&ecirc;s melhor se situarem, mesmo sem mais pormenores. Bom, para quem tem duques, ternos, quadras, quinas e por aí fora, nem no jogo se pode pegar. N&atilde;o se faz nada, nem de bem nem de mal, assiste-se e espera-se a m&atilde;o acabar para ver quem será o infeliz, ou infelizes, em caso de divis&atilde;o, que faz, ou fazem, as duas últimas vazas. Mais nada, chato, estúpido, at&eacute;. E vai daí, orgulho saloio de que todos temos sempre um pouco, diz-se, alto e bom som: &ldquo;nem que o Diabo cá estivesse, eu fazia as duas últimas&rdquo;.<br /><br />É assim, meus senhores, escusam de me olhar com essas caras, a sorte está comigo. É bom para o nosso ego estar por cima, a coberto do azar. Vá, joguem, que eu assisto. Querem o duque ou a quina? Nem estou com aten&ccedil;&atilde;o para ver quem se vai tramar. Como o rico, perante a crise e a mis&eacute;ria dos outros. Dá pena ver, tem-se simpatia pela dor, mas que se há-de fazer? Deus ou a Divina Provid&ecirc;ncia assim o quizeram. Lá está, os desígnios do Alto, o mal moral, que n&atilde;o nos compete a nós, pobres mortais, entender, quanto mais questionar!<br /><br />Mas a vida tem momentos bons, como o daquela partida que at&eacute; nem está má, vamos ver como vai correr nos &ldquo;peditórios&rdquo;. Para ser franco, n&atilde;o sou muito do tipo ganhador, daquele que faz tudo, sempre na &acirc;nsia de atingir mais e mais. O meu problema &eacute; perder, porque aí, viro, sem querer, ganhador. Aguns diriam que a necessidade agu&ccedil;a o engenho, eu diria que o meu ego &eacute; como o infeliz que cai &agrave; água e tenta n&atilde;o se afogar. Deve ser por isso que tenho tanto medo de morrer: para todos os efeitos &eacute; a derrota final. Com papel passado e assinado pelo Cartório Celestial, como diria o Vinícius de Morais, poeta lírico, embaixador da cacha&ccedil;a e do whiskey, músico e grande safado. Saravá! </div></div>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-3-parte.html"><rss:title>"As 2 Últimas" - 3ª Parte</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-3-parte.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2006-04-10T15:14:18Z</dc:date><dc:subject>Short Story Conto</dc:subject><content:encoded><![CDATA[<a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4188/1217/1600/Vieira%20da%20Silva.0.jpg"><img style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 157px; cursor: hand; height: 200px" alt="qvieira5.jpg" src="http://www.pateira.net/picture/qvieira5.jpg?pictureId=387095" /></a><br /><div style="text-align: center" align="center"><strong><span style="font-size: 130%">- Acontece -<br /></span></strong><br /><div style="text-align: justify" align="justify"><br />Passadas? Passaram as cartas? Pois &eacute;, acontece, &eacute; um azar! Raro, mas acontece. E lembro-me bem de que ali n&atilde;o havia batota. Aqueles tr&ecirc;s estavam de tal modo engalfinhados no jogo que n&atilde;o iriam estragar o seu gozo por minha causa.<br /><br />E para quem n&atilde;o perceba o termo engalfinhados, direi apenas que, no meu entender, significa &ldquo;em luta&rdquo;. Agora, que uso e abuso do termo, n&atilde;o tenham dúvidas. Isto apesar de me fazer lembrar n&atilde;o os galos, mas os golfinhos que, coitados, como s&atilde;o t&atilde;o simpáticos, n&atilde;o deveriam merecer tal conota&ccedil;&atilde;o. Simpáticos e de boa vida como os Angolanos que, naquela &eacute;poca do Esteves, como o meu av&ocirc; chamava ao Salazar, nada faziam para terem ou merecerem uma boa vida, porque os Transmontanos e outros azarentos que, por cá havia, lá iam parar com os costados bem arreados com mochilas e G3 para que aquela gente tivesse do bom e do melhor, e com criados. Boa vida, a do senhor de Lisboa.<br /><br />Ou como diria o meu outro av&ocirc;, o Passadouro, que at&eacute; &agrave; morte, foi sempre Júnior: &ldquo;as coisas s&atilde;o como s&atilde;o e nós temos de v&ecirc;-las como elas s&atilde;o&rdquo;. At&eacute; hoje ainda n&atilde;o percebi se devo arrumar este pensamento na prateleira do determinismo ou naquela mais pequena, de duas simples divis&otilde;es, do maniqueísmo.<br /><br />Mas, voltando &agrave; minha história, que hoje, o tempo urge, pe&ccedil;o-vos perd&atilde;o pelas voltas do pensamento próprias da modorrice daqueles tempos. Pois &eacute;, azes, reis, damas de tudo o que seja naipe, &agrave; m&atilde;o me veio parar. Isto, porque os jogos de cartas &eacute; coisa de filme de Hollywood ou da Broadway: &ldquo;the show must go on&rdquo;. Haja o que houver. E, assim sendo, baralha-se, parte-se e dá-se, de novo. Treze ases, meus senhores, treze azes para jogar!. É pegar no jogo e já está: as duas últimas s&atilde;o minhas e, com sorte, todas as anteriores tamb&eacute;m. É sina do azarento, senhor; se me deixar ler a sua m&atilde;o, a ciganita errante quebra o mau olhado. É só me dar um tost&atilde;o, meu menino bonito. </div></div>]]></content:encoded></rss:item><rss:item rdf:about="http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-fim.html"><rss:title>"As 2 Últimas" - Fim</rss:title><rss:link>http://www.pateira.net/short-stories-contos/2006/4/10/as-2-ltimas-fim.html</rss:link><dc:creator>Luís Antunes</dc:creator><dc:date>2006-04-10T15:10:09Z</dc:date><dc:subject>Short Story Conto</dc:subject><content:encoded><![CDATA[<a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4188/1217/1600/Jos??"><img style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 143px; cursor: hand; height: 200px" alt="jos3f3f20de20guimar3f3fes1.jpg" src="http://www.pateira.net/storage/jos3f3f20de20guimar3f3fes1.jpg" /></a><br /><a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4188/1217/1600/imagem%20medieval_.jpg"></a><br /><div style="text-align: center" align="center"><strong><span style="font-size: 130%">- Em boa companhia -</span></strong><br /><div style="text-align: justify" align="justify"><br />Bem dito e bem feito. E, depois, o sil&ecirc;ncio, ou seria a falta de vontade de falar?, o olhar para o relógio, que está no ir. Jogávamos quase a feij&otilde;es, apesar de que, com o tempo, nas f&eacute;rias grandes, bem grandes, a s&eacute;rio, n&atilde;o como agora, se podia acumular muito escudo, para cá ou para lá. Mas, o urgente era sair, ir embora. Nem mais um copo, amendoim, tremo&ccedil;o, cigarrinho, fosse lá o que fosse!<br /><br />Como bem me alembra, que &eacute; modo de dizer lá pelas bandas da Pateira, a figura do Z&eacute; Mealhas que, todas as noites, lá por volta da uma, invariavelmente dizia, &ldquo;vamos mas &eacute; ferrar a galhada&rdquo;, bem ensacado na sua gabardine, chap&eacute;u de chuva por dama, fidelíssima, de companhia. Um Colombo da TV, sem ser zarolho e sem o charuto, que o homem era mais para o copito da sossega, se bem me entendem. Só que, ao contrário do Z&eacute; Mealhas, que falava, falava e tornava a falar e dali n&atilde;o saia, eu queria mesmo era ir embora.<br /><br />E fui. Parti só, &agrave; aventura daqueles poucos centos de metros, a descer para a casa da minha av&ograve;. Foram osso duro de roer, sim senhor. Havia ali, algures, n&atilde;o me perguntem onde, qualquer coisa, chamem-lhe medo, caga&ccedil;o ou frio que, &agrave;s vezes, at&eacute; as noites de Julho nos fazem gelar o sangue, cá por dentro. Estava um escuro de br&eacute;u ou dum raio, para n&atilde;o dizer do cara&ccedil;as ou da porra, que se fica na mesma, por falta de sentido, sendo este de que falo, o da vis&atilde;o. E havia tamb&eacute;m algu&eacute;m, sem corpo ou mat&eacute;ria, que se ria baixinho, porque eu o n&atilde;o ouvia, perto de mim. N&atilde;o, n&atilde;o tem lógica, eu sei, mas aquele filho-da-m&atilde;e veio todo o caminho a gozar comigo.<br /><br />Certo &eacute;, que nunca mais me meti com ele. </div></div>]]></content:encoded></rss:item></rdf:RDF>